Aconteceu esta semana o Expo Fórum de Marketing Digital 2015, maior evento da Digitalks, que reuniu durante dois dias os principais palestrantes, executivos e profissionais do setor. Nesta edição o Startupi foi o organizador de um dos Seminários do evento com o tema “Negócios Digitais e Empreendedorismo”. Confira os destaques de cada uma das palestas do dia.

Criando Startups a partir de Agências Digitais

A primeira palestra do dia foi ministrada por Geraldo Santos, empreendedor e diretor-geral do Startupi.  Com o tema “Criando Startups a partir das Agências Digitais”, Geraldo falou sobre a importância das startups para mudar a forma como as empresas fazem negócio, enfatizando que a inovação criada por startups traz oportunidades para as agências de marketing criarem novos produtos ou serviços para todo o mercado, permite aumentar a competitividade e, consequentemente, visibilidade e mais vendas para a empresa. “As agências digitais, quando se juntam com startups de tecnologia podem mudar a maneira do mercado se relacionar, mudar a forma de comunicar e vender, gerando mais resultados para os clientes”, diz.

Geraldo também convidou o público a participar da Silicon Valley Digital Week Mission, missão ao Vale do Silício que acontecerá entre os dias 30 de novembro e 4 de dezembro deste ano, com visitas, reuniões, conferências, com a participação de empresas como Salesforce.com, Google, Stanford University, entre outros.

Um mundo digital com a Internet das Coisas

A palestra “Internet das Coisas (IoT): uma nova fase de oportunidades e negócios digitais” abordou o cenário atual de TI no Brasil. “A gente está em um mundo extremamente digital, um mundo onde todo mundo sabe de tudo”, explica Anderson Figueiredo, palestrante e consultor estratégico para o mercado de TIC, dizendo que o mercado deve ficar atento a esta nova realidade virtual, em que não apenas os jovens estão se inserindo no mundo digital, mas também as pessoas da terceira idade estão cada vez mais utilizando a internet. Segundo ele, o mundo do TI é movido por quatro forças: mobilidade (o motor desta revolução na tecnologia), cloud computing (o viabilizador desta tecnologia), big data (habilitador) e a rede (o alimentador, no caso, o usuário).

“Internet das Coisas se resume em pegar dados que são recebidos por máquinas ou dispositivos, seja eles quais forem, e transformá-los em informação útil”, disse Anderson e explicou como surgiu e qual a tendência da Internet das Coisas. Movimentou um total de US$ 165,6 bilhões em 2014, segundo o especialista, e é necessário entende-la e tirar dela o máximo proveito para viabilizar um negócio, captando e analisando as informações que podem trazer grande impacto para as empresas, em especial para as PMEs. “A internet traz dados estruturados, sem perder tempo sobre a informação que é coletada.”, diz.

Crowdfunding: Como captar investimentos via Internet

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Frederico Rizzo, fundador do Broota, plataforma de captação de investimento para startups, palestrou sobre “Como levantar investimentos para sua ideia ou negócio via Internet”. O empreendedor falou sobre os diferentes tipos de crowdfunding e a importância da captação inicial de recursos para startups. “Em geral os empreendedores querem fazer isso da forma mais rápida e que maximize valor e que seus preços sejam bons”, diz.

O Equity Crowdfunding, modelo que é trabalhado no Broota e significa a participação acionária na empresa pelo doador, é uma forma nova e ainda pouco conhecida pelos empreendedores e investidores, lançada a menos de um ano no Brasil. Ao todo, o crowdfunding movimentou cerca de US$ 16 bilhões ano passado, apontando que este modelo de financiamento coletivo é altamente viável, mas é necessário analisar a ideia de negócio e reconhecer se há público para investir ou não no novo empreendimento que buscará recursos.

Como transformar o perfil do Instagram em uma loja de e-commerce

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Foi sobre isto que Carlos Batalha, Fundador da GramStore, falou no evento. Ele fundou uma empresa que transforma perfis da rede social em uma vitrine para lojistas e diz que quanto mais fácil for o acesso do comprador ao produto e aos meios de pagamento, mais fácil será a relação entre este e o vendedor, transformando um e-commerce em sucesso e tirando o máximo proveito das redes sociais.

O palestrante empreendedor faz uma analogia entre o cliente do e-commerce sem estrutura e o arquétipo do herói clássico das histórias, onde o comprador enfrenta inúmeros desafios impostos pela empresa que oferece o produto (parcelas, frete, site não responsivo, dificuldades na hora da compra) para chegar finalmente ao final feliz: a finalização da compra. “Foi aí que a gente (GramStore) identificou uma oportunidade: uma plataforma que permitisse que as pessoas oferecessem uma experiência de compra melhor e que as pessoas tivessem uma experiência de compra melhor”, afirma Carlos sobre a criação da startup.

Mulheres Empreendedoras no Mundo Digital: Você quer mudar o mundo?

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A quinta palestra do dia foi ministrada por Fernanda Nascimento, especialista com mais de 20 anos de experiência em marketing estratégico, que dissertou sobre o ecossistema de startups para mulheres. “As mulheres encontram no ambiente empreendedor outras realizações”. Ela abordou também as dificuldades enfrentadas no mundo corporativo para as mulheres, mostrando a diferença entre as razões para empreender entre eles e elas. “Quero ganhar dinheiro”, eles dizem. Para elas é “quero mudar o mundo’”.

