Olá! Sou Victor Oliveira da Cheesecake Labs e este é meu terceiro artigo aqui no espaço do empreendedor no Startupi. Após falar sobre as oportunidades e desigualdades do mercado de software mundial, que você pode conferir aqui, e também sobre como nós da Cheesecake Labs moldamos nossa cultura para melhor se adequar a esse contexto, que você pode conferir aqui, hoje, neste capítulo, serão apresentados materiais e ferramentas exclusivas que ajudam a colocar em prática todas as ideias citadas anteriormente. Confira abaixo:

  1. Gráficos de Planos de Ações (Stock Options):

O gráfico de plano de ações define como a disponibilidade de compra de cotas varia em função do tempo, seja em uma relação entre empresa e colaborador ou entre duas empresas parceiras. É essencial que a entidade que está recebendo o plano de ações espere um período inicial antes de se tornar apta para comprar as cotas, pois nesse primeiro período os dois lados vão se conhecer melhor e decidir se a parceria entre eles é valiosa o suficiente para envolver de maneira mais formal a venda de ações.

Na Cheesecake trabalhamos atualmente com um período de validação do plano de ações de 4 anos, ou seja: cada colaborador espera 4 anos até ter a opção de comprar todas as cotas que tem direito no contrato. O gráfico abaixo ilustra dois comportamentos distintos de planos de ações com duração de quatro anos:

gráfico 1

A linha vermelha representa o plano de ação disponibilizado para os colaboradores da Cheesecake, que anualmente oferta 25% das cotas totais (definidas no contrato de plano de ações). A linha azul é uma pequena variação que permite atualizações mensais no numero de cotas ofertadas para a compra, fazendo com que a variação – após o primeiro ano – seja mais frequente. Por sinal, o segundo exemplo é como funciona o sistema de planos de ações da Uber.

Um exemplo mais prático: se um personagem imaginário, José, possui um plano de ações com 200 cotas como colaborador da Cheesecake Labs, ele terá direito a comprar 50 cotas no final de seu primeiro ano com a empresa, mais 50 no final do segundo, e assim por diante, até completar 200 cotas ao final de quatro anos. Como se trata de um contrato de opção de compra, José não é obrigado a comprá-las em momento algum: só conquista o direito a fazê-lo com o passar dos anos.

  1. Contratos de Cotas:

2.1. Contrato com Colaboradores

Os contratos firmados com colaboradores tem como função garantir seu direito a compra de cotas (como descrito nos gráficos do tópico anterior) a um preço que represente o valor real da empresa no momento de início do contrato.

Não existe uma regra universal para se calcular o valor de uma empresa, mas existem algumas práticas comuns para tal cálculo: três vezes o valor de seu faturamento anual, 5 vezes o valor de seu lucro líquido anual ou 2 vezes o que ela tem em caixa. Uma vez definido o valor da empresa, basta dividir esse número pela quantidade total de cotas para obter como resultado o preço de uma única cota.

Define-se, então, um número de cotas a ser ofertado para cada colaborador, levando em conta a sua importância para a organização, o quão cedo ele se juntou à equipe e o risco que correu ao fazê-lo. Tendo em mãos o valor unitário de cada cota (na data do contrato) e o seu número total ofertado, basta multiplicá-los para calcular qual será o preço final das cotas ofertadas para cada colaborador e, em seguida, distribuir esse valor no gráfico de plano de ações.

2.2. Contrato com Empresas Parceiras

Os contratos com empresas parceiras apresentam comportamento parecido com os de colaboradores, com a diferença de que as duas partes envolvidas são entidades jurídicas. Esse formato de contrato mostra como adquirir ações de empresas dos EUA.

É muito importante que o contrato descreva o que acontecerá caso a empresa parceira seja vendida (principalmente antes do plano de ações se tornar válido), quais são as atuais formas de divisão de lucros e também como se dá a participação dos integrantes em seu conselho.

  1. Planilha de Planejamento Estratégico

Essa planilha desenvolvida pela Suécia Estratégia e Marketing, tem como função organizar o planejamento estratégico de uma empresa nas seguintes etapas:

3.1. Identidade Organizacional

Nesta seção serão definidos os elementos que compõem o core da empresa, tais como Negócio, Missão, Valores e Stakeholders.

3.2. Proposta de Valor

Nesta etapa são definidos os parâmetros que nos permitem identificar como a empresa agrega valor e se destaca no mercado, como por exemplo: Público-alvo, Necessidades (desse público), Produtos e Serviços, Resultados e Diferenciais.

3.3. Análise Ambiental

Neste momento comparamos a empresa com outras organizações que compartilham dos mesmos mercados, através de uma análise de SWOT. Para isso, são definidas ameaças e oportunidades – em uma análise externa – e pontos fracos e fortes em uma análise interna.

3.4. Visão e Objetivos Estratégicos

A partir da análise feita em 3.3, definem-se objetivos SMART (eSpecíficos, Mensuráveis, Atingíveis, Relevantes e Temporais) que visem a minimizar as fraquezas e a potencializar os pontos fortes. Esses objetivos podem ter cunho financeiro (metas de faturamento, lucro, margens, etc), humano (número de empregados, índices de satisfação, etc), entre outros.

3.5. Indicadores

Os indicadores definem valores mensuráveis que representam os objetivos traçados previamente. Tais valores, ou métricas, auxiliam os gestores para melhor entender o quão próxima dos objetivos a empresa se encontra.

3.6. Plano de Ação

Finalmente, são definidas quais ações devem ser realizadas (pelos diversos gestores) para que os indicadores alcancem as metas anteriormente definidas. Os prazos e responsáveis de cada ação devem ser explicitados, regularmente conferidos e atualizados para garantir que a equipe está cumprindo o planejamento.

No próximo capítulo iremos falar sobre o lado mais humano – e até existencial – por trás das nossas iniciativas aqui na Cheesecake Labs, como estão indo nossos planos e quais são nossas expectativas para o futuro.

Fiquem ligados e até segunda! ;)

 


 

victor*Victor Oliveira – 5º engenheiro da Uber; deixou a graduação de lado para trabalhar na aceleradora I/O Ventures; serial entrepreneur com algumas startups de sucesso no portfólio; é atualmente CEO da @CheesecakeLabs, tendo como missão melhorar a conectividade mundial (começando pelo desenvolvimento de apps) e diminuir suas desigualdades.