Alalaô, lalaô prezados entrepredoers, brogrammers, angels e todos os blocos que nos lêem em pleno Carnaval! Quem aí está vestindo fantasia de Zuckerberg? Ron Conway? Ou ainda, alguém de Dilma? Talvez de Obama?

Enquanto a maior fantasia dos brasileiros parece ser a recuperação moral da política nacional, para um setor especial da sociedade a fantasia é conseguir fazer uma startup valer 1 bilhão – e pode ser de Reais mesmo. Já publicamos um artigo do Gustavo Guida Reis sobre o assunto mas volto à questão nesta época pela qual os brasileiros sentem mais conexão emocional.

Na época, o Guida chamou atenção para a lista que o Wall Street Journal fez com startups que chegaram no valor de mercado bilionário. Este mês, a Fortune botou em sua capa um unicórnio vestindo capuz e foi bem clara na mensagem: startups que chegaram a valer 1 bilhão com base nos investimentos recebidos. Veja a matéria de capa de fevereiro sobre A era dos Unicórnios e a nova lista da Fortune com mais 80 unicórnios, liderada por Xiaomi, Uber, Palantir, Airbnb e Flipkart.

Por que unicórnio? Um ser mítico, imaginário? Um ser com poderes mágicos? Certamente, um ser raro. Alguns governantes já disseram que regulamentar transações com bitcoins era como regulamentar transações com unicórnios: se alguém acreditou na existência de um deles o suficiente para pagar algo em troca, paciência. Bem,  isso é o que se entende com as sucessivas rodadas de investimento recebidas por startups que figuram na lista.

Um empreendedor que recentemente recebeu investimento, colocando a startup em um valuation de 1 bilhão de dólares, admitiu que o valor era totalmente aleatório -“arbitrary as fuck“, foi o que admitiu para Sarah Lacy, do Pando. Ele havia definido que só aceitaria investimento se fosse receber tal valuation, mas não pelo dinheiro, apenas para se destacar dos demais.

Se eu tivesse criado uma empresa que tivesse esse valor de mercado, mesmo que simbolicamente, claro que estaria feliz, satisfeito, orgulhoso – mas não sei se mais feliz, satisfeito e orgulhoso do que hoje. Fazendo uma analogia a Peter Thiel, concordo que ir do zero ao um na escala de grana, satisfação, felicidade, saúde ou qualquer outra, faz toda diferença. Mas do um em frente, as coisas não são exponenciais, nem múltiplas, nem mesmo incrementais.

Não estou diminuindo a importância de construir uma startup que passe a valer 1 bilhão, ainda mais no Brasil. Mas acho que antes disso, devemos olhar para o Carnaval, em que aparentemente é muito mais fácil de botar o bloco na rua e achar um “product/market fit” (se é que você me entende), e questionar na Quarta-feira de Cinzas por que é tão difícil encoxar encaixar no mercado no resto do ano.

Pra quem curte startup de ocasião: tenho bitcoin pra investir em startup que venda fantasia (ao menos máscara) de unicórnio e de anjo para público geek, empreendedor e investidor. Alalaô!