O Startupi foi conferir os dois dias do Expo Fórum de Marketing Digital 2015, organizado pela Digitalks, um dos mais importantes eventos do setor no Brasil, que reuniu os principais executivos, palestrantes, profissionais de agências digitais, marketing, mídia e comunicação durante os dias 25 e 26 de agosto em São Paulo.

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Foto: Divulgação

Foi uma ótima oportunidade para discutir desafios e oportunidades do segmento, ficar por dentro das tendências mundiais, trocar experiências e claro, fazer muito networking.

O evento contou com uma área de exposição e negócios com diversas empresas que oferecem soluções inovadoras de marketing digital além de seminários temáticos com 4 salas simultâneas com conteúdos divididos por temas, durante os dois dias.

No primeiro dia foi realizado um debate sobre a realidade do Setor Digital no Brasil atual com Essio Floridi, Internet Sales Director na Globosat, Florence Scappini, Diretora de Marketing e E-commerce da GOL, Luciana Burger, Managing Director Brazil na comScore Inc. com mediação de Cristiane Camargo, Diretora Executiva do IAB Brasil.

Foto: Fernanda Santos

Foto: Fernanda Santos

Florence destacou a importância do profissional ser multifuncional nos dias de hoje. Não basta apenas ser criativo, temos um novo ambiente que é desafiador e precisamos acompanhar essas mudanças. Florence conta que passou a se sentir ameaçada por profissionais que tinham outros conhecimentos e os mostravam nas reuniões da empresa em que trabalhava. Por isso ela buscou conhecimento em economia, além de desenvolver habilidade em outros setores, para poder se destacar e continuar a fazer parte do mercado atual. “Acredito que esse momento irá aumentar muito a profissionalização do mercado. É hora de pensar fora da caixa, sair dos antigos quadrados e rediscutir antigos padrões” garante ela.

Luciana afirma que as coisas mudaram muito principalmente nos últimos 7 anos “Antes o que importava era o layout e hoje é tudo métrica e isso é muito desafiador”. Segundo ela, ainda precisamos aprender muito e trabalhar na assertividade, o profissional que irá se destacar é aquele que é multidisciplinar e capaz de trabalhar com multiplataformas.

Essio destacou que apesar da crise política e econômica que estamos passando, trabalhar com o digital é sinônimo de oportunidade. “A tendência do digital é crescer cada vez mais, então existem diversas oportunidades”. É preciso estudar e sempre desenvolver novas habilidades. É preciso quebrar as barreiras, pois as oportunidades existem.

Gabriela Comazzetto, Diretora de Vendas de SMB do Twitter Brasil, deu uma palestra sobre o Power of Now.  Para se ter uma ideia, um estudo apresentado na Conferência “All Things D”, mostra que as pessoas desbloqueiam o celular 150 vezes por dia. Isso é uma prova de que as pessoas estão cada vez mais interagindo com dispositivos móveis e isso é uma tendência em constante crescimento.

Foto: Fernanda Santos

Foto: Fernanda Santos

Para Gabriela todo tweet é um sinal de interesse ou intenção e para as marcas, o Twitter trás o poder do agora. Não se deve esperar o Super Bowl ou uma campanha específica se temos os clientes utilizando a plataforma todos os dias.

Gabriela conta que a marca pode utilizar o dia-a-dia para interagir e impactar os usuários e clientes. Ela cita o exemplo da Hellmann’s que conversou com as milhares de pessoas que postam diariamente conteúdo relacionado a fome na rede social. A marca trazia receitas personalizadas, de maneira automática e em qualquer horário, para os usuários que tuitassem utilizando a hashtag #PreparaPraMim e os ingredientes de sua preferência ou disponíveis na geladeira.

Ao invés de apenas divulgar e tentar vender o produto é preciso cada vez mais pensar em vender uma ideia e uma experiência e existem diversas possibilidades para interagir com o público.

Segundo Gabriela é preciso estar ligado no que as pessoas estão falando na rede social e muitas vezes o assunto pode não ter a ver com o core da marca e gerar um conteúdo e uma interação bacana, como por exemplo, o caso da cor do vestido, marcas conseguiram pegar carona na brincadeira e um exemplo é foi a Fiat.

Foto: Divulgação

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Também é importante entender quem são os usuários do Twitter, por isso Gabriela compartilhou alguns dados oficiais do perfil de usuários da plataforma:

Quando segmentados por classes sociais, 12% pertenceriam a classe A, 50% a Classe B, 35% a Classe C e apenas 3% as classes D e E.

Quando segmentados por faixa etária, 42% estão na faixa dos 18-24 anos, 32% entre 25-34 anos, 16% entre 35-44 anos, 7% entre 45-54, e apenas 3% teriam 55 anos ou mais.

