Uma das coisas que as pessoas falam e ouvem sobre a Copa do Mundo da FIFA é sobre os potenciais benefícios para os negócios. Os ramos de negócios onde mais obviamente se imagina um ganho são transportes, hospedagem e alimentação – os turistas precisam se locomover, se hospedar e se alimentar.

O que não é muito óbvio é que startups inovadoras conseguem tirar proveito da movimentação em torno dos jogos – e não é apenas em áreas relacionadas às que citei. Confira uma série de depoimentos de quem bateu um bolão e marcou pontos.

Este editorial foi lançado na newsletter do Startupi: 
assine para receber um resumo da semana anterior e dicas para a semana seguinte!

A startup Bazar Sports não poderia estar em melhor momento: seu modelo de negócio consiste em vender roupas e acessórios que foram utilizados por atletas famosos – incluindo os de futebol, basquete, corridas, MMA e outros. O aplicativo Pitaco, lançado antes os jogos, viu mais de 70 mil usuários ativos no período da Copa. “A Copa foi ótima para nós: os downloads triplicaram nas últimas semanas e nossa base de usuários cresceu 35%. Estamos preparando coisas novas para depois da Copa”, afirmou o CEO Helder Lourenzi.

Negócios que não endereçam especificamente futebol e esportes também foram impactados positivamente. Breno Moraes, co-fundador do site de passagens de ônibus BrasilByBus está bem posicionado. “Em junho, vendemos tantas passagens quanto no ano passado inteiro, o triplo do mês anterior. Grande parte do movimento é de estrangeiros”, explicou. Tallis Gomes, fundador e CEO do app de chamar táxi EasyTaxi (já disponível em 38 países), é um dos empreendedores felizes com a temporada. “Em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, o app vem sendo usado 5% a mais pelos estrangeiros. Isso significa um monte, porque temos uma base de usuários de dezenas de milhões de pessoas”, comentou. “Além disso, uma empresa de cerveja ofereceu vouchers para cada corrida, como forma de dar as boas-vindas aos turistas”, acrescentou.

Outra startup não relacionada diretamente aos jogos mas que vem surfando a ocasião é o Qranio. “Contamos mais de 100 mil novos usuários desde que a Copa começou. Também, vários clubes de futebol e portais de notícias contrataram nosso sistema para aproveitar que o futebol está em alta, então estamos muito felizes”, declarou Samir Iásbeck, o co-fundador e CEO. Gustavo Caetano, co-fundador e CEO da Sambatech, comunicou que a empresa viu um bom movimento ao transmitir os jogos para países da América Latina (exceto Brasil).

Com relação aos estrangeiros, as atividades no país aumentaram. Dezenas de empreendedores e investidores de diferentes países reuniram-se em Belo Horizonte (uma das cidades que sediaram a Copa) para o evento de três dias Goal Belo. Na ocasião, foi lançado o Brazil Startup Report (veja slides e vídeo), guia para orientar quem quer conhecer o ambiente de negócios de startups no nosso país. Paralelamente, executivos como Shobeir Shobeiri, líder de desenvolvimento de negócios na empresa de smartwatches Pebble (baseada em São Francisco, na Califórnia) viajou para o Brasil para ver os jogos, mas aproveitou palestrando em um evento para desenvolvedores (veja slides e assista ao vídeo) – e deu entrevista para o Startupi.

Nem tudo é perfeito

Assim como a derrota da seleção brasileira por 7×1 para a Alemanha, ou por 3×0 pela Holanda, deixando o Brasil em 4o lugar na Copa, várias startups também tiveram dificuldades. Em geral, várias opiniões que recebi são como as de Douglas Almeida, co-fundador e CEO da Stayfilm. “Apesar de termos visto um grande aumento no uso dos templates de vídeo com temas de futebol, não aconteceram muitos negócios corporativos no período da Copa. Muitos contratos e verbas foram definidos no início do ano e também muitos publicitários e responsáveis por marcas estiveram fora do país, participando do Festival de Cannes, então reuniões e contratos estiveram bem lentos nas últimas semanas”.

Que fique claro: não é por incompetência ou falta de esquema tático dos líderes que muitas empresas não se deram bem. O mercado é uma soma de fatores nem sempre previsíveis ou controláveis. O mercado está aí o ano todo e empresas boas não dependem especificamente de um evento ocasional para darem certo.