Na última quinta-feira, 31, a aceleradora carioca/nova-iorquina 21212 realizou em São Paulo uma edição do Investors Day. O evento, que aconteceu no auditório da IBM, apresentou várias startups aceleradas pela empresa e que se encontravam em diferentes estágios de maturação, mas compartilhavam da mesma característica: procuram mais investimento.

Empreendedores, mentores e, é claro, principalmente investidores estavam atentos para ver as melhores oportunidades lá apresentadas.

Antes de os empreendedores subirem ao palco e fazerem suas pequenas apresentações (conhecidas como pitches), também falaram Marcela Vairo (executiva de alianças da IBM), Marcelo Sales (co-fundador da Movile e da 21212) e Fabrício Bloisi (CEO da Movile).

Todos defenderam a importância dos investidores colocarem dinheiro nas startups. “Os executivos mais experientes têm responsabilidade por essa geração de empreendedores”, defendeu Sales. “Queremos conscientizar vocês de que o número de investidores não tem acompanhado o de startups nem o potencial do mercado”, disse.

Bloisi argumentou pela mesma linha, defendendo que “A próxima empresa de US$ 100 bilhões está começando agora, e não necessariamente na Califórnia”. Inclusive, ele afirmou que a Movile, uma startup em nível mais avançado, irá investir em mais 5 empresas somente nesse ano.

Com o terreno preparado, entraram as startups. Resumindo, eis alguns dos pontos que elas apresentaram e achamos interessante destacar:

Razoom

Apresentada por Aloisio Moraes, CEO da empresa que se diz uma plataforma focada em empresas (B2B) para passeios turísticos.

Ele diz que hoje, quando alguém vai viajar, ela já tem plataformas e serviços para agendar hotel e passagem de avião, mas nada muito sólido para programar os passeios, que ainda são agendados de formas analógicas e ultrapassadas.

Por isso eles construíram um marketplaces onde profissionais de turismo conseguem vender, de forma simples, seus passeios.

Ele argumentou que esse é o terceiro maior setor dentro da área de turismo, um mercado com potencial de US$ 80 milhões. Estava procurando R$ 600 mil em investimento

A plataforma conta com dois modelos de negócios e ainda vai estrear um terceiro. Um dos dois já em funcionamento, basicamente é ferramenta para gestão de agenda onde as empresas que oferecem os passeios e podem contar com um modelo freemium – com acesso gratuito a limitados recursos. Os clientes também podem comprar os pacotes das empresas diretamente na plataforma, que cobra uma comissão de 3% + R$ 0,60.

Responde Aí

A plataforma de educação online foi apresentada por Paulo Monteiro, co-fundador da empresa.

O negócio deles, basicamente é oferecer conteúdo para universitários estudarem online e terem melhor desempenho em suas faculdades.

Em um país com 6,7 milhões de universitários, há uma taxa de evasão de 1 milhão de alunos. Eles acreditam que muitos largam as aulas graças à dificuldade dos estudos e que sua plataforma irá sanar esse problema em um mercado projetado em R$ 1,25 bilhão.

Por isso, cobrando uma assinatura de R$ 15, oferecem ao estudante um guia completo da matéria. Se houver a demanda de 25 assinantes, eles já produzem o conteúdo de determinado assunto – e com mais 5, customizam o material para determinada faculdade.

Para validar a ideia, apresentam alguns números interessantes. A Responde Aí já atendeu 31 faculdades oferecendo 3 disciplinas diferentes. Mais de 1 mil alunos estudaram pela plataforma, sendo que 25% acabou pagando. Dos que assinaram, 60% voltaram a pagar pelo serviço.

Eles já tiveram investimentos da Geras Ventures, da Arpex e participaram do programa público-privado Startup Brasil.

MaxMilhas

Apresentada por Max Oliveira, CEO da startup, que se apresenta como um marketplace de milhas aéreas. Na plataforma, os usuários podem vender as milhas uns aos outros, barateando os custos de viagens.

