Artigo por Gabriel Santos e Kamila Bittarello*

O conceito de ecossistema nunca fez tanto sentido para o movimento empreendedor em Florianópolis quanto agora. Estudo recente divulgado pela Endeavor Brasil, que apresentou a cidade como a melhor Capital do país para empreender, evidencia que o resultado foi alcançado fundamentalmente pela interação de um conjunto de diversos fatores – pessoas e instituições -, que impulsiona a criação de novas empresas desde a década de 1980, em especial no setor de tecnologia.

A região se destaca não só pela quantidade de startups que surgem todos os anos, mas sobretudo pela qualidade destas iniciativas, que não apresentam apenas boas ideias, mas  soluções realmente inovadoras, que consolidam-se e ganham mercado. Isto é resultado direto da formação de profissionais qualificados em instituições de ensino que são referência, como a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e outros institutos técnicos que ajudaram a criar este cenário. O potencial da região, assim como suas belezas naturais e dezenas de praias, acaba sendo um motivador para que profissionais qualificados de diversos municípios e países sejam atraídos e se mudem para enriquecer técnica e culturalmente o polo da capital catarinense.

O ecossistema de startups de Florianópolis não seria o mesmo sem a presença de habitats de inovação altamente produtivos. Iniciativas como o Centro de Inovação ACATE, o Sapiens Parque, as incubadoras MIDI Tecnológico e CELTA (ambas eleitas três vezes cada como a melhor do país), entre outras, reúnem empresas e empreendedores conectados com tudo o que há de novo no setor de tecnologia e mantém uma agenda ativa e qualificada de ações que fomentam o networking e a qualificação profissional.

Além disso, a Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE) desempenha um importante papel articulador entre o empresariado e as instituições de apoio ao setor, sejam públicas como as Secretarias de Governo em âmbito municipal e estadual e a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (FAPESC), ou de natureza de direito privado como o sistema FIESC (incluindo o Sistema S), Universidades, Institutos de Pesquisa, Fundos de Investimento, entre outros. Foi a partir de uma demanda da ACATE – a necessidade de formar novos profissionais e assim reduzir o déficit de mão de obra qualificada – que o governo de Santa Catarina criou o Geração TEC em diversas cidades do estado, levando oportunidades de formação a uma área estratégica para a economia catarinense.

O histórico de sucesso de alguns empreendedores do setor de tecnologia de Florianópolis é outro componente relevante deste conjunto. Alguns deles que iniciaram sua trajetória há quase 20 anos tornaram-se referências nas suas áreas de atuação e passaram a investir em empresas nascentes, gerando um ciclo virtuoso; a partir desta ‘chancela’ de empreendedores locais, as startups ganham credibilidade e visibilidade perante investidores-anjo e gestores de fundos de investimento. Em função de todo este cenário, as startups que buscam um ambiente favorável ao desenvolvimento de seus negócios encontram em Floripa um ecossistema ativo e em constante evolução. E tem espaço para mais gente talentosa.

*Artigo por Gabriel Sant’Ana Palma Santos e Kamila Bittarello, coordenadores da incubadora MIDI Tecnológico

Imagem: Floripa, Brazil wooden sign via Shutterstock