O Vale do Silício é o maior hub de tecnologia e inovação do mundo. São de lá as maiores e mais importantes empresas de tecnologia, como Apple, Facebook e Google. O que acontece nesta região norte-americana que faz com que tantos profissionais tenham sucesso por lá?

Para entender como pensam e agem os profissionais de internet e marketing digital, agências de comunicação, startups e empreendedores de tecnologia do Vale do Silício, identificar desafios e oportunidades para internacionalizar um negócio e identificar parceiros ou potenciais clientes e investidores no mercado internacional é que acontecerá a  Silicon Valley Digital Mission 2015, entre 30 de novembro e 4 de dezembro. Um evento organizado pela  Digitalks – empresa do Grupo iMasters – e pelo STARTUPI, produzido pela Beats Brasil.

Serão cinco dias com visitas, reuniões e conferências com a participação de players globais como, Salesforce.com, Google, Stanford, entre outros. Com certeza os participantes terão inúmeras possibilidades de networking, aprendizado e negócios.

São Francisco

Foto: Divulgação

Martha Gabriel, engenheira com pós graduação em Marketing e Design, e autora do livro Marketing na Era Digital, que também participará da missão para agregar conhecimento e compartilhar experiências, falou como o Startupi sobre as mais importantes qualidades de um empreendedor de sucesso e como alcançá-las.

Há mais de 20 anos ela participa frequentemente de eventos no exterior, tanto para palestrar, quanto para estudar. No ano passado, por exemplo, ela participou do The Future of Storytelling em Nova York em que no primeiro dia aconteceu o evento com palestras e workshops e no dia seguinte, realizou visitas educativas a várias agências digitais de ponta como o Google Creative Lab.

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Martha também é, consultora, professora, pesquisadora e artista com mestrado e doutorado em artes. E além de tudo isso, com certeza pode ser considerada uma empreendedora de sucesso. Conheça abaixo um pouco mais sobre sua jornada empreendedora e saber suas expectativas para a Missão!

O que é empreender?

Para Martha empreender é o movimento gerado pela insatisfação com a situação atual, que nos leva a buscar novos caminhos e soluções – é a força motriz da evolução da humanidade. “Tudo o que o homem construiu no mundo até hoje é resultado de um ato inicial de empreendedorismo – fogo, carro, avião, computador, etc. Sem empreender, o homem estaria ainda vivendo em cavernas”. Ela acredita que empreender é toda ação na tentativa de mudança para progredir, por isso, o empreendedorismo é a essência da inovação, que busca criar valor no mundo.

O empreendedorismo é a alavanca que transforma o potencial latente da criatividade em inovação efetiva aplicada. No entanto, Martha ressalta que toda inovação é resultado do empreendedorismo, mas nem todo empreendedorismo resulta em inovação. “O risco é inerente ao processo de empreender e onde existe risco, existem também erros e fracassos” Portanto, empreender tem sempre duas faces: a insatisfação com o status-quo e o risco da mudança. Por isso, Martha afirma que normalmente o empreendedorismo acontece quando a motivação pela mudança é maior do que o medo dos seus riscos.

E como para empreender existem desafios, Martha compartilhou que o seu grande desafio era a gestão dos negócios e, por isso, ela valoriza muito gestores que mantém o negócio rodando. “Eu sou atraída pelo novo, pelo desafio, pelo risco e pela experiência diferente. No entanto, depois que consigo realizar aquilo que me desafiava, fico entediada e tenho dificuldade em me satisfazer com a rotina de manter o negócio e então, já busco o novo outra vez – o meu norte é o novo, é isso que me motiva.

No entanto, a sustentabilidade do negócio depende da sua manutenção, geração de valor e continuidade: depende da sua gestão, não da sua criação ou apenas de suas conquista” conta Martha. Para solucionar esse problema, ela conta com ótimos gestores que trabalham complementando o seu perfil e suas debilidades. “Essa é a maravilha da entidade “empresa” – nós, como seres humanos somos limitados em nosso próprio potencial e nossas deficiências, mas como empresas, podemos virtualmente ampliar infinitamente esse potencial e diminuir drasticamente as deficiências, por meio de colaboração e integração de habilidades humanas” contou Martha.

O que significa inovar?

