* Por André Krummenauer

Quem tem mais facilidade para enxergar a “metade do copo cheia” sabe que períodos conturbados para a economia podem não só separar o joio do trigo – em relação à relevância e sustentabilidade dos negócios – mas sobretudo fomentar a conexão entre os pares por uma questão de pura sobrevivência. Neste contexto adverso, é preciso compreender que também podemos encontrar oportunidades para crescer e virar o jogo da economia. É o que fazem as scale-ups, empresas que se destacam pelo crescimento de alto impacto (20% ao ano, nos últimos três anos), que apesar de representar apenas 1% das organizações do país, são responsáveis por quase 60% dos novos empregos que surgem no Brasil.

Os dados acima foram apresentados pelo estudo “Scale-ups no Brasil”, da Endeavor, que mostra a relevância destas empresas para a economia no país. Na Involves, vivenciamos diariamente o que é ser uma scale-up e, por isso, podemos indicar os principais caminhos e desafios para o sucesso de uma organização com esse perfil. A geração de emprego é sem dúvidas um dos aspectos mais marcantes de uma scale-up, que pode criar até 100 empregos a mais por ano do que uma empresa “comum”. Em menos de 12 meses, demos um salto no número de colaboradores: começamos com 30 e agora já são quase 70. Com isso, construímos um ciclo virtuoso, ou seja, somos mais produtivos, faturamos mais, recolhemos mais tributos e ajudamos a movimentar a economia.

A simples geração de emprego, contudo, não garante de forma automática o aumento da produtividade. Aliás, o crescimento desordenado de uma empresa e a contratação de novos colaboradores sem o devido alinhamento podem prejudicar a manutenção e propagação da cultura organizacional e, neste caso, a expansão pode ser quase um tiro no pé. Por isso, é possível afirmar que o sucesso de uma scale-up está intimamente relacionado à gestão de pessoas e ao fortalecimento da cultura organizacional. É fundamental que os valores da empresa sejam vivenciados diariamente por todo o time, em cada decisão, em cada reunião, em cada acontecimento; e que não sejam meramente frases de impacto a serem emolduradas na parede.

Outro fator fundamental que nos faz estar neste grupo seleto foi a inovação que levamos ao nosso mercado e o consequente aumento na competitividade dos nossos clientes. A tecnologia desenvolvida aqui foi disruptiva na forma de gerenciar trade marketing no Brasil e o casamento da inovação com a especialização, com base em modelo de negócio consolidado, fez nosso faturamento duplicar a cada ano, a partir de 2010. Em 2014 aumentamos 2,5 vezes. Em 2015 queremos triplicar e, diante desta meta audaciosa, focamos na consolidação de processos organizacionais para acompanhar o rápido crescimento da empresa.

Sendo assim, apesar do contexto econômico desfavorável, acreditamos no poder da conexão entre as scale-ups como um caminho para superar a crise. Ou seja, nunca o velho ditado “duas cabeças pensam melhor do que uma” fez tanto sentido, pois precisamos de gerar reflexão sobre o conhecimento compartilhado. Percebemos isso durante o Programa de Apoio a Empreendedores de Alto Impacto, promovido pela Endeavor e pelo Sebrae, e vivemos essa máxima todos os dias na Involves. As decisões estratégicas devem ser tomadas em conjunto, o que enriquece o debate e torna a ação muito mais assertiva. Baseados nesta prerrogativa, incentivamos também a atuação de intraempreendedores na empresa, que desempenham um um papel imprescindível para escalarmos nosso negócio. É, assim, com o esforço de ponta a ponta na organização, as scale-ups estão se tornando cada vez mais relevantes no cenário econômico e na geração de empregos qualificados no país.

Foto: Equipe da Involves/Divulgação

André Krummenauer é administrador na Involves