Adoro música brasileira mas o maestro Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim que me perdoe: o Brasil é para principiantes, sim.

É, só eu sei, quanto ardor relatei. Já vi muita coisa e nesses seis anos já mostrei no Startupi tudo que é tipo de inovador, conectando elos desta nova elite movida pela chama da inovação acima de tudo. E esta comunidade é o melhor do Brasil, eis que detém o único verdadeiro poder: o da realização.

Já vi muita gente queimando de vontade de ir para o Vale do Silício começar seu negócio, mas vou dizer uma coisa: é o Vale do Silício que não é para principiante! Muito se engana quem acredita que lá é o melhor lugar onde uma startup pode nascer. O Vale do Silício é o melhor lugar para uma startup que em primeiro lugar já firmou o pé, fincou bandeira no mercado e, em segundo lugar, vai precisar e conseguir crescer de forma vertiginosa. Lá, é sobre crescer forte, não sobre experimentar.

Este editorial foi lançado na newsletter do Startupi: 
assine para receber um resumo da semana anterior e dicas para a semana seguinte!

Falando em experimentar, os grandes desenvolvedores, empreendedores e investidores estão todos no meio do deserto experimentando o que descrevem na mídia como “auto-lavagem cerebral”: não é o Techcrunch Disrupt que renova o Povo do Silício em setembro; eles aparecem no evento daqui a uns dias com toda aquela energia visionária porque neste momento estão fritando no festival Burning Man, pagando verdadeiros aportes financeiros por caprichos como serem guiados para os eventos mais malucos da madrugada. (Exceção: nosso colunista deve estar economizando por lá).

the_burning_man

Quem acompanha o movimento das startups no Brasil percebe que políticos de algumas cidades e regiões começaram a ir atrás dos empreendedores inovadores, passaram a criar programas de apoio, e São Paulo tinha ficado para trás, perdida no tempo. Muita gente também acompanhou no Startupi a transmissão do evento de sexta-feira, no qual a prefeitura lançou o programa Tech Sampa, 25 anos depois de a World Wide Web estar disponível para ser explorada comercialmente. E, pasmem, não vai ser na Avenida Paulista, na Faria Lima ou na Berrini. Nem na Cidade Universitária. Vai ser no Vale do Anhangabaú, pertinho da Galeria do Rock e do verdadeiro shopping center a céu aberto aberto na Rua 25 de março. Pertinho do Teatro Municipal e do destino dos compradores nerds – a Rua Santa Ifigênia.

Clique em “playlist” para ver todos os vídeos desta galeria.

No meio de tanta coisa que a gente já está cansado de ouvir, eis que surge uma pérola no meio do evento. O vice-presidente da Softex, Ney Leal, propôs o artista Raul Seixas, já conhecido como Pai do Rock Brasileiro, agora também como Patrono das Startups Brasileiras. Leal listou vários títulos de canções que o eterno Maluco Beleza viralizou em seus 25 anos de carreira, encerrada com sua morte há 25 anos:

  • Maluco Beleza;
  • Tente outra vez;
  • Metamorfose Ambulante;
  • Aos trancos e barrancos;
  • Faça, fuce, force;
  • S.O.S.;
  • É fim do mês;
  • De cabeça pra baixo.

Concordo com a visão! O rock queima de paixão igual ao empreendedorismo, o rock é atitude, o rock foi incompreendido, o rock foi anti-herói. Um dos livros mais populares no meio startup nos últimos anos chama-se Burning Entrepreneur por um motivo.

Muita gente já estava reclamando sobre o Tech Sampa nas mídias sociais antes mesmo de os termos do programa serem apresentados, mas é claro que só saberemos se o programa é bom depois de vê-lo rodar umas duas vezes, ao menos. O decreto completo do Tech Sampa está aqui, e aqui abaixo estão vídeos com as falas do prefeito, Secretário de Finanças, Secretário de Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo, representantes do SP Negócios, BNDES, Softex e Brasscom.

Considerando que 90% das startups falham, falem, quebram, e que ajuda sempre vem bem, então creio que o Sampa Tech vai conseguir adicionar valor à cadeia empreendedora, ao ambiente de inovação, ao ecossistema de startups, à intensidade da disponibilidade de talento, capital, tecnologia e relacionamento. Se me perguntassem quanta diferença eu creio que o programa vai trazer ao nosso mercado, eu diria com o número que mais apareceu aqui neste post: 25 por cento de diferença. Já é mais que o dobro da média de probabilidade de vida de uma startup.

Espero é que não leve 25 anos para reconhecermos que, para iniciar uma startup, só tinha de ser com você, SP. Em pleno Anhangabaú, não na Califórnia.