Sobre Inovação, Martha afirma que tudo não passa do resultado de uma AÇÃO que transforma algo em NOVO, gerando VALOR para algum público específico. ”É muito interessante como o termo “inovação” é extremamente mal interpretado. Muitos pensam que inovar é fazer algo totalmente novo, disruptivo, que não existia anteriormente. No entanto, inovar pode ser pequenas ações que causam pequenas transformações (tornando novo) e que gerem algum resultado que crie valor para alguém”. Por exemplo, se um funcionário de uma empresa resolve se demitir e montar uma loja de doces, isso é uma ação de inovação, pois tende a gerar valor para essa pessoa e os públicos envolvidos, mesmo que o ato de se demitir de uma empresa e montar uma loja de doces não seja nenhuma ação inédita e super criativa, ou mesmo, muito complexa. Inovação tem a ver com geração de valor por meio de uma nova ação (que pode ser produto, processo, modelo de negócios, etc.) e não com ineditismo. Assim, qualquer pessoa ou empresa, por menor que seja, tem o potencial de inovar sempre.

É isso mesmo! Ela não acredita que inovação está ligada a tamanho, mas sim a educação e cultura. Tanto que existem pequenas empresas que são muito mais inovadoras que outras grandes – as startups são a prova disso. “Penso que a única forma de inovar, sendo pequeno ou não, é se educando e criando uma cultura de inovação. Estive recentemente no EmTech Digital do MIT e uma das questões discutidas era justamente porque alguns países são mais inovadores do que outros, sendo que muitos países têm acesso aos mesmos recursos e tecnologias e que têm o potencial de alavancar a inovação. A conclusão é que onde existem pessoas mais educadas (que são mais bem preparadas para saber como tirar proveito do que o ambiente apresenta) em locais que possuem cultura de inovação em seu DNA (empresas como Google, Facebook, Apple, 3M, GE, etc., ou países e regiões, como Alemanha, Vale do Silício, Israel, Cingapura, etc.), a inovação acontece. Por outro lado, em locais em que não existe educação e cultura de inovação, o processo de inovar é muito mais difícil e lento. Essa mesma relação pode ser aplicada nas empresas – aquelas que possuem hoje o melhor capital humano e desenvolvem uma cultura de inovação têm maior probabilidade de inovar do que aquelas que não têm isso. O Disney ensina que Cultura=Comportamento; Comportamento=Resultados; portanto, Cultura=Resultados”.

Martha destaca que hoje um dos grandes problemas em relação à inovação no Brasil, é que não temos, de modo geral, uma educação de excelência e nem um processo educativo que desenvolva uma cultura de inovação. “Como diz Clemente da Nóbrega, Fundador da INNOVATRIX – o Brasil não possui um sistema operacional que favoreça a inovação – Assim, creio que para termos empresas inovadoras, precisamos educar e nos desenvolver para isso” afirma Martha.

Como alcançar o sucesso?

Sobre a importância da capacitação e aprendizagem, Martha Acredita que existem 4 P’s para o sucesso empreendedor: Propósito (objetivo), Preparo (educação), Planejamento (método) e Persistência (resiliência). “Sem propósito, não existe razão para empreender – é do propósito que nasce qualquer ação empreendedora. No entanto, não adianta ter apenas propósito – é preciso preparo (educação) para transformar o propósito em planejamento (método) adequado para colocá-lo em ação que gere resultados. Por outro lado, sabemos que não existe empreendedorismo sem riscos e sem problemas: eles são partes integrantes de qualquer empreendimento novo. Para superar os riscos e obstáculos, é necessário Persistência (resiliência)”.

No entanto, é interessante ressaltar, que o mundo está ficando cada vez mais complexo e nesse cenário, torna-se cada vez mais fácil ter Propósitos do que conseguirmos os demais P’s. “Ambientes complexos, como o mundo hoje, são repletos de estímulos que fomentam ideias e propósitos, no entanto, a complexidade crescente traz consigo uma multiplicidade de disciplinas necessárias para se implementar soluções (Preparo e Planejamento), fazendo com que precisemos cada vez mais buscar colaboração para conseguir empreender com sucesso”. A colaboração também favorece a Persistência para se fazer os ajustes necessários nos demais P’s, conforme o processo evolui.

Portanto, como ela mencionou anteriormente, para empreender é necessário sentir uma insatisfação com o status-quo, que gera um desconforto e nos motiva a agir para criar uma solução que nos leve para uma situação melhor. A melhor maneira de enxergarmos a nossa situação, o nosso status-quo, é por meio da comparação – quando nos deparamos com outros seres, instituições e culturas que vivem uma realidade distinta e possuem valores distintos.

Essas diferenças dão origem à insatisfação que fomenta o empreendedorismo.  Por isso, participar de um programa como o Silicon Valley Digital Mission  é tão importante. “Nesse sentido, penso que não existe melhor maneira de “enxergarmos” isso rapidamente do que em uma viagem em que podemos observar, sentir e comparar processos e valores em diversas empresas e associar essas experiências a um evento estado-da-arte em que se discute conceitos e métodos”, finaliza.

Para mais informações sobre a Missão, clique aqui.