Durante o evento SmartCamp IBM 2015, o Startupi acompanhou uma palestra sobre inovação com Mario Fioretti, Designer Sócio da Caleidoscopio I DIP e mentor de startups com 30 anos de experiência no mercado corporativo.

Foto: Fernanda Santos

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Em um mundo onde se fala tanto em inovação, Mario questionou a plateia o porquê de inovar.
Para começar, tudo se transforma e inova. Você se lembra da fita cassete? Então, sua inovação foi o DVD player, que sintetizou tudo em um CD plástico. Depois surgiu o Blue Ray, que foi mais uma inovação. Até ai tudo bem, mas de repente chegou o Netflix, interrompendo toda essa revolução, trazendo exatamente o que o consumidor quer: entretenimento! As pessoas não querem ter que rebobinar uma fita ou sair de casa para devolver um DVD.

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Portanto, “a receita do sucesso é ter foco no usuário final, usando a tecnologia para entregar um benefício”, afirma Mario.

Assim como o Netflix, existem muitos outros exemplos, A Zip Car, WhatsApp e o Uber. Mario afirma que a compreensão do benefício é a chave do sucesso para qualquer inovação.

Você sabe quem é o maior concorrente da lavadora Brastemp? Não, não é a Eletrolux! Hoje seu maior concorrente é um aplicativo que busca a roupa suja na casa do cliente e entrega à noite lavada e passada. Hoje o consumidor não quer máquina, nem lavar roupa, ele quer roupa limpa e por isso, essa solução ganhou o consumidor.

Empresas como a Netflix, Uber e WhatsApp, as startups possuem as seguintes características:

  • São ágeis e com estruturas leves
  • Ousadas, aceitam o risco
  • Conhecem o terreno e experimentam sempre
  • Poucos recursos, carentes de tudo
  • Geralmente visionários

As Startups são visionárias, estão realmente fazendo acontecer e estão lutando por um espaço que hoje ainda pertence às grandes empresas. Exemplos de startups visionárias não faltam, podemos citar o WhatsApp, uma empresa fundada em 2009 com apenas 55 funcionários e que foi vendida por US$19 bi e também o  Alibaba, fudado em 1999 e que vale hoje US$230 bi, ou seja, a empresa é mais valiosa do que a P&G, Amazon, Facebook e Ebay. “Esse é valor que tem a inteligência e compreensão sobre o benefício que você está entregando para o seu cliente final” Mario Fioretti.

Já as grandes estruturas são complexas, tem aversão a riscos, são cuidadosas ao atuar em campos desconhecidos, possuem muitos recursos e alta tecnologia, mas geralmente são conservadoras e pouco flexíveis.

As grandes corporações estão reagindo a esse movimento das startups buscando novas soluções. A Samsung, por exemplo, criou o Samsung Venture Investment, uma empresa de capital de risco que investe em novas empresas e também oferece apoio de gestão, assistência técnica e registo de mercado. A Telefônica também criou a Wayra, iniciativa global para apoio e promoção de startups tecnológicas.  Outro exemplo é a Wolksvagen, que decidiu entrar para o mercado de car sharing e se diferenciar dos concorrentes existentes levando em conta a conveniência e a confiabilidade, que poderiam ser fornecidos devido ao seu tamanho e alcance. Muitos clubes já estabelecidos costumam deixar seus clientes na mão ao não ter carros disponíveis em horários de pico. O clube da Volkswagen, Quicar, tem a capacidade de proporcionar estações com grande quantidade de veículos, permitindo que os clientes reservem um carro em apenas cinco minutos. Em horários de pico, o Quicar pode facilmente repor os estoques e aumentar ainda mais o volume de carros a disposição dos clientes.

Este projeto da Volkswagen é um exemplo da Inovação atuando dentro de uma grande companhia: sai o lucro por produção em escala, entra o lucro gerado pela prestação de serviços. Se, num futuro breve, uma parte de seus clientes não desejar mais possuir carro próprio, a fabricante se antecede e busca uma maneira que a permita continuar a servi-los.

