Artigo por Suaad Sait*

A TI está em um estado constante de mudança: do nascimento do mainframe à explosão do computador pessoal, passando pelo boom do centro de dados. Estamos agora em uma era em que a TI faz uma parte de todas as empresas, não apenas das grandes empresas ou das que estão colocadas diretamente na indústria de tecnologia. Cada empresa é realmente uma empresa de TI. E as que podem usar com sucesso a tecnologia como um diferencial competitivo são as que posicionaram com sucesso a TI no centro de seus negócios. Como tal, os profissionais de TI devem estar sempre na vanguarda das novas tecnologias e saber como o ritmo da mudança afeta a prestação de serviços de tecnologia para uma organização.

No entanto, estamos agora em um estado em que esta taxa de mudança está acontecendo em um ritmo alucinante; o advento da virtualização e da computação em nuvem, combinado com a consumerização de TI e com a disponibilidade de dispositivos de consumo no local de trabalho, complicam ainda mais uma infraestrutura de TI que já é complexa. Some a isso o aumento dos riscos de segurança devido à digitalização das informações importantes e o crescimento dos ataques sofisticados de hackers, e as empresas de pequeno e médio porte com certeza vão sentir a pressão quando o que se busca é priorizar o tempo, a equipe e os recursos de capital.

De acordo com uma pesquisa recente da SolarWinds feita com centenas de profissionais, gerentes e diretores de TI, esta nova era da TI é impulsionada por algumas tecnologias importantes, incluindo a nuvem e SaaS, redes virtuais e a automação de autoatendimento orientada para o usuário final. Esse é o caso para a empresa e para as pequenas e médias empresas. Os resultados da pesquisa feita no Brasil também mostraram que 89 por cento dos profissionais de TI das PMEs acham que o impacto da complexidade da infraestrutura afetou suas funções e responsabilidades nos últimos três a cinco anos.

No entanto, essa taxa rápida de mudança tecnológica também significa que a TI é absolutamente essencial para a estratégia global de negócios; a liderança executiva recorre à TI para orientar as decisões sobre os investimentos em tecnologia que têm enorme impacto sobre a capacidade de uma organização de prestar serviços e/ou fornecer produtos, conquistar clientes, gerenciar as operações e, por fim, gerar lucro. Na verdade, de acordo com a pesquisa, um terço dos profissionais de TI das pequenas empresas tem a oportunidade de fornecer uma orientação regular para as decisões comerciais estratégicas com relação às tecnologias emergentes, e outros 61 por cento têm a oportunidade de fazer isso de vez em quando. Além disso, quase metade desses profissionais de TI das pequenas empresas confiam totalmente em sua capacidade de fazer isso.

Ao contrário do que todos pensam, as PMEs podem realmente estar em vantagem sobre as grandes corporações porque o tamanho delas permite certo nível de agilidade ao adotar tecnologias e mudar de rumo nas estratégias comerciais para se manterem competitivas. No entanto, as PMEs estão em desvantagem por razões óbvias: muitas vezes, elas enfrentam um ambiente com recursos e pessoal limitados para pesquisa, compra e implementação de novas tecnologias. Então, é importante que as PMEs priorizem cuidadosamente o custo em relação ao benefício quando precisam lidar com as tecnologias novas e emergentes.

Computação em nuvem: evolução do papel da TI

De acordo com a pesquisa, os profissionais de TI das pequenas empresas veem a computação em nuvem como uma das três principais tecnologias mais disruptivas para os negócios. Fornecedores como Amazon Web Services (AWS), Rackspace e Microsoft Azure estão criando ondas no mercado e rapidamente se tornando soluções às quais empresas de todos os portes acabam recorrendo. A pesquisa também constatou que as habilidades de nuvem ou SaaS estarão entre aquelas em maior demanda pelos profissionais de TI das PMEs nos próximos três a cinco anos.

A nuvem ecoa nas PMEs por causa de seu custo introdutório tipicamente baixo e sua capacidade de reduzir a pressão sobre os recursos internos de TI para gerenciar as funções existentes. Os gerentes de linha de negócios também se voltam para a nuvem por conta própria quando pressionados por recursos disponíveis internos (isso também pode explicar por que os profissionais de TI das pequenas empresas classificaram a BYOx – incluindo BYOA – como a tecnologia mais disruptiva para as empresas).
No entanto, a nuvem pode não ser a solução perfeita para as PMEs. O custo total de propriedade pode ser maior do que o previsto, e as relações com os fornecedores podem se mostrar mais difíceis do que o inicialmente previsto. Além disso, muitos profissionais de TI enfrentam uma falta de visão sobre os serviços que os gerentes de linha de negócios estão usando até que surja um problema.

