Você já deve ter escutado o termo “Eureka, Eureka!”. Ele foi utilizado pela primeira vez por Arquimedes (287 – 212 a.C.) que, ao tomar banho em sua banheira, descobriu que o volume de qualquer corpo podia ser calculado medindo-se o volume de água movida quando o corpo é submergido na água. Desde então, a expressão tem sido muito utilizada como celebração de uma descoberta, um achado, o fim de uma busca.

O empreendedorismo segue a mesma linha, cuja expressão é utilizada por pessoas que tem uma grande ideia. O fato é que as coisas mudam e, como tudo nessa vida, precisam estar alinhadas à realidade em que vivemos. Hoje em dia, o insight é apenas um estopim do processo e o verdadeiro “Eureka” é dado ao se colocar em prática essa ideia com sucesso. Nesse sentido, podemos dizer que a vida do empreendedor é feita de “Eurekas”. Dormir com uma ideia e acordar com atitude passa a ser mais que um mantra a ser seguido no mundo dos negócios, passa a ser uma obrigação para fazer a diferença. Pra variar, esse não é um processo fácil.

Sair do campo das ideias para a realidade é mais uma das difíceis tarefas que o empreendedor precisa desempenhar. É aí que entra a criatividade como diferencial competitivo potencializando a chamada Economia Criativa, definida por John Howkins (2001, “The Creative Economy”) como as atividades nas quais resultam em indivíduos exercitando a sua imaginação e explorando seu valor econômico. Estamos falando de vários segmentos como audiovisual, artes visuais, design, música, comunicação, software, games, startups, entre outros. Uma das maneiras de explicar o potencial da criatividade nos negócios está no entendimento da lógica de algumas palavras que ocorrem com muita frequência nos processos de inovação e empreendedorismo: perguntas, problemas, respostas e soluções.

Segundo o professor Sílvio Meira, existe uma falsa ideia de que quem tem a resposta a uma pergunta tem a solução para um problema e isso não chega perto da realidade. Perguntas têm respostas certas ou erradas, entretanto essa dualidade não cabe para problemas que possuem soluções mais ou menos adequadas. Para ele, há uma distância muito grande entre uma resposta e uma solução, se não houver um processo de inovação para transformar o primeiro no segundo. Quando isso ocorre, o próximo passo é empreender a solução como negócio no mercado para resolver o problema inicial.

E onde entra a criatividade? É a partir dela que o ciclo é reestabelecido. É ela que vai nos ajudar a transformar problemas em novas perguntas a serem respondidas, ou seja, em oportunidades. No Brasil, atualmente, a maioria das pessoas empreendem por oportunidade, realidade diferente de anos atrás, quando a necessidade era o principal motivo. Ser criativo significa ser capaz de criar novas oportunidades. O meme “likeaboss” da internet evidencia essa situação representando ações nas quais as pessoas se sentem como chefe, com poder e dono da situação. O conhecimento, a informação, o relacionamento, tudo isso está ao nosso alcance.

Além disso, muitos fatores convergem a favor dos criativos na transformação de ideias em negócios inovadores como as novas metodologias dinâmicas de desenvolvimento e gestão, a inteligência compartilhada e o pensamento coletivo como essenciais na nova economia, a tecnologia potencializando a validação de ideias, bem como a facilidade de comunicação com potenciais clientes antes mesmo da concepção do negócio. Portanto, criatividade combina com atitude. E atitude com resultados. Durma com essa ideia.

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