Oliveira argumenta que, todos os anos, são perdidos o equivalente a R$ 3,6 bilhões de reais em milhas aéreas que não são utilizadas.

Tentando sanar esse mercado, eles já ofertaram R$ 3,5 milhões a a 8.500 usuários ativos – e com um crescimento mensal de 30%. Ainda segundo o empreendedor, 73% dos clientes avaliaram o serviço como “ótimo”.

Agora, eles procuram R$ 1 milhão em investimentos.

TOS+

Marcos Barcellos, CEO da empresa, deu um rápido panorama mostrando como o Brasil é carente de organização nos sistemas portuários. Em seguida, apresentou o seu serviço, que oferece diversos recursos para sanar as dificuldades logísticas dos portos.

Ele afirma que esse é um mercado bilionário, onde tem apenas 3 concorrentes, mas que não são tão completos quanto sua plataforma.

Seu modelo de negócios é focado em licenciamento do software, manutenção recorrente e módulos complementares. No evento, procurava aporte no valor de R$ 700 mil para escalar.

PagPop

Uma das veteranas do dia, foi acelerada pela 21212 há 3 anos. Apresentada pelo CEO Marcio Campos, a plataforma de pagamentos mobile já tem 100 mil clientes – em 2012 eram 23 mil.

O sistema deles é focado em pequenas empresas e profissionais liberais, permitindo que eles aceitem pagamentos em cartões de crédito e débito diretamente no celular.

Em junho, sua receita líquida foi de R$ 345 mil e eles crescem 18% ao mês.

Apesar de terem grandes concorrentes, Campos afirma que se destaca porque sabe como chegar e atingir os pequenos clientes, espalhados pelo país.

No evento, procuravam investidores para sua Série B (segunda rodada de captação).

GoBooks

Plataforma para aluguel de livros universitários. Apresentada por Marcus Teixeira, a empresa se propõe a ajudar estudantes que não podem ou não querem arcar com os altos custos financeiros da bibliografia universitária.

O serviço permite que os estudantes aluguem por um semestre os livros de seus cursos (todos com as últimas edições) e recebam o material em suas casas. Segundo Teixeira, a economia pode chegar até a 70%.

Em 1 ano, eles começaram a trabalhar com 3 universidades (todas cariocas), onde alugaram mais de 2 mil livros – com uma média de 1,8 por universitário.

Agora, abriram escritório em São Paulo (já tinham no Rio de Janeiro), pretendem lançar alguns livros online e, é claro, também procuram mais aportes – no caso, de R$ 1,2 milhão.

We Do Logos

Marketplaces para designers gráficos. Com um sistema batizado de “concorrência criativa”, eles permitem que empresas peçam por um logo e os profissionais concorram entre si para conquistar o cliente.

Cobrando uma taxa de 30% de comissão sobre o pagamento eles já têm 80 mil usuários. Além disso, há 45 mil freelancers. Segundo a empresa, eles já repassaram 4,5 milhões aos trabalhadores.

Agora, diversificam sua base de ofertas para além do design: também vão oferecer conteúdo, programação e marketing digital. Querem R$ 1,5 milhão em investimento.

Superplayer

Gustavo Goldschmidt, um dos co-fundadores da empresa, apresentou a plataforma de música que hoje já conta com 600 mil usuários ativos ao mês.

A ideia do serviço é ser tão simples quanto um rádio, mas com certo nível de personalização. Apostando em curadoria musical e em playlists eles conseguem concorrer com os promissores serviços de streaming

Eles dizem que, apesar de nunca terem investido em marketing, 3,5 milhões de pessoas já passaram pela plataforma.

O modelo de negócios aposta no freemium – propondo ao usuário pagar uma mensalidade de R$ 6,00 para ouvir as músicas sem propaganda.

Já tiveram R$ 1,5 milhão em investimento.