*Por Pierre Schürmann

Desde a minha volta ao marcado depois de 2 anos de sabático, muitas pessoas vem me perguntando sobre como fazer investimentos anjo em startups.

Com o objetivo de responder algumas das dúvidas que a maioria das pessoas tem, e passar minha visão de investimento, compartilho aqui minha experiência, na esperança que permita que outros não cometam os mesmos erros que eu cometi.

É importante deixar claro que não me considero um especialista em investimento anjo e que estas dicas não são uma recomendação de investimento, mas apenas o que aprendi investindo em mais de 40 startups desde 2000.

1) Não faça (só) pelo dinheiro

O investimento anjo em startups é uma forma de você ajudar novos empreendedores a viabilizarem suas idéias. Ele tem o potencial de transformar o mundo e ajudar o Brasil através da criação de novos empregos, inovação tecnológica e geração de riqueza. Lembre-se disso quando estiver olhando novas idéias para investir.

2) Engatinhe antes de correr

Converso com muita gente que tem de R$100 mil a R$500 mil para investir e querem começar investindo metade do capital disponível na primeira oportunidade. Calma! Comece investindo pouco (entre R$20 mil a R$ 30 mil), para aprender como funciona e se é algo que realmente quer fazer.

3) Somente invista dinheiro que você possa perder sem lhe afetar

Investimento anjo é como investir em opções de ação. E tudo que tem alto potencial de retorno traz consigo alto risco. Isso significa que, na média, suas chances de recuperar seu dinheiro são muito baixas.

Além disso, o tempo de maturação de um investimento anjo no Brasil é muito mais longo que nos Estados Unidos, o que significa que provavelmente vai ter que esperar de 7 a 10 anos para ter um retorno no seu capital.

Por isso, invista menos de 5% do seu patrimônio líquido e somente dinheiro que você não vai precisar a curto prazo.

4) As chances de você achar um Google ou um Facebook no Brasil são menores do que a de ganhar na loteria

Basta ver esta pesquisa da Atomico, que mostra as startups criadas desde 2003 e que hoje valem mais que U$ 1 bilhão, para notar que não tem nenhuma empresa na América Latina.

Como referência, o Google e o Facebook valem U$351 e U$217 bilhões respectivamente hoje. Ainda não entramos no “clube dos unicórnios”.

5) Invista o mínimo que puder no maior número de startups possíveis

Sei que esta é uma estratégia que muita gente discorda. E por muitos anos vem se debatendo sobre qual a melhor estratégia para reduzir seus riscos e melhorar as chances de retorno.

Somente recentemente, graças a pesquisa do Kauffman Foundation com Alex de Padre, conseguimos a resposta, que tirou muito do “achismo” do negócio. E contra fatos não há argumentos!

Espaço Investidores - 7 dicas de como investir em startups

6) Sempre que possível tente co-investir

Como é preciso investir em muitas startups para se mitigar o risco e melhorar a chance de retorno, mas o capital deveria ser limitado a, no máximo 5% do seu patrimônio líquido, uma forma de permitir que seu dinheiro vá mais longe é co-investindo com outras pessoas.

Hoje já existem plataformas, como a Broota (aonde eu e o @joaokepler criamos um sindicato) que lhe permitem fazer isso. Outro caminho, que lhe trará conhecimento e networking, além das oportunidades de investimento, é se associar à Anjos do Brasil.

7) As chances de você estar certo sobre o que acha uma boa idéia é muito baixa

Por ser empreendedor e já ter começado e vendido três empresas, além de estudar muito, por um bom tempo acreditei que sabia identificar boas idéias melhor que a maioria das pessoas. Porém os anos me ensinaram o que muitos grandes investidores já sabem:

“As boas idéias nem sempre parecem boas idéias. Se fossem, alguém já as teria feito” Paul Graham, Y Combinator.

Faça seu investimento com base nos empreendedores e na capacidade que tenham para tirar o negócio do zero.


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Empreendedor e investidor em startups há mais de 20 anos. Desde que iniciou sua carreira empreendedora, já participou da criação de 6 empresas, 4 das quais foram adquiridas. Já investiu em mais de 40 startups desde 2000. Hoje é investidor ativo em startups através da Bossa Nova Investimentos.