Nos dias 28 e 29 aconteceu em São Paulo o Hospital Innovation Show, primeiro Trade Show de Inovação e Tecnologia focado em Hospitais do Brasil. Durante os dois dias foram diversas exposições e palestras acontecendo pelo Espaço Rebouças e o Startupi acompanhou a Ignite Healthcare, promovido em parceria com a Berrini Ventures, primeira aceleradora de Saúde do Brasil, que tem como objetivo viabilizar a integração entre startups e executivos do setor, de modo a fomentar o desenvolvimento de boas ideias visando um futuro promissor para tal segmento de mercado.

Rafael Campos, CFO da Berrini Ventures, compartilhou alguns dados sobre o mercado atual de startups de saúde. Ele garante que o número de empresas nascentes nesse ramo vem crescendo e apesar do índice de mortalidade das empresas ainda ser alto, a quantidade de startups que morrem e voltam para o mercado com outros projetos está cada vez maior.

Rafael Campos - CFO Berrini Ventures

Rafael Campos – CFO Berrini Ventures

Deve ser levado em consideração quatro pontos básicos do mercado de saúde

  1. Não cíclico – O mercado de saúde sente menos as oscilações conjunturais da economia, ou seja, no caso de uma crise econômica, essa crise demora mais para chegar no setor de saúde e ele se recupera mais rapidamente do que outros setores como o varejo, por exemplo. Então é um mercado mais estável ao longo do tempo do ponto de vista macroeconômico.
  2. Hospitalocêntrico – 67% dos gastos com saúde estão em hospitais (World Bank). Quando trabalhamos considerando que saúde é 10% do PIB, isso que dizer que os 6600 hospitais do Brasil respondem por 7% do PIB girando ali dentro.
  3. Custos – Reajustes médicos dos planos de saúde em 2015 foi de 16.2% (valor econômico).
  4. Papel do empregador – 63% dos planos de saúde são pagos por empresas (World Bank)

Quando você faz um link entre o item 3 e 4 você tem uma cadeia de acontecimentos, ou seja, o plano de saúde fica mais caro, a empresa paga mais e com isso seu lucro “achata”. Nessa hora ela vai passar seu custo para o seu produto final, portanto isso irá de alguma forma explodir no consumidor ou no trabalhador de alguma forma.

Se analisarmos a série histórica do que está acontecendo com a saúde hoje no Brasil, o mercado sofre um tipo de pressão econômica em cima de todos esse indicadores que é basicamente o mesmo que os setores produtivos no Brasil sofreram na década de 90 quando as empresas foram forçadas a adotar tecnologias para sobreviverem. O parâmetro era mais ou menos esse que eles tinham, concentração em alguns players, aumento de custo e um repasse quase que desigual em cima dos lucros das empresas.  “Esse padrão está se repetindo hoje, o que me leva a crer que quando olharmos para a saúde daqui 20 anos, será quase que a mesma coisa de olharmos hoje um supermercado de 1987” afirma Rafael.

É preciso pensar e acreditar  que esse será um movimento cada vez mais forte no setor. Existe a necessidade da inovação e de trazer novas formas de ser mais produtivo, que extrapola a questão da inovação e do médico e começa a bater em questões conjunturais de todo o setor. Pensando nisso, Rafael conta que começaram a olhar e perguntar para muitas empresas Porque startups? Porque vocês se interessam tanto por startups? Romero Rodrigues, Fundador do Buscapé, afirma que uma coisa é falar que o Buscapé investiu em uma startup, é algo normal, mas porque outras empresas também estão se interessando por elas? A respostas das empresas foram as seguintes:

Oxigenação – Startups trazem novas ideias e pensam fora da caixa. Muitas vezes nas grandes empresas as pessoas estão “viciadas” em pensar de uma forma e quando você traz uma startup abrindo os caminhos, é benéfico para os dois lados.

Core Business – Startups trazem inovação eficiente a outros negócios da empresa. Rafael que já trabalhou no Buscapé cita o exemplo de quando levava startups para a empresa ou uma nova ideia para os presidentes e eles ficam chocados de como um jovem consegue fazer da noite pro dia uma coisa que a sua equipe com 15 PhD de Harvard não consegue. “É simples! É por que não é o core business deles, não é o motivo pelo qual eles estão trabalhando ali”.

Velocidade – Startups trazem inovação em velocidade surpreendente. Isso faz parte da alma do empreendedor e não deve ser deixado de lado.  “O empreendedor é aquela pessoa que tem a ideia de noite, para tudo o que está fazendo, vira a noite trabalhando e de dia o produto está no ar. Se não der certo, ele vai refazer e no dia seguinte terá uma nova versão”.  Essa é a grande diferença para as grandes corporações, se você pensar, isso é um ciclo que dentro de uma empresa demora de 6 a 7 meses para acontecer. Por isso as empresas se surpreendem.

Rafael compartilhou mais alguns dados sobre as startups de saúde. Veja abaixo.

EQUIPES

Até 3 pessoas – 38% das equipes são formadas por até 3 pessoas.
Grandes equipes – 4% das equipes são formadas por mais de 15 fundadores.
Área da saúde – 55% apresentam no mínimo 1 profissional da área de saúde.
Médico empreendedor – Apenas 4  empresas formadas por médicos ou profissionais da saúde.

DESAFIOS

Capital – 27% das startups buscam capitalizar sua empresa.
Medicine Mindset – 27% das startups buscam compreender melhor a área da saúde.
Comercial – 16% dizem que a tração comercial é seu maior desafio.
Burocracia – 5% listam a burocracia brasileira como maior desafio.

FATURAMENTO

Faturamento 0  – 30% das startups não faturam.
Até 100 mil – 25% das empresas estão abaixo da barreira dos 100 mil.
Acima de 1 milhão – apenas 6% das startups apresentam um faturamento acima de 1 milhão.

Tecnologia – que tipo de produto as startups estão entregando?

Gestão de TI– Tecnologia ligadas a modernização dos processos produtivos.
CompShop – Tecnologias de busca e comparação e rankeamento.
Telemedicna e wearables – 14% telemedicina e 12% wearables.
Fronteira – Inovação disruptiva e tecnologia de ponta.

VERTICAL DE MERCADO

Clínicas – 34% clínicas e consultórios médicos.
B2C– 28% pacientes e consumidores finais.
Hospitais – 14% hospitais de referência.
Setor público – 10% governo e órgãos públicos.

Analisando os dados e o mercado atual, Rafael destaca 3 pontos importantes:

Presença – O setor de saúde deve estar mais presente no desenvolvimento das startups.

Canais de venda – Empresas e startups devem estar preparadas para o comércio (as startups e os empreendedores ainda encontram dificuldade em vender para os grandes players de saúde, precisamos tornar o canal de venda mais acessível).
Preparo – A estratégia deve estar alinhada à realidade do mercado (Ainda existe um desalinho entre as estratégias das grandes empresas, o que elas buscam com o que as startups estão oferecendo, o que nada mais é do que a falta de comunicação).