Por gênero, 51% são homens e 49% mulheres. Enquanto 71% trabalham e 12% são estudantes. Vale ressaltar que os adolescentes são os que mais engajados com o site.

Outro debate que aconteceu durante o fórum foi “Grandes Marcas Inovadoras discutem os desafios do Marketing Digital no Brasil e no Mundo” com Ieda Ribeiro, Customer Experience Relationship Manager da Microsoft, Lais Orrico, LATAM Solutions Consultant no Linkedin, Luiz Felipe Barros, Brazil Country Manager do Viber com mediação de Edson Mackeenzy do iMasters.

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Foto: Fernanda Santos

Ieda contou que o grande desafio hoje, muito mais do que a quantidade de dinheiro, é que apesar de existirem várias ferramentas de marketing digital é preciso entender onde está o cliente, entender suas necessidades e achar a melhor forma de conversar com ele. “Muitas vezes as pessoas acham que nas grandes empresas é mais fácil, mas não é verdade”. Ieda conta que as coisas seriam mais eficientes se as grandes empresas simplificassem, mas elas acabam tornando temas muito complexos e afirma que devemos aprender a simplificar com as pequenas empresas, assim teríamos muito mais sucesso.

Outro ponto que Ieda destaca é a inovação. Segundo ela a Microsoft nunca parou de inovar, sempre investindo em tecnologia e inovação, mas é importante ter a leitura correta do que o consumidor espera da marca.

Lais contou algumas curiosidades sobre o Linkedin, que hoje não é apenas utilizado como um currículo online e busca de emprego, mas também utilizado pelas pessoas para adquirir conhecimento. “O Linkedin vem se posicionando de uma forma diferente, pois as pessoas estão utilizando a plataforma de forma diferente” Laís conta que a ideia do Linkedin é que as pessoas e marcas criem cada vez mais conteúdo e interajam entre sí.

Luiz Felipe conta que o Viber teve dificuldade em achar o seu espaço devido aos outros concorrentes e assim tiveram que buscar outras alternativas. “Se eu chamar o Anderson Silva para uma luta, eu estou em desvantagem, mas se eu o desafiar em uma locução, pode ser que eu ganhe” afirma Luiz.  Ele conta que antes o serviço mais utilizado no Viber eram as ligações, e por isso, passaram a oferecer ligações gratuitas para os telefones fixos. Hoje o mercado já é diferente e apenas 15% do tráfico do Viber é realizado por voz, por isso eles precisam sempre inovar. “Todas as redes sociais precisam se atualizar, o Orkut, por exemplo, era o líder e o que aconteceu? Ele não se atualizou, quem não se atualiza acaba morrendo…” Felipe garante que o mercado digital é cruel.

Ele ainda cita o exemplo do sms, que também nunca se inovou e questionou a plateia quem já tinha utilizado o serviço MMS oferecido pelas operadoras. Ninguém se manifestou e ele concluiu dizendo que os aplicativos de mensagens instantâneas revolucionaram esse mercado.

Lais complementa os argumentos de Felipe dizendo que as pessoas continuam fazendo as mesmas coisas, apenas de forma diferente, como por exemplo, pegar um táxi ou assistir TV. Ela garante que a empresa para ser inovadora precisa olhar para o cliente e sair fora da caixa. Por que não foi uma concessionária que inventou o Waze? Argumenta Lais.

Outra palestra bem interessante foi com Sarah Joy-Murray da Alemanha, VP de Marketing da Sociomantic, com o tema F&^% the line! Offline? Online? Esqueça isso e foque no cliente!

Foto: Fernanda Santos

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Tudo começa com o cliente, nós não o conhecemos, não sabemos seu nome, mas queremos vender algo para ele. O que aconteceu é que o cliente tem mudado muito nos últimos anos, antes o processo de compra era muito mais simples e hoje cada vez mais o consumidor é online e mobile.

Também existem diversas novas formas de vender e Sarah destaca alguma delas:

Blogs– Hoje existem centenas de blogs que divulgam produtos e isso se tornou um novo canal de pesquisa para o consumidor. Geralmente os blogueiros utilizam os produtos e fazem resenhas, facilitando muito a vida do consumidor.

Youtube – Sim, o youtube também se tornou um canal de vendas. Existem diversas blogueiras que fazem vídeos mostrando determinados produtos e recebidos do mês.

Box que chegam na sua casa todo o mês – Mercado com tendência de crescimento, devido a comodidade para os clientes.

Máquinas de produtos – Com certeza você já se deparou com uma máquina de livros em alguma estação de metrô. Mas não são apenas livros que são comercializados por essas máquinas, hoje já existem flores, produtos de beleza e até Ipod e Iphone.

