Várias empresas já tentaram os mais variados métodos de controle de produtividade nos computadores de seus funcionários. Afinal de contas, com a enorme oferta de distrações disponíveis no mundo hoje, é muito fácil ver algum trabalhador com potencial desperdiçando tempo na internet.

Para tentar contornar esses problemas, nasceu a Doingcast, um software que o gerente da empresa pode instalar no computador de seus funcionários para ter um controle completo do que eles estão fazendo.

“Ele monitora tudo que o colaborador faz, desde processos abertos, teclas digitadas, qual a janela ativa e, principalmente, os screenshots da tela a cada minuto. Toda informação é criptografada e enviada à nuvem segura do Google, para que o chefe/gerente da empresa tenha acesso 24 horas, 7 dias por semana a tudo que foi feito”, explica a empresa.

A ideia justamente partir da necessidade de um dos fundadores, Roberto Civille, de acompanhar o trabalho de cada sócio em uma empresa anterior.

Em outubro de 2013 ele deixou a operação de outra startup, a Intoo, e convidou Fernando Freitas Alves (ex-CTO da B2Blue, empreendedor e desenvolvedor há 11 anos) para ser seu sócio.

Em fevereiro deste ano lançaram o beta fechado e em maio abriram o beta para que qualquer empresa possa utilizá-lo. Atualmente eles cobram planos mensais a partir de US$ 50 e oferecem o primeiro mês gratuitamente.

Desde o surgimento da Doingcast, eles trabalham sem investimento, vivendo apenas com a receita gerada por trabalhos freelances. Civille atua também como Developer Advocate do Evernote no Brasil e, junto com o time de sua startup, foi convidado a participar do TechCrunch Disrupt e Evernote Conference, no Vale do Silício, onde estão trabalhando e pretendem ficar até o fim do ano.

doingcast

E nesta segunda-feira eles venceram o hackathon da Concur , uma startup de soluções empresariais, no TechCrunch Disrupt. Isso é só uma parte do que eles estão experimentando em San Francisco. Nós conversamos com eles sobre muito mais, dá uma olhada:

Quanto de investimento vocês procuram?

Não é uma informação pública. Existem vários panoramas possíveis, inclusive.

Quantos clientes já têm?

Não é uma informação pública. Estamos bem satisfeitos com o interesse global da ferramenta, especialmente em países semelhantes ao Brasil.

Os funcionários das empresas oferecem muita resistência à implantação do serviço?

Já existiu receio em relação à forma do patrão comunicar isto aos funcionários, mas orientamos como esta comunicação deve ser feita. Em alguns países não é necessário nem avisar, mas achamos sempre de bom tom. Já a resistência por parte dos funcionários, não registramos nenhuma até agora.

O que mudou desde que vocês foram para o Vale?

A maneira de pensar em relação a vários aspectos da empresa, principalmente em contato com uma cultura muito mais receptiva a novas ideias. Foi consolidada a noção que estamos procurando investimento de forma séria, partindo de produto feito e clientes satisfeitos, para dar prosseguimento aos planos da empresa.

Por que estão procurando investidores aí?

Porque no Brasil nenhum anjo teve uma postura condizente com nosso estágio. Não estamos vendendo um sonho (estágio comum na captação) antes de testar resultados, e sim captando dinheiro para expandir de acordo com o que já vimos de resposta do mercado.

Você acredita que um serviço como o Doingcast pode inibir a criatividade dos funcionários em algumas áreas?

Profissionais criativos, por definição, precisam de tempo para ler, pesquisar e experimentar. Entendemos que a proposta do Doingcast é justamente o que ajuda estes profissionais a não procrastinar, mas mantendo acesso a tudo que é necessário (ao invés de soluções que só contam tempo ou firewalls que simplesmente bloqueiam acesso a tudo).