Se você é um leitor do Startupi ou está inteirado no universo de startups, provavelmente já ouviu falar em Bel Pesce. Se ainda não, aqui vai um resumo rápido: paulista de 26 anos; estudou no MIT, trabalhou no Google, Microsoft e Deutsche Bank; empreendeu no Vale do Silício. Voltou ao Brasil em agosto de 2013 logo depois de lançar seu primeiro livro “A Menina do Vale”, que teve mais de 2 milhões de downloads e logo na sequência criou a FazINOVA, uma escola de empreendedorismo com cursos online e offline; lançou mais um livro chamado “Procura-se Super-Heróis”; e, no último sábado (23), publicou oficialmente mais um livro “A Menina do Vale 2”. Você pode ler mais no site dela.

Durante esse um ano e meio em que Bel ficou no Brasil, ela teve não só a oportunidade de fazer tantas coisas, mas principalmente de ganhar a mídia brasileira, motivar pessoas e se tornar referência quando o assunto é empreendedorismo e inspiração.

Sua escola, que oferece cursos online gratuitamente e presenciais pagos, já tem mais de 40 mil alunos vendo as aulas pela internet e conquistaram mais 2 mil alunos frequentando os cursos presenciais.

“Eu queria dar um passo além da inspiração. É claro que um livro ou um filme inspiram, mas depois o cara pode voltar à vida normal que ele tinha antes. Por isso criei a FazINOVA: para ajuda a pessoa pegar seu sonho e seus talentos e perceber com eles se intersectam com o mercado, para depois lançar coisas que mudem a vida das pessoas”, comenta Bel.

Com um discurso muito mais voltado ao pé no chão do que no motivacional, Bel defende que os próximos passos tanto em sua carreira quanto para a construção de um ambiente empreendedor no Brasil estão em desmistificar esse universo.

“Acredito que as características dos brasileiros fazem dele um ser naturalmente empreendedor, mas não em relação ao hype do momento e sim à aplicação mesmo. Para empreender é necessário estômago, não é algo glamoroso principalmente no Brasil onde as leis não ajudam e há muita gente safada. É claro que isso existe no mundo todo, mas aqui o jeitinho brasileiro atrapalha sim quem quer fazer algo sério”, comenta.

Com o objetivo de ajudar as pessoas a se conscientizarem desta realidade, Bel investiu em algumas séries específicas para seus cursos online – que muitas vezes são patrocinados por marcas. Uma delas é o #Fail, em que empreendedores compartilham as dificuldades e falhas que tiveram até chegar ao sucesso. Há ainda outras séries, como o Livro Express, em que se resume livros, ou o Caderninho da Bel, o vlog diário da empreendedora.

O próximo passo da FazINOVA é lançar uma rede social onde pessoas poderão contar seus sonhos e logo serão conectadas a conteúdos e indivíduos que podem colaborar com elas. A versão atual do site da escola já tem um pouco de cara de rede social, cheio de recursos de gameficação para incentivar os usuários a estudarem e interagirem. Além disso, eles contam com aplicativos para Android e iOS. “Nos próximos dois meses você vai ver uma atualização bem grande, bastante focada em sonhos”, garante Bel.

O livro

No último sábado Bel Pesce estava na Bienal do Livro lançando “A Menina do Vale 2”. Hoje, três dias depois, o livro já teve 9 mil downloads. “O livro é super focado em como responsabilidade e empreendedorismo são sinônimos. O pessoal acha que é festa porque não tem chefe… gente, não é isso. Eu morro para ser empreendedora. Quem é empreendedor no Brasil se mata para fazer acontecer, é muito difícil”, conta.

“De qualquer forma, acho que é bom e há quem quer sim fazer as coisas acontecer. Também acho que há uma porcentagem alta de pessoas que querem entrar no empreendedorismo pelas razões erradas. E eu, como uma pessoa que tem uma atribuição alta, vocês do Startupi que são vistos como autoridade no tema, e muitos outros, temos a obrigação de acabar com a mistificação ao redor do tema”, defende.

Junto com o livro, Bel fará um projeto chamado “Legado”, uma tour realizando uma palestra em cada capital do país no período entre outubro e dezembro deste ano. As datas você pode conferir aqui. Depois disso, ela compartilhará suas opiniões sobre quais são os passos que o Brasil deve tomar para se tornar um país melhor e mais empreendedor. Mas ela já dá a dica: “Acho que é necessário reduzir a burocracia, que é errada e dificulta muito mesmo, mas acho que isso a gente está mudando aos poucos. O que precisamos mudar imediatamente é o jeito de pensar, já que o Brasil não tolera erros. Precisamos mostrar o que é empreender de verdade, porque aí o mindset muda. Felizmente, tem cada vez mais gente melhorando esse cenário”.