Sara contou que na China existem máquinas que através de um QRcode você pode comprar os produtos pelo seu celular e receber os produtos na sua casa.

Amaro guide shopping– Exemplo de um E-commerce que lançou uma loja física onde você pode experimentar as peças, fazer a compra, mas todo o pagamento é feito on line por tabletes espalhados na loja e você recebe sua compra no mesmo dia na sua casa.

Sarah destaca que a tecnologia está mudando tudo e hoje as pessoas se tornaram um canal de mídia.”Elas amam falar com outras pessoas, postar fotos dos produtos, comidas e lugares. As marcas precisam aprender a lidar com isso e aproveitar essa oportunidade”.  Segundo Sarah, um grande aliado das marcas é o big data, com ele você pode tornar o seu cliente individual, para entregar a mensagem certa, pelo canal certo, na hora certa para o cliente certo.

Moysés Simantob, Coordenador do CEO FGV Inovação, levantou o questionamento “Por que a criatividade na gestão importa num Brasil que vai crescer quase nada”?

O que o ecossistema está procurando? Manter seu negócio como está, sobreviver em 2015 e ver o que acontece em 2016 e 2017.  Segundo Moyses os empresários estão preocupados, pois estamos vivendo um momento de transição, onde o que existe não funciona muito bem e o que ainda está por vir também ainda não funciona muito bem. “Não conseguimos nem contar a quantidade de manifestantes na Av. Paulista, esta na hora de chegar alguém que consiga fazer isso” afirma ele.

Moyses destaca que hoje além de produtos e serviços, de expandir mercado, novas tecnologias e conectar usuários, para sobreviver na recessão é fundamental pensar em inovação na gestão, que ainda é pouco utilizada.

A chave é olhar além do negócio, olhar a organização nas relações sociais como mercados e agentes vivos do mercado e conseguir enxergar e entender as tendências que estão bombando lá fora.

Moyses destaca uma certa incoerência, já que mais da metade dos brasileiros prefere acessar a internet pelo smartphone, por que só 8% das propagandas é produzida para mobile? O que está acontecendo? Que ficha não caiu ainda?  Mais cedo ou mais tarde isso vai mudar!

Dentro das organizações, elas não estão acompanhando as mudanças que estão ocorrendo, mas não é a organização que está lenta. Se a organização não enxerga, nós não estamos enxergando essa nova realidade.

Por consequência disso, o Brasil está ocupando pelo quinto ano consecutivo a 56 posição no ranking de competitividade global. Estamos na frente apenas da Mongólia e Argentina.(Ranking GCI GLOBAL 2013 – 2014). Sem inovação na gestão não é possível atender a essa demanda de mercado, razão da nossa baixa competitividade.

Segundo Moyses, o segredo é olhar para fora. “Se você esta olhando 70% apenas para dentro do escritório e 30% para fora, seu negócio não vai dar certo”. Quando você sai e conhece o Brasil, você enxerga as diversas oportunidades de fazer negócios. “O Brasil não é aquele apresentado pelo Bonner no Jornal Nacional” acrescenta Moyses.

Quando buscamos o DNA dos negócios que estão dando certo, não tem muito segredo, eles lideram o escritório, alinham e acima de tudo, inovam. Segundo ele poucas pessoas estão adotando as oportunidades que estão disponíveis. Moyses garante que é fundamental mergulhar no HCD, Human Centered Design, todo design de nova solução é focado no cliente.

“As organizações devem focar nos 5FS, focus, fast, flexible, friendly (partners) and fun (satisfying work)”.

Moyses finaliza sua palestra deixando o recado de que precisamos de menos inovação e mais inovadores. Precisamos de mais profissionais para lidar com os desafios do dia a dia.

Ouali Benmeziane, CEO do Webcongress, destaca a importância de estarmos prontos para fazer marketing em 2015. “Estamos em uma nova era, temos um novo canal digital. Não é sobre adaptação é sobre transformação”. Segundo ele, esse momento que estamos passando está acontecendo também na Venezuela, na Colômbia e só irá conseguir se manter no mercado as empresas que se prepararem para essa nova era.

Foto: Fernanda Santos

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Ouali destaca que as grandes empresas ainda são geridas por chefes “velhos” e por isso nos dias de hoje ainda leva algum tempo para, por exemplo, um novo budget ser aprovado.  Segundo ele no digital você é o novo chefe, essa é a sua oportunidade de mudar as coisas na empresa. Não é sobre ser inteligente, não é sobre utilizar mais dinheiro, não é um acidente é autoridade, criatividade e a prova social.

Mais do que apenas vender um produto, o digital é o entretenimento do usuário, mais experiência e venda de uma ideia.

