* Por Heloisa Motoki

Quando começamos a empreender, temos em nosso momento empreendedor a necessidade de dividir o nosso tempo em AC/DC.  Poderia ser o tempo entre Antes de Cristo e Depois de Cristo, pois é preciso ter fé para que as coisas boas aconteçam e algumas demoram bastante. Poderia também ser a banda de rock australiana, pois cada vez que damos um passo temos que ser pesados, assim como o som do heavy metal.

Mas essa divisão de tempo é o CNPJ. O que fazer antes e depois de registrar minha empresa nos órgãos?

AC – Antes do CNPJ

  1. Nome da empresa: Pesquise sobre o nome que pretende adotar, veja se não há pedido de registro junto ao INPI, se está disponível o registro do domínio na internet. Veja também sobre a disponibilidade e a associação do nome escolhido nas redes sociais. Pesquisar reduz o risco de ter que mudar todo o seu planejamento de marketing, caso o nome escolhido já tenha sido registrado por outra pessoa.
  1. Atividade da Empresa/Impostos: Pesquise sobre as possíveis áreas de atuação da empresa, mesmo que seja a médio prazo. Avalie se não seria interessante já prever no escopo do objeto da empresa. Avalie também eventuais exigências de atividade e códigos (CNAE) que podem ser requeridos caso a empresa participe de licitações/concorrências. Há ramos de atividades, mais específicos e fechados, que só fornecem orçamento se provar por meio do CNPJ e CNAE que a empresa irá atuar no ramo.
  1. Endereço fiscal: Nem toda atividade é permitida na residência do sócio, principalmente em atividades comerciais e industriais. Se optar em locar um endereço fiscal, procure negociar algum tempo de desconto durante o período que a empresa de fato não estiver instalada. Observe também se o IPTU esta coerente com a atividade (é comum a pesquisa ser feita pelo endereço/bairro, mas o proprietário não ter regularizado o imóvel pode comprometer a obtenção de licenças e alvará de funcionamento).
  1. Sócios: Se tiver sócios, pesquise sobre a regularidade perante aos órgãos (uma pessoa com empresa pendente pode comprometer a regularidade da sua empresa). Defina também sobre a atuação e responsabilidade de cada um, se o sócio não for iniciar de imediato (começar investindo, por exemplo) defina em que momento/prazos isso acontecerá.
  1. Contrato Social: Sendo uma sociedade, esse é o documento mais importante. Nele se definem todas as regras de funcionamento da empresa, o que cada sócio tem poder, o quanto está sendo investido, como será uma eventual saída.

DC – Depois do CNPJ

  1. Registro da marca: Inicie o registro de marca perante o INPI. Cuidado na execução, faça com um profissional habilitado, preferencialmente o mesmo que você consultou na pesquisa. Não é tão fácil quanto parece, é preciso se atentar a classificações e prazos para não perder o valor pago.
  1. Habilitação para emissão de nota fiscal: Verifique os modelos de notas fiscais que serão utilizados e a necessidade de obter senhas de acesso ou certificado digital.
  1. Licenças e Alvarás de funcionamento: Antes de abrir as portas para o público, verifique as licenças e alvarás que serão necessários. Não costumam ser emitidas na hora, mas é preciso já tomar as providências de requerer nos órgãos.
  1. Serviços Bancários: Já avalie a necessidade de abrir conta corrente e avalie como seus clientes irão te pagar, se haverá a necessidade de habilitar meios de pagamentos eletrônicos, ter máquinas de cartão de débito e crédito. Dê preferência ao banco com que já trabalha na pessoa física, pois o relacionamento com o gerente de contas irá te ajudar na abertura da nova conta, além de reduzir custos nas transferências da empresa para pessoa física.

Com tudo prontinho ou pensado, vá em frente! É comum no começo ter muitas dúvidas, até se familiarizar com o ambiente empreendedor, não tome decisões sem planejar e pesquisar.


heloisa motoki rede mulher empreendedoraHeloisa Motoki é diretora administrativa e financeira da Rede Mulher Empreendedora, fundadora da Quali Contábil e consultora especial do site Fórum Contábeis. Participante do programa de Empreendedorismo pela FGV/Goldman Sachs – 10.000 mulheres. Há 18 anos no mercado contábil, atua diretamente com pequenas e médias empresas em São Paulo.