Artigo por Marcilio Riegert*

Se há uma palavra que pode definir bem o ano de 2014 para as startups e o cenário de inovação no Brasil, essa palavra seria instigante. Vimos, nos últimos doze meses, a consolidação de processos iniciados ainda em 2013, mostrando que de fato adentramos em uma nova fase, mais madura e consciente, do empreendedorismo brasileiro. Esse processo de amadurecimento nos instiga, e muito, para saber o que vem por aí nos próximos anos.

Vivenciamos ao longo desses meses a continuação de um passo dado ainda no ano passado por aceleradoras e também pelo poder público na formação e no estímulo a iniciativas empreendedoras. Vimos programas como o Start-Up Brasil, do governo federal, e o SEED do governo de Minas, ganharem cada vez mais peso e se consolidarem, bem como os governos municipais chegarem mais junto desse setor com iniciativas como Startup Rio e Startup São Paulo, que nos servem de exemplo de como as prefeituras podem atuar mais próximas dos empreendedores e assim aquecer e desenvolver a economia de suas cidades.

Acompanhamos ainda um novo ciclo de educação para empreendedores (inclusive nas universidades e faculdades), ao mesmo tempo, com empresas pensando cada vez mais produtos/serviços ligados ao DNA das startups, e investidores buscando os melhores potenciais. Mas isso tudo é um mundo novo para muitos. Mercado é global e exige uma abordagem global. Não pensar desta forma é perder a grande chance de mudar e qualificar a realidade econômica local.

E não podemos negar que várias entidades juntas ou separadas desempenharam um importante papel nesse processo (vejo isso por estar dentro de uma aceleradora). Tivemos ainda uma presença mais forte no ecossistema de instituições tradicionais, que este ano mostraram uma percepção mais apurada de que startups podem contribuir muito na área de inovação, diminuindo custos de pesquisa e desenvolvimento, refletindo um importante e necessário fomento para o setor. Anotem: muita coisa vem por ai neste quesito “instituições tradicionais”.

Com a Start You Up não foi diferente. Em parceria com o Parque Tecnológico de Itaipu, conseguimos dar mais um passo adiante nessa formação com a implantação do LEAN Start You Up, um novo programa de educação empreendedora que tem como objetivos principais ser o suporte para os primeiros passos para aqueles que querem empreender e a mola mestra para os que já estão consolidados no mercado, que precisam reaprender a empreender dentro de suas organizações.

O conjunto dessas ações fazem de 2014 um ano histórico para o nosso ecossistema, mostrando a evolução do nosso mercado, do pensamento empreendedor e da consciência de empresas cada vez mais competitivas. Acredito que passamos do momento de euforia e do empreendedorismo tido como moda para encarar com a seriedade necessária a inovação da economia de base tecnológica do país. O ano de 2015 chega com o desafio de não deixarmos a peteca cair, para que finalmente façamos algo grande, como as startups internacionais.

Que venha 2015, 2016 e os próximos anos de muito aprendizado, inovação e investimentos.

*Artigo por Marcilio Riegert, CEO da Start You Up Accelerator

Imagem: Investment success as a business concept for growing via Shutterstock