Brasília é uma cidades com maior renda per capita do Brasil. Dentre as capitais é aquela com o segundo maior PIB per capita, indicam os dados do IBGE. Ou seja, tem dinheiro. Mais do que isso, tem uma população jovem e qualificada.

Nem todo mundo trabalha ou trabalhará no governo. O que esse pessoal qualificado que nasceu e estudou em Brasília faz ou fará da vida? Por que não criar novos negócios e tecnologias? Foi pensando nisso que um grupo de executivos, empreendedores e pesquisadores de Brasília resolveu agitar e criou o Instituto Illuminante.

Conversei há alguns dias com o Marcos Nascimento, Presidente do Illuminante e CEO do Grupo 954. Veja a entrevista abaixo.

O Illuminante foi criado em 2013 e tem por ambição mudar o ambiente de tecnologia e startups de Brasília. Para isso, Marcos e equipe estão dando início a uma série de iniciativas e criando alguns instrumentos para fazer isso acontecer, como um fundo de investimentos, uma escola de líderes e uma aceleradora, dentre outros.

A ideia é adotar uma abordagem sistêmica para o ‘design’ do ecossistema local. O diagnóstico é que criar um fundo de forma isolada não adiantaria, o mesmo valeria para uma aceleradora, um bootcamp para empreendedores ou outro instrumento qualquer. A iniciativa tem certa similaridade com a abordagem de ‘projeto’ de ecossistemas de inovação do Victor Hwang, autor do livro “Rainforest: the Secret to Building the Next Silicon Valley” (livre tradução, ficaria “Floresta: o segredo para construir o próximo Vale do Silício“).

O Marcos tem trabalhado na construção do modelo considerando bastante a sua experiência como executivo e empreendedor. Além de ser CEO e fundador do Grupo 954, que fornece serviços e tecnologia de BI para corporações, ele tem investido em diferentes startups, como a Izie e a OtimicarCar. Daí surgiram duas ideias chaves para o projeto em Brasília:

  1. O Brasil tem profissionais e empreendedores fantásticos, muitos jovens qualificados a fim de criar empresas. Esse pessoal (vocês que estão lendo aqui) tem muita energia, mas muitas vezes não tem a experiência necessária para ‘fazer virar um negócio’. Isso é diferente do ambiente dos EUA, por exemplo. O que isso significa? Que é preciso formar os empreendedores para que se tornem executivos! Para um ambiente novo como o de Brasília é ainda mais importante;
  2. É mais fácil dar escala e fazer crescer um startup a partir da plataforma de negócios de um parceiro corporativo do que sozinha no mercado, correndo atrás de clientes/usuários pulverizados e investidores. É uma abordagem mais para B2B do que B2C. De alguma forma, é bem próxima do modelo do IEC, sobre o qual escrevi aqui no Startupi, no início de 2013. Também lembre o modelo da Gema.

Essas duas ideias tem servido como parâmetros de projeto. A previsão é que o Illuminante inicie o seu primeiro ciclo de aceleração em janeiro de 2015, com 5 startups. As inscrições para os interessados ocorrerão a partir de outubro. Fique ligado!

Enquanto avança no projeto, o time do Illuminante tem realizado vários eventos sobre startups, inovação, design, tecnologia, sempre às terças-feiras. No dia 19 de agosto houve mais uma Terça da Inovação, com o tema inovação, empreendedorismo e design thinking.

A ideia de mobilizar gente qualificada para agitar a cena de startups e tecnologia em uma ‘cidade de governo’ não é nova. Washington tem uma super cena de startups e de tecnologia, que cobrem várias áreas além do mundo digital.

Vamos ficar de olho para ver o que acontece em Brasília!