* Por Exame.com

Que tal trabalhar com algo que você faz por prazer? Os sete empreendedores abaixo fizeram exatamente isso, e nos contaram como conseguiram transformar em negócio algo que antes era apenas um hobby.

Dentre as histórias, há casos de quem estava infeliz na carreira viu no hobby a possibilidade de um trabalho mais motivador. Para outros, a transformação do passatempo em negócio ocorreu quase por acaso. De um jeito ou de outro, todos são unânimes num ponto: trabalhar fica muito mais interessante quando você faz algo que gosta.

Conheça a trajetória destes empreendedores:

CineMaterna

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Cinema sempre foi uma paixão para Irene Nagashima. “Eu estava em todas as mostras, ia ao cinema de duas a três vezes por semana”, conta. Até que ela virou mãe do Max e, com um bebê pequeno no colo, se viu privada de seu principal passatempo.

“Meu filho mamava no peito, e eu não tinha babá”, lembra. “Desabafei com outras mães, e uma delas propôs de irmos a uma sessão junto com os bebês. Foi maravilhoso.” O encontro foi em 2008, e marcou o início de uma nova relação entre maternidade e cinema para ela. Irene se uniu a outras mães e começou a “invadir” salas de cinema no período da tarde, em São Paulo. “Íamos toda semana”, lembra a ex-consultora de Recursos Humanos.

Os encontros ocorreram durante seis meses, até que Irene se viu diante de um dilema. “Ou eu abandonava os encontros para voltar a trabalhar, ou eu assumia aquilo como um trabalho. Foi o que aconteceu.” Sete anos depois, o que era apenas um encontro de mães solitárias em São Paulo tomou outra proporção e tornou-se uma ONG presente em 38 cidades do país.

Além de Irene e sua sócia Taís Viana, a ONG emprega hoje outras oito mulheres e conta com o trabalho voluntário de cerca de 250 mães. Todas as funcionárias da entidade têm filhos e trabalham de casa, para poderem estar mais perto dos pequenos. O CineMaterna não divulga seu faturamento.

Omelete

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Durante seis anos, o designer Érico Borgo, 39 anos, teve dois empregos: um deles pagava as contas do mês, o outro bancava o projeto dos seus sonhos – o site Omelete, especializado em quadrinhos, games, cinema e o que mais couber no que muitos chamam de “cultura nerd”.

Nos idos de 1999, o site era apenas uma ideia (quase) fracassada de ganhar dinheiro com o boom da internet. Hoje, é uma das principais referência do mundo pop no Brasil, com nada menos que 6 milhões de acessos por mês, e outros braços como o evento Comic Con Experience e a loja Mundo Geek.

“Eu já estava apaixonado pelo site e fiz dele meu terceiro emprego. Mantivemos o projeto durante seis anos numa dedicação diária, trabalhando de madrugada. Era um trabalho que exigia muita dedicação”, lembra. Hoje, a empresa emprega cerca de 50 pessoas e teve um faturamento de 14 milhões no ano passado.

Casal Sem Vergonha

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Insatisfeitos com suas profissões, o publicitário Emerson Viegas, 32 anos, e a tradutora Jaqueline dos Santos Barbosa, 26 anos, resolveram ganhar dinheiro com algo que interessa a todos: sexo.

Viegas conta que era o conselheiro oficial de seus amigos, e sempre se interessou em ler sobre relacionamentos, vida sexual e novas formas de viver a dois. “Me interesso por autores como Regina Navarro, Flávio Gikovate e pelo mestre indiano Osho”, conta.

Há pouco mais de cinco anos, ele e a namorada decidiram escrever um livro sobre o assunto. “Desistimos quando percebemos que, com um livro, ia demorar muito para termos certeza de que aquilo alcançaria as pessoas”, lembra. Foi então que nasceu a ideia de um espaço na internet que falasse sobre os temas “tabus”.

Assim nasceu o site Casal Sem Vergonha, em 2010. Com a promessa de tratar de sexo de forma irreverente, o site tem textos como “Atrizes pornôs dão aula de como mandar bem no sexo oral” ou “O que aconteceu quando decidi encarar um curso de massagem tântrica”.

Hoje, a empresa tem outros dois endereços na web: o Nômades Digitais, sobre viagens e tecnologia, e o Hypeness, sobre inovação. Todos os espaços falam de temas de interesse do casal empreendedor. Juntos, os três sites somam cerca de 10 milhões de usuários por mês, e geraram um faturamento de 2,5 milhões de reais em 2014.

Korova

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Quando começou a produzir camisetas estampadas, há 12 anos, tudo o que o publicitário Rafael D’Ávila queria era se vestir bem. Ele conta que trabalhou durante cerca de três anos como vendedor em lojas de marcas como Triton e Colcci. Com isso, conseguia as peças dessas marcas por preços bem mais acessíveis.

“Quando parei de vender, queria continuar me vestindo bem, mas não tinha dinheiro para comprar aquelas roupas”, lembra D’Ávila, que está com 33 anos. A solução foi simples: ele passou a fazer as próprias peças. D’Ávila criava as estampas de suas camisetas e mandava fazê-las numa estamparia perto de sua casa, em Florianópolis (SC). Para conseguir pagar pela produção, vendia algumas peças aos amigos da faculdade.

