Quem acompanha minha atividade de Investidor Anjo sabe que além de fomentar o tema, através de artigos, debates, mentorias e palestras, venho fazendo investimentos sistematicamente desde 2010. Oficialmente comecei nesta época, porém hoje percebo que, o que já fazia desde 2004, já se chamava no mercado internacional de Investimento Anjo, só não sabia que isso era uma atividade profissional. Meu primeiro investimento foi um e-commerce de eletroeletrônicos, um spin-off de uma empresa de Cartão Convênio Eletrônico Credix, que eu era sócio na época. Meu segundo foi um e-commerce de ticketing que recebeu vários NÃOs de VCs e que mantenho até hoje. De lá pra cá, nestes 11 anos, foram muitas experiências, aprendizados, perrengues e investidas, algumas com muito sucesso, outras nem tanto e outras por demais fracassadas. (Ou seja, comecei quando investir em Capital Intangível, era coisa de louco, minha mulher que o diga!) Mas acreditei e continuei. Olhem meu portfólio.

Pois bem, hoje me dedico a causa e faço parte da Anjos do Brasil, uma entidade de fomento ao tema, onde eu ajudo na “evangelização” e também realizo vários co-investimentos. Mas porque eu estou contando essa pequena história e fazendo esta introdução? Simples! Para alertar, evitar o desconhecimento e separar o que eu chamo de Investidores Anjos COM asas de “Anjos” SEM asas.

Se um Anjo não consegue nem voar porque não tem ASAS, imagine se ele vai conseguir te ajudar a voar? Pois é, existem várias pessoas se intitulando Investidor Anjo, sem nunca ter investido um só níquel em qualquer startup, sem ter tido experiências anteriores, sem ter feito uma saída de uma empresa, ou mesmo ter sido investido, sem pelo menos ter conhecimento prático do assunto. É claro, que todos podem começar e ser iniciante, mas passar a vida toda como Anjo e não agir como um Investidor, me parece um pouco “oportunista”.

Esses que se intitulam Investidores Anjos sem efetivamente ser, são pessoas que na verdade giram em torno do tema, oferecem mentoria, participam de eventos ou fazem eventos, treinamentos, missões, cada um por seu motivo particular, mas no geral porque é um assunto interessante e ter em sua biografia este título, pode atrair oportunidades e até quem sabe, uma fonte de receita. Outros porque acreditam em sua própria “mentira” (uma doença chamada de pseudolalia!).

A maioria desses “Anjos” passam a vida “olhando”, participando de bancas de avaliação, programas de aceleração e mentorias, alguns até escrevem e dão palestras sobre o tema. Então, esses podem (ou não, depende do conhecimento) serem Mentores ou professores, não Investidores Anjos, simples assim!

Enfim, decorar o tema, compartilhar conceitos, termos e repetir frases alheias sem nunca ter vivenciado é na minha opinião, um risco a comunidade, uma afronta ao ecossistema Empreendedor e compõe parte do descontentamento de Empreendedores com Investidores Anjo. Porém, um Anjo iniciante existe sim e sempre vai existir, mas a diferença básica, é que esse busca aprender e não ensinar.

É isso, muita atenção a esses Anjos SEM asas que confundem, atrapalham e tomam o tempo do Empreendedor. Como identificar? Basta a simples pergunta: Em qual projeto já investiu?, se a resposta for nenhum, ok, mas veja como ele se porta e se apresenta como iniciante; Se a resposta for sim, pergunte “Qual Startup?”, mas converse diretamente com o Empreendedor(es) investido(s) para saber detalhes e comportamento desse Anjo.

A definição mais clara do Investidor Anjo é: Aquele que carrega consigo experiências e vivências capazes de auxiliar Empreendedores com aval, dinheiro, conhecimentos, apoio e estrutura, em sua carreira ou em seu negócio.

Para terminar, quero deixar duas mensagens:

Para o Investidor Anjo: Se nunca fez um investimento, a melhor maneira de começar é encontrar um projeto que você domine o segmento, participar de um co-investimento onde um Anjo líder dê um aval na Startup ofertada, entrar em Plataforma de investimento coletivo como o Broota ou mesmo aprender analisando projetos na Plataforma Gust da Anjos do Brasil ou na Starte do Portal Infomoney. Falar e ensinar sobre o tema, sim, mas só depois de alguma experiência efetiva e prática.

Para o Empreendedor: Não generalize e não bote todos os Investidores Anjo em uma única cesta. Vejo muito desconhecimento e mimimi no mercado sobre isso. Se você não teve uma experiência positiva uma vez, não quer dizer que nunca terá outra. Aprenda a separar e reconhecer no mercado quem pode efetivamente te ajudar a “voar”. Acredite, somos muitos no Brasil; Não falta investidores Anjos, o que falta são bons projetos que possam garantir algum retorno sobre o capital investido.

Pense nisso!

Imagem: dead knight or fallen angel via Shutterstock