Neste final de semana aconteceu o Startup Weekend Women, com a intenção de fomentar o empreendedorismo feminino, fornecer mentoria e ferramentas para que ideias sejam desenvolvidas gerando novos negócios, além de proporcionar um ambiente para se criar equipes e quem sabe futuros sócios. Na edição Women, a principal diferença é que 75% dos organizadores, mentores, jurados e participantes são mulheres.

Durante os dias 02, 03 e 04, as participantes compartilharam e validaram suas ideias, criaram um modelo de negócio e apresentaram para uma banca avaliadora. Um diferencial dessa edição é que o evento foi realizado simultaneamente em 5 cidades; Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre, Belém e São Paulo.

O Startupi acompanhou a edição de São Paulo que aconteceu na Universidade Estácio, Campus Conceição e conversou com Preta Emmeline, Coordenadora da ABStartups e uma das organizadoras do Startup Weekend Women. Ela brinca que nunca viu tantas mulheres reunidas para desenvolver uma ideia. O evento contou com 80 participantes e no primeiro dia foram apresentadas cerca de 35 ideia. Destas 12 foram selecionadas para serem trabalhadas em grupos durante todo fim de semana.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Preta destaca que nesse universo da tecnologia o que predomina ainda são os homens, tanto que nos eventos de tecnologia, 90% das participações são masculinas. “O Startup Weekend Women trabalha no empoderamento feminino no sentido de mostrar que elas podem sim ser representadas em áreas como programação e tecnologia. Iniciativas como essa são muito importantes para trazer essa força e mostrar que nós somos capazes de fazer a diferença”.

Preta também destaca que todo o conteúdo que compõe o Startup Weekend Women, interação, networking e as informações passadas de forma simples e motivacional são essenciais para todo empreendedor.

“Aqui você tem a possibilidade de compartilhar histórias, saber coisas que deram certo, que deram errado, conhecer pessoas que podem ajudar no seu projeto ou que podem fazer uma conexão com uma pessoa que tenha uma ideia parecida com a sua, é muito enriquecedor, é o que o empreendedor precisa”.

Heloisa Motoki, Diretora Adm/Fin da Rede Mulher Empreendedora, estava participando do evento como mentora e contou que tem percebido um grande movimento e redes de apoio voltadas para as empreendedoras. Ela afirma que muitas delas tem potencial, mas que na maioria das vezes, acabam se prendendo ao medo de fazer, de conciliar a vida de empreendedora com filho, casa e marido. “O empreendedorismo feminino tem crescido bastante no Brasil pela coragem das mulheres em enxergar que aquilo que elas fazem tem um valor, já estamos olhando como um desafio que dá para superar”.

Juliana Glasser, Cofundadora da Infoprice e Carambola, afirma que as mulheres estão se sentindo mais livres para tomar suas atitudes, o que é um passo muito importante. “A maioria das empresas, startups e inovações são criadas por homens, brancos, héteros e da classe A. Quando resolvemos algum problema, nós precisamos ter uma dimensão desse problema, por isso a partir do momento que mais mulheres começarem a empreender, entender o mercado e mostrar soluções para os problemas que elas tem, nós vamos começar a abranger mais negócios e atender mais pessoas”.

Durante o Startup Weekend Women ela também estava como mentora e contou que a maioria das pessoas apresentaram dificuldade em identificar um real problema. Ela afirma que estamos com um vício de seguir soluções que já resolveram um problema e tentar aplicar problemas dentro dessas soluções, como por exemplo, pegar um aplicativo de taxi, seu funcionamento e buscar um outro problema parecido com o do taxi e enfiar dentro da solução.

Foto: Fernanda Santos

Foto: Fernanda Santos

Ela também afirma que notou um real amadurecimento e crescimento das empreendedoras do primeiro para o último dia. “No primeiro dia estava mais devagar, depois que elas entenderam o verdadeiro problema, elas conseguiram desenvolver ideias muito boas, contextualizar e criar uma solução que realmente resolvesse o problema que elas identificaram”.

Thatiana Papaiz, trabalha com marketing na área de TI na Microsoft e participou do evento pela primeira vez. O que ela achou mais interessante foi ele ser voltado para o público feminino e a possibilidade de ter contato com pessoas de diferentes idades e poder saber como a cabeça dos jovens funcionam. Seu objetivo principal no evento foi aprender a trabalhar com o canvas para quando precisar desenvolver sua ideia, já estar mais estruturada. Ela contou que os mentores fizeram toda a diferença durante o evento. “Pelas suas experiências profissionais, eles sempre colocavam um conflito de uma forma positiva, não orientando faz isso ou faz aquilo, mas colocando a galera para pensar. Eu vi uma ideia que começou sendo um negócio e foi se modificando e acabou se transformando em outra completamente diferente do início”.