Quando se trata de computação em nuvem, os profissionais de TI devem se sentir confortáveis com as opções inclusivas, e não com as seletivas. A nuvem não é uma função separada da TI, mas sim uma tecnologia usada para complementar a infraestrutura existente. Esta abordagem híbrida é o que transformará as PMEs em um sucesso na gestão da nuvem.

Os profissionais de TI das PMEs devem considerar o seguinte para se certificar de que estão tirando o máximo de proveito da nuvem sem sobrecarregar os recursos, técnicos ou não:

  1. Comunique-se com os gerentes de linha de negócios, muitas vezes para determinar suas necessidades tecnológicas e trabalhar com eles para estabelecer a melhor forma de atender-lhes, considerando-se os recursos e orçamentos existentes. Muitas vezes, os aplicativos externos baseados em nuvem podem ser comprados com orçamentos departamentais, sem tocar no orçamento de TI, mas observe que o gerenciamento e a relação com o fornecedor acabam recaindo sobre a TI.
  2. Especificamente para a nuvem privada, tire proveito das ferramentas de gestão e monitoramento de nuvem de baixo custo para solucionar os problemas de desempenho.

Mobilidade: o ganso de ouro e o ovo podre

A mobilidade permite que o trabalho possa ser feito de qualquer lugar, e a qualquer momento, o que muitas vezes se revela uma bênção e uma maldição para a TI. Segundo a pesquisa, os profissionais de TI de pequenas e médias empresas veem a mobilidade como a tecnologia mais perturbadora para os negócios. Isso é provável porque quase todos os clientes e funcionários de uma organização têm expectativas em relação ao uso de tecnologias móveis. Os clientes esperam conseguir usar as tecnologias móveis para pesquisar produtos, fazer perguntas, envolver-se diretamente com a marca e fazer compras. Os funcionários esperam conseguir acessar os aplicativos de rede e de negócios através de dispositivos móveis. As pequenas empresas também encaram a mobilidade como o segundo investimento em tecnologia emergente mais necessário para se manterem competitivas nos próximos três a cinco anos.

Como mencionado acima, o primo da mobilidade, a lógica BYOx, foi classificado como a tecnologia mais negativa pelos profissionais de TI das pequenas empresas. Espera-se agora que a TI gerencie uma força de trabalho móvel, disseminada por funcionários que usam seus próprios dispositivos móveis para trabalhar. Isso traz muitas e muitas questões adicionais de gerenciamento e segurança.

A mobilidade no local de trabalho tem um efeito drástico sobre a rede e seus sistemas. O problema é que, embora o afluxo de tablets e smartphones móveis obrigue as redes, os sistemas e provavelmente os profissionais de TI a trabalhar mais, a força de trabalho como um todo se torna mais produtiva e eficiente. Por isso, pode ser difícil justificar uma posição “anti-BYOD” para a liderança, quando eles mesmos são os que colhem os benefícios da mobilidade.

As PMEs têm várias opções quando se trata de gerenciamento de dispositivos móveis (MDM, mobile device management), mas incluindo fornecedores como AirWatch e Good. A lógica CYOD (ou escolha seu próprio dispositivo, em inglês) é outra solução em que a TI pode oferecer opções populares para os usuários finais escolherem, e ainda manter o discernimento necessário no que se refere ao tipo de dispositivo que acessa a rede.

Abraçando a nova TI

Para as PMEs se manterem competitivas, é imperativo que consigam aproveitar as tecnologias emergentes – mas somente se conseguirem utilizar bem essas tecnologias para conduzir os negócios. Não surpreende, então, o fato de os profissionais de TI que participaram da pesquisa terem expressado esmagadoramente a necessidade de mais treinamento para se sentirem prontos para a era da nova TI, junto com o desejo de entenderem melhor o negócio. Além de simplesmente implementar tecnologias, isso permitirá que os profissionais de TI comuniquem com eficácia os benefícios de várias tecnologias emergentes para os líderes empresariais.

*Artigo por Suaad Sait, vice-presidente de produtos e mercados da SolarWinds

Imagem: Modern wireless technology and social media illustration via Shutterstock