Logo a marca de D’Ávila começou a aparecer em lojas multimarcas e a vender pela internet. “Começamos na internet numa época em que e-commerce no Brasil vendia praticamente só eletrônicos. De certa forma, fomos pioneiros”, afirma. Hoje, a Korova é a queridinha de famosos como a cantora Anitta, que já apareceu na TV exibindo a marca.

Com cerca de 40 funcionários, 3 lojas próprias e 2 franquias – uma em Curitiba e outra recém-aberta em São Paulo –, a Korova tem dobrado seu faturamento nos últimos sete anos. A empresa, porém, não divulga valores. Agora, a marca se prepara para inaugurar sua fábrica e aposta na expansão via franqueados.

Dr. Shape

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O advogado Paulo Cesar Fernandes, 47 anos, nunca se envolveu muito com sua profissão, mas sempre adorou praticar atividade física. “Sou faixa preta no judô, ando de bicicleta e pratico musculação”, conta. Para dar conta de tantos exercícios, Fernandes consome suplementos alimentares desde a época em que eles não eram muito conhecidos aqui no Brasil. “As pessoas achavam que eu tomava bomba”, lembra.

Aos 34 anos, numa tentativa de encontrar um trabalho em que se sentisse mais realizado, Fernandes abriu uma loja de suplementos no centro de São Paulo. “Era um box de 2 metros por 1. Hoje vamos para 300 metros quadrados”, comemora o empresário.

A Dr. Shape hoje tem 21 lojas franqueadas e ampliou sua gama de produtos. “O carro chefe são os suplementos, mas vendemos luvas, pesos, acessórios para crossfit, quimonos etc”, diz. Para Fernandes, que nunca abandonou os exercícios físicos, “é uma alegria poder unir o útil ao agradável”.

“Eu sentia que, na carreira jurídica, eu mesmo limitava minha evolução. Quando você trabalha pra uma empresa, tem que defender os interesses dela, e nem sempre esses interesses são os mesmos que os seus. Agora não tenho mais aquela tristeza no domingo à noite, não tenho aquele sentimento de ‘hoje é segunda-feira’”, resume o empresário.

Mr. Cheney

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O negócio de Lindolfo Paiva, 50 anos, nasceu da união entre o gosto pela cozinha e uma amizade internacional. Paiva estava numa missão da igreja mórmon no Sul do país, quando conheceu o americano Jay Cheney. Os dois se tornaram grandes amigos, e Cheney ensinou ao brasileiro uma valiosa receita de cookies americanos.

Amantes da cozinha, Paiva e sua esposa Elida passaram a preparar o doce para a família e os amigos. Imediatamente, os cookies se tornaram um sucesso. “Os elogios eram muitos, as pessoas pediam para fazermos de novo, tinha até gente que queria comprar. Aí percebemos que era uma oportunidade interessante”, conta o empreendedor.

A primeira loja do casal foi aberta em 2005, na Casa Verde, zona norte de São Paulo. O nome: Mr. Cheney, em homenagem ao amigo americano. Enquanto Paiva cuidava da parte financeira do negócio, Elida garantia que os cookies fossem cozidos com perfeição e o toque caseiro que os define até hoje. Hoje a Mr. Cheney tem 45 lojas, sendo seis próprias, além de uma fábrica. O faturamento mensal da rede é de 2,5 milhões de reais. Agora, a Mr. Cheney quer expandir também para o exterior, começando pelos Estados Unidos, onde os cookies já são conhecidos.

Boteco da Carne

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O mineiro Leonardo Marques, 44 anos, já trabalhou em banco, na indústria farmacêutica e passou boa parte da vida como vendedor. Apesar de gostar do ofício, chegou uma hora em que ele cansou de vender. Mas de uma coisa Marques não cansava: ele sempre adorou cozinhar para os amigos e era o mestre cuca oficial dos encontros. “Eu estava em todas, era igual o dono da bola”, diverte-se.

Em meio às dúvidas profissionais, Marques resolveu ouvir um amigo. “Ele me disse: ‘Se você está insatisfeito com as vendas, e é tão bom de cozinha, que tal montarmos um restaurante?’”, lembra.

Foi assim que, em 2006, nasceu o Boteco da Carne, em Belo Horizonte, Minas Gerais. O empresário e cozinheiro admite que o início do negócio não foi fácil. “Tive problemas de gestão e fiquei mal das pernas. Também aprendi a deixar meu gosto um pouco de lado. Afinal, nem sempre o seu gosto é o mesmo do cliente”, afirma.

Marques se diz satisfeito com o trabalho nos restaurantes, mas afirma que, no fim das contas, nunca deixou de ser vendedor. “Restaurante é venda diária”, afirma. Hoje, as casas de Marques empregam 110 pessoas e servem cerca de 900 refeições por dia durante a semana – aos sábados essa conta aumenta para 1.500. O faturamento ele não revela, mas conta que deve crescer até 20% em 2015.

Por Mariana Desidério, do Exame.com