Por Brian Requarth, co-fundador e CEO do VivaReal

Uma startup pode buscar diferentes tipos de investidores dependendo da fase do negócio. Eu acredito que o contato deva sempre se iniciar por família e amigos. Em inglês, brincamos que os primeiros a apostar na nossa ideia são “friends, family and fools” (amigos, família e trouxas), mas na verdade é muito importante contarmos com essas pessoas de confiança neste momento, já que ele é também de nosso amadurecimento como empreendedores.

Em segundo lugar, deve-se aproveitar o ecossistema de investidores anjo, que está crescendo bastante. São pessoas que normalmente possuem muita experiência em mercado de internet e estão dispostas a impulsionar as melhores ideias. Um recurso útil para encontra-los é o site angel.co, no qual estão cadastradas várias pessoas interessadas em oportunidades e projetos. Infelizmente, ainda vejo um gap em relação a investidores anjo no Brasil. Eu acredito fortemente que nos próximos cinco anos vamos ver muitos negócios sendo bem sucedidos, sejam por relações comerciais ou IPOs. Quando isso acontecer, vai gerar liquidez para os fundadores e suas equipes iniciais. Estes empresários bem sucedidos irão então investir em novos empreendimentos promissores, oferecendo suporte e experiência. Este capital semente, combinado com a experiência de construir um negócio a partir do zero, tem um papel fundamental para orientar novos empreendedores.

A maioria dos investidores anjo no Brasil são indivíduos ricos, mas a maior parte do dinheiro que eles têm, vem de negócios tradicionais. Uma onda de companhias de sucesso está sendo construída e vai permitir que apareçam mais investidores que já estiveram no papel de empreendedores de tecnologia. Além disso, empreendedores de sucesso que passaram por isso antes podem ser úteis para encontrar investidores de risco, uma vez que empreendedores ou executivos em tecnologia construíram sólidas relações com investidores.

Por fim, chegamos aos recursos institucionais, que são os fundos de Venture Capital. Este é um foco a ser pensado após a empresa ter experimentado algum crescimento e já ter seus produtos e serviços mais bem aprimorados. No caso do VivaReal, nós primeiro levantamos investimentos de antigas operadoras de portais imobiliários e investidores anjo com experiência no mercado, o que foi útil para identificarmos a melhor estratégia. A partir daí tivemos nossa primeira rodada de investimento (Séries A), co-realizada pela Kaszek e pela Monashees. Nós optamos por fundos locais, uma vez que possuem experiência na região. Muitos investidores dos Estados Unidos não conhecem o ambiente de negócios do Brasil e durante os estágios iniciais do empreendimento existem desafios que tornam interessante ter investidores locais. Por exemplo, tentar explicar para um investidor internacional porque utilizamos boletos para receber pagamentos pode ser bastante frustrante. Fundos locais entendem os meandros de ter uma empresa no Brasil e são também mais mão na massa para buscar parcerias. Nas Séries B, nós atingimos valores maiores com Valiant Capital e Dragoneer, hedge funds dos Estados Unidos. Decidimos trazer investidores com “bolsos maiores”, no caso de optarmos por levantar grandes somas de dinheiro para aquisições ou outras estratégias mais agressivas, o que nos dá flexibilidade.

Como engajar investidores no seu negócio

É preciso saber que investimento não vem apenas se você tem uma boa ideia. Você precisa mostrar algum progresso em planejamento e, obviamente, ter uma oportunidade de mercado bastante grande para justificá-lo. O primeiro passo é focar em seu cliente e mostrar a real necessidade de seu produto ou serviço.

Também é importante considerar que o engajamento com seu investidor não termina quando você obtém o dinheiro. Diferentes investidores possuem diferentes papéis no aconselhamento da empresa. Tenho alguns investidores com os quais converso com bastante frequência: não temos reuniões mensais, mas eu falo individualmente com cada membro do conselho pelo menos uma vez por mês.

Até agora, nosso conselho demonstrou muita confiança em nossa equipe gestora e eles chegaram em um bom balanço entre nos ajudar quando podem e ao mesmo tempo deixar que levemos o negócio à frente do nosso jeito. Estou feliz com o grupo de conselheiros que temos, uma combinação de antigos executivos de startups e investidores financeiros.

Investimento não é tudo no sucesso de uma startup

Apesar de ser importante para alavancar sua empresa, não fique obcecado em encontrar um investidor. No início de um empreendimento é preciso tentar, conhecer, experimentar – e por incrível que pareça, não precisa de dinheiro para isso, apenas vontade e persistência!

Quando os investimentos chegarem, será a vez de escolher o melhor caminho para empregá-lo. No caso do VivaReal, nossas principais prioridades são desenvolvimento de produto, marketing e contratação de talentos. Foi assim que nós construímos um dos melhores times de executivos em startup no Brasil. Ainda assim, eu ainda sinto que estamos apenas começando e temos muito a melhorar!

Imagem: Investment Success via Shutterstock