A inovação está, portanto, no fato da empresa buscar um novo modelo para competir num mundo que acena para maneiras disruptivas de pensar. “No futuro, ao invés de entregar produtos, vamos entregar serviços”, afirma Mario.

A Whirlpool Latin America, dona das marcas Brastemp e Consul, é mais um exemplo que passou de vender um produto para alugar o produto. A empresa entrou na categoria de purificadores de água em 2003, com o lançamento do modelo Brastemp por assinatura.

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O conceito, pioneiro no mercado brasileiro, oferece o pacote de serviços completo que contempla: instalação, manutenção preventiva a cada seis meses, reparo, visitas técnicas, troca do refil e logística reversa, sem custo adicional. Em 2014, a Whirlpool lançou um novo modelo de negócio baseado em franquias do modelo de assinatura dos purificadores Brastemp.

A empresa também lançou a B.blend, primeira plataforma de bebidas em cápsulas que veio para revolucionar a experiência de consumir bebidas em casa. Ela prepara mais de 20 sabores de bebidas entre elas água, chás, cafés, energéticos e refrigerantes.

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Ou seja, a Brastemp passou da geladeira para o filtro, e novamente mudou o seu modelo de negócio, entrando para o mercado de bebidas, em que ela nunca esteve antes. Hoje ela possui um mercado rentável fruto do trabalho de inovação e um resultado diferente dos seus competidores.

Então, respondendo a pergunta inicial de por que inovar, a resposta é simples: para gerar competitividade. O mais desafiante disso tudo é a comoditizacão da tecnologia. A palavra comoditização vem da palavra inglesa “commodity”. Em uma definição clara, significa dizer, que aos olhos de um cliente não há diferença entre o produto A, B ou C. Se não existe diferença para o cliente, o mesmo certamente irá escolher aquele que lhe ofereça o menor preço ou a melhor oferta.

Um exemplo disso são as automotivas, todas oferecem automóveis com motor flex, direção hidráulica, transmissão automática, freios ABS, então o que ela precisa para ser diferente? O carro Elantra da Hyundai tinha todos os componentes dos seus concorrentes, mas não alcançava os mesmos números de vendas. Então a Hyundai decidiu investir em design e há 10 anos seu cenário mudou completamente e seu número de vendas só aumentou.

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Outro exemplo é a Tesla Motors, que desenvolve e vende veículos elétricos de alta performance, ou seja, se tornou tradutor de uma nova tecnologia.

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Já os smartphones, todos tiram foto, fazem vídeo, tem internet, então por que uma pessoa prefere um Iphone do que outro aparelho? Por que ele se diferenciou no design, criou uma ideia de status, e um ecossistema com o mesmo conceito de qualidade, o iCloud, iPad, iMac e suas lojas físicas.

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O Google fez o mesmo e também criou o seu ecossistema de serviços e produtos.

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Quando você entra em uma loja de eletrodoméstico é sempre tudo igual. Pensando nisso, a Brastemp criou uma ação chamada Brastemp You, onde você podia customizar e escolher as cores da sua geladeira.

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É preciso saber utilizar o design como ferramenta de competitividade. Para se ter ideia, o frigobar da Brastemp estava parado e ninguém comprava. A partir daí, eles decidiram lançar uma linha retrô, que fez com que as vendas explodissem.

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Também é muito importante operar o comércio eletrônico, pois o futuro será digital, quanto mais você trabalhar em cima disso, mais você terá competitividade no mercado.

Segundo Mario, para ser inovador é preciso estar ligado aos 4 pilares: tecnologia, serviços, business e designs de serviço. São essas competências que levam sua marca para outro nível. “É preciso se reinventar a cada dia, a cada ação, você precisa estar sempre buscando inovação”.

Ele afirma que temos uma nova matriz de competitividade, que passa de produtos individuais para serviços e negócios que construam um relacionamento com os clientes. “Novos modelos de negocio, com novos relacionamentos, é isso que vai fazer a diferença daqui pra frente”, finaliza.