A Finep ampliou ainda mais seu apoio a startups, agora, além dos Fundos de Investimento em Participações (FIPs), dos quais participa como cotista, a financiadora pretende investir diretamente em empresas inovadoras de base tecnológica juntamente com os chamados investidores anjo através do Finep Startup.

Lançado durante a 25ª Conferência Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), em Cuiabá (MT), o Finep Startup tem como objetivo aportar conhecimento e recursos financeiros via participação no capital de empresas em estágio inicial com faturamento anual de até R$ 3,6 milhões. Essa é a primeira ação dentro de um conjunto de iniciativas voltadas a empresas nascentes que a Finep pretende lançar nos próximos anos.

Uma das novidades é que o investimento vai se dar por meio de contrato de opção de compra de ações e pode chegar a R$ 1 milhão, baseado no plano de negócios da startup. Esse tipo de contrato transforma a investidora, no caso a Finep, em uma potencial acionista da empresa. A opção da Finep se tornar ou não sócia da startup terá prazo total de vencimento de até três anos, podendo ser prorrogado por mais dois. Se a empresa for bem sucedida, a Finep pode exercer essa opção e se a empresa fracassar, a Finep não arca com o passivo, o que garante maior segurança.

“Tem um elemento histórico aqui, estamos introduzindo um novo instrumento de financiamento na política de inovação” afirma Luis Fernandes, Presidente da Finep. Ele explica que o modelo inédito no Brasil se inspirou em programas de outros países, particularmente os EUA, mas incorporou novidades.

Foto: Divulgação

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Empresas de base tecnológica nesse estágio possuem grande dificuldade para financiar seu desenvolvimento, principalmente em função da ausência de garantias e geração de caixa. É comum ver empresas que tiveram apoio inicial em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) acabarem com o projeto na gaveta por falta de recursos. O principal objetivo do Finep Startup é justamente alavancar empresas que estejam em fase final de desenvolvimento do produto, para colocar no mercado ou que precisem ganhar escala de produção.

Hoje existe um espaço a ser ocupado entre o primeiro investimento que uma empresa recebe, dos chamados investidores anjo, em uma fase inicial e aquele feito por meio dos FIPs. Ao priorizar esse tipo de investimento, pretende-se aperfeiçoar os recursos aplicados, diminuindo o risco e aumentando a possibilidade de retorno para a sociedade. Essa iniciativa não pretende competir com os fundos, pelo contrário, deseja levar as empresas a um estágio onde o acesso a esses canais se torne viável.

O processo funcionará da seguinte forma: a startup que se inscrever no edital com uma carta de compromisso de um investidor anjo – que também investirá na empresa por meio de contrato de opção – ganhará pontos na seleção feita pela Finep. A quantidade de pontos obtidos dependerá do valor do investimento privado, que pode ir de R$ 50 mil a R$ 350 mil. Além do anjo, o processo seletivo do edital levará em consideração três dimensões: inovação e tecnologia; mercado e modelo de negócios; e equipe. As caraterísticas do edital foram definidas baseadas na relação de longa data que a financiadora mantém com os investidores. O contrato de opção para ambas as partes é o grande diferencial da chamada, pois diminui os riscos para um investidor de menor porte como o anjo.

O investidor anjo que se comprometer a investir na empresa selecionada pelo edital receberá parte do retorno da Finep, com o objetivo de provocar o engajamento do investidor privado com o sucesso da empresa. Para fomentar essa parceria entre as empresas e os investidores privados, a Finep firmou um acordo com a Anprotec e com a Anjos do Brasil, entidade de fomento ao investimento anjo que apoia o empreendedorismo de inovação. Nesse acordo estão previstas ações como workshops e road shows por todo o País com empresas e investidores para promover a integração entre eles e facilitar possíveis parcerias. Em uma fase mais avançada do processo seletivo, uma banca avaliadora formada por Finep, Anjos do Brasil e Anprotec vai selecionar as startups que serão investidas.

“Consideramos a entrada da FINEP no cenário de startups com grande valia, pois como agência governamental de fomento a inovação, sua experiência e conhecimento irá agregar muito para o desenvolvimento deste mercado e o modelo desenvolvido com a participação dos investidores anjo, gera benefícios para todos, os investidores anjo terão seus investimentos potencializados, a FINEP terá o know-how dos investidores anjo e sua atenção dedicada para as startups e estas, terão apoio duplo para acelerarem o crescimento do seu negócio”, afirma Cassio Spina, Fundador da Anjos do Brasil.

Além da alavancagem de recursos, a atração de investidores privados é fundamental para o sucesso do empreendimento, à medida que estes também agregam conhecimento ao negócio. As startups não necessitam somente de recursos financeiros, mas também de auxílio em questões extremamente relevantes para o futuro do negócio, como governança e gestão. Esse é o principal objetivo dessa interação com as redes de anjo.

João Kepler, investidor anjo e conselheiro na Anjos do Brasil, afirma que os anjos vem participando ativamente e contribuindo com as startups e empreendedores Brasileiros. “Esse programa Finep Startup de alguma forma valida este trabalho e incentiva mais e novos investimentos para as startups. Os investidores da Anjos do Brasil, da qual faço parte, vem atuando fortemente no fomento dos investimentos e foi fundamental pra mostrar a importância dos investidores como parceiro das startups e deste programa. No meu caso, espero com esse programa e apoio, aumentar meu portfólio de startups”.

Já Felipe Matos, Fundador da Startup Farm e que foi COO do programa Start-Up Brasil, levanta uma série de questionamentos que possibilita uma análise mais profunda pelo mercado, para que cada vez mais os programas desse tipo sejam eficazes e construídos para durar: “A iniciativa é boa, assim como a faixa de investimento escolhida, mas o problema mesmo é um formato onde o governo vira acionista da empresa. Quais serão as regras de governança? E se a empresa se internacionalizar? E na hora de receber capital de outros investidores, quem vão opinar? Que tipo de veto ou participação nessas decisões terá a Finep? Além dessas questões, que não me parecem ainda bem endereçadas, existe a natureza mutável dos governos, que complica bem as coisas. Amanhã há uma mudança política no país, trocam o presidente da Finep e os cargos diretivos, e aí? Como confiar que as regras de governança serão mantidas? Para terminar, complicada também é a falta de continuidade e coordenação com outros programas do próprio MCTI, como o Startup Brasil, que seria um ótimo primeiro passo para gerar boas empresas para um programa como esse. Mas que, apesar dos excelentes resultados, está com orçamento suspenso desde o começo do ano, sem previsão de retorno”, conclui.

Edital em novembro

O primeiro edital do Finep Startup será lançado em novembro. A previsão é lançar mais um edital em 2016 e dois em 2017. Cada edital terá valor de R$ 20 milhões, totalizando R$ 80 milhões. A empresa que se enquadrar nos critérios do edital pode participar da seleção independente da área de atuação. Os fundos tradicionais investem em média de 10 a 15 empresas em quatro anos. Com o Finep Startup, a Finep pretende investir em 40 empresas até 2016.

E você, o que achou dessa iniciativa? Queremos saber a opinião dos investidores e empreendedores, deixem seu comentário abaixo.