Depois de 1 ano e meio, a u.sit, empresa de gestão de lista de espera e reservas para bares e restaurantes, está presente em 7 estados brasileiros, chegou a meio milhão de “pessoas sentadas” e se prepara para um novos investimentos. A empresa carioca compartilha outras estatísticas curiosas: segundo ela, o tempo de pessoas que ficaram esperando uma mesa ao utilizar seu serviço já equivale a 8 anos.

Basicamente, o sistema da u.sit permite que o restaurante ou bar gerencie a lista de espera dos clientes usando um tablet ou computador, notificando os clientes por SMS quando a mesa estiver disponível. O cliente pode também acompanhar em tempo real sua posição na lista no próprio celular. O software ainda gerencia as reservas do estabelecimento e envia lembretes de reservas vigente através de SMS.

A primeira rodada de investimento deles veio pelo sócio-investidor Bernardo de Barros Franco, membro do grupo de investidores anjo Harvard Angels. Esta nova captação de recursos vai permitir o desenvolvimento de novos produtos e a expansão de seu canal de vendas, inclusive em outros países da América Latina.

Segundo Franco, a empresa está em conversa avançada com shopping para a implantação do sistema em praças de alimentação. Eles ainda trabalham com grupos de restaurantes com os quais, além de gerenciar remotamente as esperas, fornecem uma base de dados dos clientes para ajudar na gestão e no CRM.

“É gerado um banco de informações com dados como: tempo médio de espera por tamanho de mesa, horários com maior índice de cancelamento, clientes recorrentes e aniversariantes do mês”, explica Franco.

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Veja abaixo nossa entrevista com Bernardo de Barros Franco, falando sobre outras questões da empresa:

Quanto de investimento vocês tiveram até agora?

Fomos acelerados pela Papaya Ventures em sua primeira turma. Além do aporte da Papaya, de R$ 20 mil, e de um capital inicial da empresa. Eu fiz um investimento anjo de R$ 100 mil. O resto veio do próprio negócio que já tinha receita desde seu 3º mês.

Vocês têm concorrentes diretos ou indiretos?

Sim, temos correntes diretos como o iRestaurante, que surgiu mais ou menos ao mesmo tempo que a u.sit e oferece algo semelhante e concorrentes indiretos como os pagers, painéis de senha e até o papel e a caneta, que são as atuais soluções usadas para a gestão da lista de espera dos restaurantes.

Quantos clientes vocês já têm?

Por motivos estratégicos preferimos não passar este número. Mas posso dizer que estamos presentes em bares e restaurantes no Rio de Janeiro, Sao Paulo, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Espirito Santo e no Distrito Federal.

A empresa já se paga?

Sim, atingimos o break even aproximadamente 3 meses atrás.

Quais são os próximos passos e qual o principal objetivo da próxima rodada de investimento?

A ideia é alavancar o nosso esforço comercial e criar novos produtos/serviços. Como oferecemos um produto que representa uma quebra de paradigma na gestão da lista de espera o esforço comercial acaba sendo grande. Nosso cliente não busca por este tipo de solução no Google porque muitas vezes não sabe que existe. E quando conhece tem receio da aceitação da solução no seu estabelecimento. Vencer essas barreiras comerciais tem sido nosso grande desafio e é nessa frente que pretendemos alocar a maior parte dos nossos recursos.

Quais você considera os maiores feitos da empresa até agora?

Acho que o grande feito da u.sit foi ter entrado neste mercado e, em pouco tempo (a empresa tem 18 meses aproximadamente), e com um investimento bastante módico, ter alcançado 7 estados brasileiros, além de ter atendido mais de meio milhão de pessoas. Isso tudo apesar das grandes dificuldades em inovar em um setor tradicionalmente conservador como o de restaurantes.

Existem outras dificuldades como wifi e 3g de baixa; resistência do usuário do restaurante (hostess ou garçom) que não tem intimidade com tecnologia e tem medo em usar o sistema. Focamos no UX e na simplicidade do sistema para contornar estas dificuldades.

Quais são as maiores vantagens e desvantagens do mercado no qual operam?

Apesar de termos boa aceitação com os sócios acabamos tendo dificuldade na ponta, nas pessoas que vão operar o sistema. Isso requer um esforço comercial mais próximo e intenso, um investimento em treinamento do cliente, o que aumenta o ciclo de venda e consequentemente o custo de aquisição. Isso é tanto uma vantagem quanto uma desvantagem. Por ser difícil de entrar, é um oceano azul – turbulento, mas azul.