John Abott é um norte-americano que resolveu trocar o Vale do Silício pelo Brasil. Junto com Song Kim, ele fundou, em fevereiro deste ano, a Vamo, startup focada em venda de ingressos para o mercado de eventos.

A dupla reuniu investimentosde R$ 4,5 milhões. Metade veio do bolso de Abott, e o restante de investidores tanto no Brasil quanto em San Francisco. Com o aporte, montaram sua equipe de 13 pessoas para criar o aplicativo que pretende mudar o mundo do entretenimento.

“Com foco em eventos de médio e pequeno porte, a Vamo soluciona o problema de ticketagem e entrada de eventos por meio de uma plataforma móvel que permite a compra de ingressos e a utilização de smartphones para validação dos mesmos. As transações de pagamento são feitas em um sistema próprio de pagamento móvel e nenhum dado do usuário fica armazenado no telefone, por questões de segurança. Assim que a compra do ingresso é concluída, o sistema gera um QR Code que deverá ser apresentado na entrada do evento, impresso ou pelo próprio smartphone”, diz a apresentação da empresa.

Outro recurso interessante que eles oferecem é a possibilidade de o usuário repassar seu ingresso para outra pessoa até 6 horas antes do evento. É uma boa, já que hoje, para evitar atividades de cambistas, muitos ingressos impressos são pessoais e intransferíveis.

O organizador que quiser apostar na Vamo para aumentar as vendas pode cadastrar gratuitamente o evento no aplicativo. O lucro da startup fica na cobrança de uma porcentagem em cima dos ingressos vendidos pela plataforma (o valor varia de acordo com o porte do evento, mas a média está em torno de 8%).

Eles estão em um mercado competitivo, com outras boas startups, como a Eventbrite, Sympla e Eventick. Mesmo assim, nos garante Abott, eles se diferenciam pelo foco no consumidor. “Somos uma empresa de tecnologia, com foco na conveniência do mobile. Nossos concorrentes estão mais preocupados em facilitar a vida da organização e nós a do usuário”, diz.

Desde seu lançamento, a empresa já atendeu mais de mil eventos. Segundo Abott, 85% dos ingressos vendidos foram comercializados pelos aplicativos do Android e iOS. “Entregando o ingresso via QR Code, fica fácil resolver a parte logística para a organização. Com o foco no usuário, vamos entendendo seu comportamento e preferência para lhe oferecer eventos cada vez mais relevantes”.

No momento, o serviço está operando em São Paulo (onde está o escritório deles), Porto Alegre, Curitiba, Goiânia e Rio de Janeiro. Questionado sobre planos de globalização, Abott nos diz que pensa nisso, mas ao menos nos 2 próximos anos, o foco será no mercado brasileiro.

De norte ao sul

Aqui vale falar um pouco mais da história de John Abott, já que ele é um desses caras que contraria o senso comum ao trocar o mercado norte-americano pelo brasileiro. Formado em Stanford e com MBA pela Harvard Business School, ele também é presidente do Conselho da Boom Financial, empresa que facilita remessas de dinheiro via uma solução móvel. Ele ainda atuou durante 5 anos até 2014 como CEO da MeetMe, empresa listada na NASDAQ e foi Vice-Presidente de M&A da JP Morgan.

Ele também era CEO de uma rede social chamada Quepasa, focada na América Latina, e que comprou a XtFt, controladora da produtora brasileira de jogos TechFront, sediada em Curitiba.

Após idas e vindas ao país, ele resolveu se debruçar sobre o mercado de pagamentos móveis aqui – onde, segundo ele, havia um gap tecnológico no setor. Logo se juntou a Song Kim, com quem já havia conversado algumas vezes em San Francisco, e criou a PagueMob, de pagamentos.

“Rapidamente percebemos a adoção do serviço por um público jovem, na faixa dos 20 anos. Então pensamos em atender o mercado universitário, começamos a estudar esse mundo e chegamos ao mercado de entretenimentos, quando resolvemos criar a Vamo”, conta.