O modelo das aceleradora surgiu nos EUA, com a IdeiaLab ou a Y-Combinator. Hoje há uma variedade grande de ‘aceleradoras’ nos EUA, no Brasil, no mundo. Escrevi há respeito no ano passado, com um post sobre aceleradoras na Europa.

Se você pensa que as aceleradoras são ‘a solução’ para promover inovação, está enganado. Não existe ‘a solução’, qualquer solução é sistêmica, há muita coisa acontecendo e novos modelos continuarão a surgir. À medida em que um ecossistema de inovação se desenvolve, ele se torna cada vez mais complexo, com diferentes tipos de organizações e papéis – aceleradoras, fundos, conectores, incubadoras, redes de anjos, mentores, espaços de co-working, construtores de empresas, hacker espaces, escolas etc.

Um dos novos modelos que está crescendo agora nos EUA é o dos “startup labs”. Ainda não vi nada desse tipo no Brasil – se alguém conhecer não deixe de escrever, avisar, comentar com a gente. Esse modelo tem as seguintes características:

  • Está vinculado a uma universidade;
  • É de ‘uso’ exclusivo dos estudantes, não é aberto para participação externa;
  • Os estudantes formam times e submetem propostas, que são selecionadas por um comitê/painel;
  • Possui uma infra física, como um co-working space;
  • O período de permanência no lab é bem mais longo que o ciclo típico de aceleração de 3 meses;
  • A participação é paga pelos alunos, mas o custo é subsidiado pela universidade;
  • O lab e/ou a universidade não ficam com participação no capital nas empresas que forem formadas;
  • O lab tem um gestor que vem do mundo de negócios, startups, investimentos… No geral, trata-se de um empreendedor experiente, que mobiliza a sua rede pessoal para engajar nas atividades do lab outros profissionais experientes;
  • Os times tem acesso a workshops sobre startups, tecnologia, mídia, negócios etc. e variadas atividades de networking com investidores e empreendedores.

Uma das instituições americanas que recentemente criou o seu Startup Lab é a Columbia University, em Nova Iorque. A operação foi iniciada em maio de 2014 e já conta com 33 empresas, de diferentes áreas (têxteis e confecções, ciências da saúde, comércio eletrônico, web, etc.), na sua maioria dedicadas a negócios tradicionais e não intensivos em ciência. Cada empresa paga US$ 150.00 por mês para participar do lab e o período de estadia é de um ano.

O Startup Lab é é uma ação do Columbia Entrepreneurship Office. Resulta de uma iniciativa conjunta de cinco escolas da Universidade: Engenharia, Direito, Jornalismo, Negócios e International Public Affairs (SIPA). Foi criado com um investimento inicial decidido pelos diretores dessas escolas da Columbia, cada uma fez um aporte inicial para viabilizar o investimento para a implantação do Startup Lab.

O Centro e o Lab são gerenciados por Dave Lerner, um empreendedor e investidor experiente, que fundou e investiu em empresas de biotecnologia, web e outras. Antes do Entrepreneurship Office, David respondia pelo Columbia Tech Ventures, o braço de venturing da Universidade, que investiu em dezenas de spin-offs da universidade – Columbia fica com um percentual entre 5 e 10% do capital das empresas nas quais investe.

Harvard, New York University, Arizona State University e outras tem operações similares. Dave Lerner prevê que em breve toda grande universidade americana terá um startup lab. Se a ideia básica é fomentar o empreendedorismo, é fator crítico de sucesso que a operação do Startup Lab seja tocada por gente que tem experiências em negócios e possui relações com empreendedores e investidores.

Deixo uma pergunta final para você refletir: por que isso é muito difícil ou quase inexistente no Brasil? Esse será assunto de um outro post.