*Artigo por Victor Oliveira

Olá Empreendedor, como falei aqui semana passada, estarei no Espaço do Empreendedor toda segunda-feira do mês de Maio, para colaborar com o ecossistema de Startups e compartilhar um pouco da experiência adquirida. Será uma série de 4 artigos em 4 capítulos, sobre:

  1. Brasil, Mundo e o Agora: dados do brasil e do mundo e explicações do que são – para nós – suas maiores desigualdades e oportunidades em nossa área;
  2. Empreendedorismo, Investimentos e Aplicativos – Cheesecake Labs: como atuamos e quais são as nuances práticas para resolver as desigualdades anteriormente citadas;
  3. Mãos na Massa: o lado operacional das soluções propostas, acompanhado de um material open-source (contratos de cotas, planilhas de planejamento estratégico, gráficos de valorização e vesting de ações e etc) que formaliza o dia-a-dia da cultura do Vale no Brasil;
  4. Conclusões, Metas e o Amanhã: uma perspectiva mais humana do negócio e as nossas expectativas para o futuro.

Vamos começar!

Devido a sua incapacidade de ser competitiva, a indústria brasileira sofre um desaquecimento que gera um impacto negativo na economia da nação – como pode ser visto na imagem abaixo. Os serviços, que tendem a assumir o papel primordial na maioria dos países desenvolvidos, muitas vezes não conseguem quebrar barreiras tecnológicas, fiscais, burocráticas e culturais. Um bom exemplo que ilustra nossa incapacidade corporativa é nosso mercado de software que, mesmo sendo líder de contribuições em diversas áreas open-source, não desponta no contexto global.

A falta de capacidade do setor terciário é como uma doença para a saúde econômica brasileira, e o remédio: inovação da cultura empresarial.

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Balança comercial Brasileira. Fonte: IEB.

No mundo, o mercado de software está reinventado o setor de serviços e criando um novo boom tecnológico. Nos Estados Unidos, por exemplo, empresas como Facebook, Google, Apple e Twitter lideram a vanguarda digital e recuperam parte de sua economia, que há pouco estava afundada na crise imobiliária. Prova de que essas empresas – e principalmente sua cultura – são muito significativas para o reestabelecimento econômico é o simples fato de que no primeiro trimestre de 2015 a Apple teve o maior lucro da história do capitalismo (a próxima figura mostra como se comporta o faturamento da empresa nos últimos anos).

Todo esse potencial, no entanto, esbarra em um falha fundamental: os países desenvolvidos não possuem suficiente quantidade de engenheiros para dar suporte a tamanho crescimento.

Faturamento bruto da Apple por trimestre. Fonte: MacRumors.

Faturamento bruto da Apple por trimestre. Fonte: MacRumors.

Temos, então, de um lado, países desenvolvidos com grande produção de software e enorme carência na disponibilidade de engenheiros e, do outro, nações emergentes que possuem corpo técnico extremamente competente mas que, devido à falta de investimentos, não tem seu valor reconhecido. Em um contexto de forte globalização com ferramentas que possibilitam trabalho colaborativo e eficiente a distância, uma pergunta se destaca: por que esses dois lados não têm conseguido se encontrar?

Após ver de perto como as coisas funcionam no Vale e voltar para o cenário brasileiro, observei as diferenças e listei as características que – na minha opinião – são as principais necessidades para que o Brasil participe ativamente da nova revolução tech, ajudando os dois lados a se encontrar:

  1. Plano de ações nos empreendimentos (stock options);
  2. Cultura de liberdade no ambiente de trabalho;
  3. Valorização dos engenheiros;
  4. Aprendizado prático de línguas estrangeiras;
  5. Utilização de, e contribuição para, tecnologias open-source;
  6. Geração e compartilhamento de conteúdo digital.

Os próximos capítulos irão explicar em mais detalhes o que são as necessidades citadas acima, exemplificar como nós da Cheesecake as estamos resolvendo na prática e compartilhar um material desenvolvido ao longo dos últimos anos que permite tornar viáveis – no contexto brasileiro – tais ideais. A diminuição das desigualdades não é apenas social e economicamente benéfica para ambos os lados envolvidos, mas também uma oportunidade para empreender e criar negócios: as diferenças entre oferta e demanda são tão grandes que o esforços investidos geram retornos imensos.

Até a próxima segunda-feira!

victor*Victor Oliveira – 5º engenheiro da Uber; deixou a graduação de lado para trabalhar na aceleradora I/O Ventures; serial entrepreneur com algumas startups de sucesso no portfólio; é atualmente CEO da @CheesecakeLabs, tendo como missão melhorar a conectividade mundial (começando pelo desenvolvimento de apps) e diminuir suas desigualdades.