E Thatiana não foi sozinha ao evento, ela levou o namorado, Leonardo de Sá, Gerente de Vendas, junto. Ele contou que se surpreendeu bastante com o evento e que conseguiu aprender muito com a troca de informações. “No momento em que a pessoa tem o desejo de empreender ela precisa participar de um evento como o Startup Weekend. Aqui você tem um filtro e os mentores vão te auxiliando, tem todo um processo e uma metodologia para auxiliar os empreendedores”, conclui.

Juliana Chahoud, Líder Técnica iOS na Movile, participou como mentora técnica no evento e conta que buscou tirar mais dúvidas das soluções voltada para modulação do produto, se seria um site ou aplicativo. De dificuldades gerais, ela  sentiu que muitos grupos não tinham uma pessoa com visão técnica para ajudar na arquitetura das plataformas. “Desde criança é tirado das mulheres essa ideia de querer encarar tecnologia como profissão, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. Você precisa lutar contra a maré para continuar”. Para mudarmos esse cenário ela acredita que devemos começar a incentivar desde cedo as meninas explicando que qualquer um pode ser empreendedor  e da área de tecnologia. “Daqui a 15 anos o cenário vai estar completamente diferente, as meninas que hoje são “pequenas” terão mais interesse por tecnologia”.

Depois de muita mentoria e feedback, chegou a tão esperada hora da apresentação dos Pitches. Cada equipe teve 2 minutos para apresentar-se para a banca de jurados formada por por Gabriela Szprinc, Head da área de Pequenas e Médias Empresas e de Organizações Não Governamentais do PayPal Brasil, Mariana Macário, Gerente de Relações Governamentais no Google, Viviane Duarte, Jornalista e fundadora do site Plano Feminino, Marina Miranda, Sócia diretora da Mutopo e Luis Shaffer, Empresário no ramo de tecnologia e Investidor de algumas empresas de tecnologia.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

O júri afirmou que foi difícil tomar a decisão devido a qualidade e maturidade das ideias apresentadas e Viviane Duarte conta que foi levado em conta a validação, como a ideia foi implementada e pesquisada em campo, design, criatividade e monetização.

O primeiro lugar garantiu duas vagas da Plug N’ Work, coworking durante 1 mês para dois membros do grupo, 1 kit Intel, 3 horas de consultoria com a stratlab e uma entrada para o CASE, maior conferência anual de empreendedorismo e startups da América Latina. O segundo e terceiro lugar, kit Intel e uma entrada no CASE.

Em primeiro lugar ficou a UP2You, uma plataforma dedicada a intermediar e facilitar a exportação de pequenas e médias empresas brasileiras para a região do Mercosul. Em segundo, a Helpers, uma plataforma que ajuda refugiados a encontrar trabalhos dignos no Brasil e em terceiro a Cobaia, uma plataforma que conecta fotógrafos recém formados que precisam praticar o que aprenderam com aqueles que precisam dos serviços, mas não têm condições de pagar os preços dos profissionais experientes do mercado.

O time da UP2You conversou com o Startupi e se mostrou muito animado com o resultado. Lilian Yumi, a idealizadora da ideia, contou que decidiu participar do evento depois de ouvir de Ana Fontes, Fundadora da Rede Mulher Empreendedora, que seria um bom negócio e que traria bons resultados.

Time UP2You

Time UP2You

Soraya Isliker, Juliana Aires, Karen Ikeda e Surzhana Bayaskhalanova, também estavam participando do evento pela primeira vez e se identificaram de cara com a ideia da Lilian formando então, o time UP2You.

Juliana Aires, foi a responsável pela apresentação do Pitch e contou que se surpreendeu com o evento. “Eu esperava vir aqui e assistir palestras, mas quando vi, estava começando a construir uma empresa de verdade”. Um fato curioso é que Surzhana Bayaskhalanova, não é do Brasil, mas da Russia e o Startup Weekend Women foi primeiro evento que ela participou aqui no Brasil. Ela gostou muito dessa experiência, de conhecer pessoas e acredita que os brasileiros são muito criativos.

Elas afirmam que parte fundamental dessa vitória foi a mentoria e o engajamento do time. “Sem a mentoria nós não conseguiríamos ter finalizado o projeto, os mentores não deixam você desistir, te inspiram e fazem você pensar fora da caixa, isso foi essencial. O plano a partir de agora é tornar o modelo de negócio real e acreditem, elas já tem duas reuniões marcadas com aceleradoras.

Duas equipes receberam menção honrosa: Ciclo Riders, um aplicativo que aproxima ciclistas que estejam próximos para pedalarem juntos e MobPet, uma plataforma de e-commerce que oferece móveis com design, feitos especialmente para quem tem pet.

Fernanda Nascimento, Diretora de Desenvolvimento de Negócios da Rede Mulher Empreendedora e uma das organizadoras, afirma que o grande prêmio do Startup Weekend Women acaba sendo todo o processo e aprendizado que elas adquirem durante as 54 horas. “Com certeza nos próximos dias as pessoas que participaram vão pensar nas coisas que aprenderam durante o evento e conseguir aplicar efetivamente o aprendizado em prática. Esse processo é muito rico e com isso a organização se sente com a sensação de dever cumprido”.