A revolução dos computadores é uma das maiores na história da humanidade, mas ainda grande parte da população mundial não tem acesso a computadores ou internet! Para tentar resolver esse problema, algumas iniciativas buscam criar soluções que ofereçam acesso à tecnologia de qualidade para a população com menos recursos. Um exemplo disso é a Endless, empresa com foco social, que desenvolve computadores com preços acessíveis para usuários de baixa renda.

Através de uma campanha bem sucedida de US$100 mil financiados pelo público, por meio da plataforma colaborativa Kickstarter, em menos de 4 dias a Endless deu início ao chamado Endless Adventure. A equipe saiu da sede da companhia em São Francisco em um ônibus escolar adaptado com destino ao México, visitando pequenas comunidades locais, por onde realizaram eventos demonstrativos aos moradores. Em cada parada o ônibus se transformava em um “cyber café sem internet”, onde as pessoas podiam utilizar os computadores.

Foto: Divulgação

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Em conversa com o Startupi, Marcelo Sampaio, Sócio Fundador e Vice Presidente de expansão global da Endless, contou que decidiram iniciar as operações pelo México por ser um país que reconhece o valor que a tecnologia pode agregar para a educação e para o desenvolvimento das pessoas.

Antes de iniciar essa operação, foram realizadas diversas pesquisas de campo para entender as reais necessidades dos usuários. Camila Soares, Diretora de Pesquisa da Endless, conta que o que ficou muito claro desde o início, quando saíram com apenas um projetor e uma tela visitando os vilarejos, testando e compartilhando experiências, foi o desejo que as pessoas tinham em ter um computador de mesa. “Muita gente achava que o celular ia acabar com o computador por prover o acesso à internet, mas a realidade que vimos em campo é que as pessoas querem sim um computador para fazer trabalhos de escola, preparar currículos, para se entreter e para adquirir conhecimento” afirma Camila.

Camila comenta ainda que também fizeram trabalhos e pesquisas aqui no Brasil e que a interação com os usuários na favela da Rocinha e no morro Dona Marta – durante três anos – foi fundamental para o desenvolvimento do sistema operacional do Endless. “Simplificamos ao máximo a interface e criamos um ecossistema de aplicativos com informações que atendem às necessidades fundamentais em áreas como educação e saúde, e que pode ser acessado mesmo sem conexão com a internet”.

A ideia do ônibus escolar transformado em um “Cyber Café”, ou melhor, em um laboratório de computação off-line, traduz perfeitamente o objetivo da Endless: conectar as pessoas, sobretudo em áreas rurais, com pouco ou nenhum acesso, ao mundo da informação e de oportunidades de desenvolvimento.

Camila conta que usaram de inspiração o filme brasileiro “Cinema, Aspirinas e Urubus”, onde dois homens vindos de mundos diferentes se encontram e viajam de caminhão pelos povoados do Nordeste do Brasil vendendo Aspirinas, tendo com estratégia de venda a exibição de  filmes promocionais sobre o remédio “milagroso” para as pessoas que jamais tiveram a oportunidade de ir ao cinema.

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Sobre a experiência, Camila se diz realizada, “Todo o trajeto do ônibus foi incrível e fomos muito bem acolhidos. Entramos por Tijuana e visitamos zonas rurais, povoados e vilarejos e durante todo o trajeto foi possível ver que pessoas não só compreendiam o propósito e a missão da Endless como também afirmavam que tínhamos criado algo que poderia ajudar a melhorar suas vidas. Do ponto de vista da conexão com nosso público alvo e de validação do nosso produto, a experiência foi realmente incrível”.

Ela conta que em cada povoado, assim que estacionavam o ônibus, as pessoas logo procuravam saber do que se tratava e em poucos segundos, já estavam sentados na frente do Endless.

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Eles receberam visitas de turmas inteiras de estudantes de escolas locais, muitos professores e famílias. Dentro do ônibus as pessoas encontravam um laboratório cheio de computadores onde podiam fazer pesquisas, brincar com jogos educativos, ouvir música, ver vídeos, entre diversos outros programas disponíveis no sistema operacional. Ao todo, o Endless vem com mais de 150 aplicativos acessíveis sem internet, isso inclui toda a Wikipedia e as mais de 700 vídeo-aulas da Academia Khan.

Para Camila, um dos momentos mais marcantes da expedição foi quando visitaram uma escola em Celaya, na região de Guanajuato. “Entregamos um computador doado por um dos nossos apoiadores durante a campanha de lançamento no Kickstarter e foi muito especial. Algumas das crianças nunca tinham usado um computador antes e nem tinham tido contato com estrangeiros. Quando souberam que na nossa equipe tinha gente do Brasil começaram a nos encher de perguntas. Enquanto respondíamos, alguns alunos já buscavam as respostas no Endless”.

Veja no vídeo abaixo como foi a visita na escola primária federal Lázaro Cárdenas del Rio.

Marcelo Sampaio afirma que deseja expandir o Endless para todos os países da América Latina. “O Brasil oferece grandes oportunidades e será um dos nossos próximos mercados. Até o fim do ano devemos ter a versão em português do nosso software. Queremos focar inicialmente em acordos com governos para colocar o software em máquinas de escolas públicas pelo Brasil”.

Existem mais de 4 bilhões de pessoas que gostariam de adquirir um computador, mas que não têm condições financeiras. Segundo Marcelo, a desproporção de informação entre ricos e pobres é tamanha que impede que o desenvolvimento aconteça na velocidade que seria possível e desejável. “O desafio é imenso, mas acreditamos que, com muito foco e trabalho, vamos conseguir popularizar o Endless e corrigir uma das maiores inconformidades da nossa era” finaliza.

Você pode acompanhar a viagem da Endless pelas redes sociais com as hashtags #EndlessAventuras e #EndlessAdventures.