Para 41% das mulheres empreendedoras, a maior dificuldade é encontrar um cliente que prefira fechar negócios com elas em detrimento de negócios com homens. Para 35%, finalizar um plano de negócios e para 31%, conseguir maiores financiamentos. Sobre a mulher na tecnologia, Fernanda disse que há a necessidade de inclusão de empreendedoras no mercado digital, uma vez que este nicho de mercado, como e-commerce, cresce mais a cada ano. “O mundo está virando digital, está virando mobile. Se a gente ajuda a mulher empreendedora, a gente proporciona uma sociedade mais humana”, conclui.

Case Sampa Housing

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Para apresentar o case de sucesso desta startup quem palestrou foi Liliana Ferrarese, CEO da Sampa Housing, plataforma de aluguel de imóveis mobiliados, semelhante ao Airbnb, porém com um grande diferencial: a oferta de serviços. A empresa foi fundada há cinco anos e hoje tem cerca de 500 apartamentos e atende mais de 180 hóspedes por dia. Começou como um blog, o Sampa Flat Store e em dois anos se tornou o Sampa Housing.

Em 2014 a plataforma de aluguel de imóveis foi lançada e este ano a startup lançou um aplicativo, onde o usuário encontra e reserva os apartamentos oferecidos para aluguel pela empresa na região. Para Liliane, a maior barreira que a startup enfrentou no início foi o entendimento do consumidor. “Às vezes é necessário criar uma necessidade para que o consumidor descubra as vantagens do seu produto. É preciso entender o que o cliente busca para então alinhar o plano de negócio”, finaliza.

O que as agências digitais e empresas podem aprender com as startups

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Para debater o tema participaram deste painel João Kepler, investidor anjo, empresário e CEO da Show de Ingressos, uma das melhores Plataformas B2B de Internet Ticketing do Brasil e Guilherme Junqueira, diretor executivo da ABStartups e Geraldo Santos, do Startupi mediou o debate.

Para falar sobre as melhorias que podem ocorrer nas agências digitais ao se relacionarem com startups, João Kepler cita as inovações e as oportunidades que são oferecidas por estas empresas: “As agências precisam abrir seus mercados e surfar nesta onda da inovação e Inovação não é apenas tecnologia, é aproveitar as oportunidades”.

Guilherme Junqueira falou sobre o início do termo startup e os ciclos no Brasil. “As compras coletivas abriram caminho para o e-commerce no País. Agora o Brasil vive um ciclo de amadurecimento no processo de criação das startups. Hoje o mercado está muito mais fácil para empreender. Há cerca de 48 aceleradoras, mais de 3.500 startups mapeadas, só 1 mil estão em São Paulo”, completa.

Kepler falou também sobre as portas abertas no mercado de startups para os próximos empreendedores, enfatizando que estas ajudam a otimizar todos os processos de inovação do dia a dia de uma empresa digital. Para o empresário, o mercado tem que convergir e se adaptar à necessidade do cliente, desde plataforma de compra até forma de entrega para o comprador, por exemplo.

Guilherme completa, dizendo que as startups não devem temer os grandes concorrentes, porque os clientes não buscam mais “marca” quando procuram prestador de serviços, eles esperam inovação e criatividade e é isso que as grandes empresas devem aprender com as startups.  “Este é o resumo de como uma grande empresa deve se relacionar com a startup: A startup está no jet ski, ela vai mais rápido, faz curvas mais rápido, vai ser mais flexível e a grande empresa, no transatlântico, deve estar pelo menos enxergando ele, deve ter no mínimo um binóculo e perceber a presença das startups e como elas podem colaborar com o mercado corporativo” completa. Para aproximar cada vez as empresas das startups a ABSTARTUPS criou o evento Pitch.Corporate, que faz o match entre os dois mundos e coloca empreendedores com inovação na frente de compradores de tecnologia.

Redes Sociais, Startups e Oportunidades Digitais

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Este foi o tema da do último painel do dia, ministrado por Talita Lombardi, coordenadora de vendas da Movile e criadora dos blogs Menina Executiva e StartupsStars, Heavy User de redes sociais. A palestra foi sobre assertividade na hora de inovar e engajar melhor o cliente através das redes. “A gente está construindo um público muito segmentado hoje em dia”, disse, usando cases de startups que fizeram parcerias estratégicas com grandes empresas para atrair uma gama específica de usuários.

Talita também chamou atenção para um ponto importante do ecossistema empreendedor nacional: o país precisa apoiar mais as startups brasileiras, porque atualmente elas são preteridas em detrimento das startups estrangeiras. “Eu não quero que vocês saiam daqui abrindo startups, eu quero que vocês utilizem as nossas startups, porque senão a gente morre. Se a gente não passar da primeira fase (early stage), nós não conseguimos usuários”, pedindo para que o público dê preferência às nacionais e ajude a fomentar o empreendedorismo brasileiro.

O Expo Fórum de Marketing Digital teve outros Seminários paralelos sobre Mídia & Social, Tecnologia e Inovação, Performance, Brand & Content, Mobile, Varejo Show e uma Desconferência sobre temas de interesse do mercado de Marketing Digital e Mídia.