Martha Gabriel, PhD, consultora, autora de best seller e palestrante profissional iniciou um dos momentos mais aguardados do evento, um talk show com Marcelo Tas. Martha destaca que nossa imagem no digital é feita de sombras e pegadas, sendo as pegadas conteúdo que você produz e as sombras, produzida pelo que as pessoas falam sobre você. Hoje na rede apenas 20% a 30% do conteúdo é feito de pegadas e o que os outros falam de você depende muito de como você se posiciona na rede.

Marcelo Tas afirma que nos dias de hoje tanto para o pessoal, quanto para uma marca é preciso tolerância e paciência para lidar com o público nas redes. É preciso ser verdadeiro, reconhecer seus erros e agradecer àqueles que te apontaram onde você errou. “Quando você consegue desconstruir um discurso com amor você acaba desconstruindo a pessoa”. Deixamos para trás a época do Photoshop que entregava apenas a boa imagem da empresa para o público através da propaganda, hoje cada vez mais o consumidor quer ser ouvido e esse diálogo é fundamental.

Foto: Fernanda Santos

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Outro ponto destacado é que os produtores de conteúdo não conseguem mais escolher o horário em que a pessoa vai acessar determinado conteúdo. Por isso Martha destaca que hoje todo conteúdo precisa ser interessante e que também é possível mesclar experiências interessantes com conteúdos chatos. O uso de imagens é muito importante, pois nosso cérebro processa muito mais rápido uma imagem do que texto. O vídeo também tem ganhado muita força devido a humanização que ele causa. Também é possível criar conteúdo em formato de storrytelling e games.

Marcelo Tas contou que sempre foi fascinado por tecnologia, o rádio foi o primeiro veículo pelo qual ele se apaixonou e o considera sua internet a lenha, esse interesse em usar ferramentas de tecnologia, foi um dos motivos pelos quais ele decidiu fazer faculdade de engenharia e segundo Tas, isso o ajuda muito hoje em suas criações e para otimizar ferramentas.

Marcelo Tas garante que tudo o que fez na sua vida não foi programado, o professor Tibúrcio, sua participação no CQC e até mesmo o que faz hoje no seu programa na GNT, segundo ele é importante fazer aquilo que mexe com o seu coração. “Se você começar a trabalhar só na estratégia, de como vender uma coisa, você acaba perdendo o fio da meada”.

Marcelo sempre foi muito ligado as redes sociais e relembrou um fato que aconteceu em 2008 quando o Wall Street Journal divulgou uma nota dizendo que Marcelo Tas era o primeiro brasileiro a ter uma conta patrocinada no Twitter.

“Aqui no Brasil muita gente tentou me desqualificar por isso, e lá fora, as pessoas me procuravam para entender como eu tinha feito isso e levar isso adiante”.

Segundo ele no Brasil existe um complexo de vira lata, em que as pessoas têm medo das coisas darem certo. “O Brasil é rico de conteúdo e diversidade e apesar de tratarmos a educação de forma miserável, existem diversas inovações, iniciativas e projetos sendo desenvolvidos”. Tas também compartilhou com o público que está criando uma plataforma chamada Tazometro, ferramenta colaborativa, divertida, interativa que irá substituir o seu blog e assim fazer relação com marcas e o público.

Foto: Divulgação

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Tas afirma ainda que o Brasil precisa sair da discussão travada sobre partidos. “Não precisamos mudar os políticos, mas sim, as pessoas que votam neles”. Estamos no começo de algo que não sabemos o que virá.

Martha complementa destacando que hoje é fundamental termos pensamento crítico, para detectar riscos e oportunidades novas, criatividade e inovação, para resolver problemas novos e aproveitar novas oportunidades e conexão, tanto com pessoas quanto tecnologia.

Martha pediu para Marcelo se definir em poucas palavras e ele explicou que nasceu com espírito de porco, coisa que sua avó sempre falava e ele soube acolher esse espírito e não fugir da sua origem. Sempre teve dificuldade em não se adequar, mas nunca viu isso como negativo, pelo contrário, tentou sempre buscar saídas inovando.

Marcelo destacou o seu quadro no Castelo-Rá-Tim-Bum, o Porque sim não é resposta, onde explicava o porque de diversos temas e contou que não esperava que o que ele fazia ali fosse virar o que o Google faz hoje. “O porque sim não é resposta era o Google daquela época, eu podia ter sido sócio da empresa” brinca Tas.

Marcelo também contou uma curiosidade que está redescobrindo sua paixão pela jardinagem e segundo ele, tem tudo a ver com saber cuidar de um jardim e cuidar das redes sociais. “Não se colhe do dia pra noite, é preciso plantar as sementes, experimentar diversas plantas, assim como as redes sociais, e é aos poucos que deve ser feitos os trabalhos. Tirem suas próprias conclusões” finaliza Tas.