Artigo por Miklos Grof, co-fundador da Fundacity.

Selecionar boas startups a se investir é difícil. Existem várias pessoas com ideias de alto potencial, mas poucas que possam construir um negócio de sucesso baseando-se nelas. Isso se reflete nas estatísticas, as quais indicam que a grande maioria das startups falham. Por outro lado, aquelas que alcançam o sucesso, geralmente o fazem de maneira grandiosa, tornando várias pessoas ricas, nos mostrando um dos principais motivos pelos quais o investimento anjo está se tornando gradativamente mais popular.

Entretanto, pessoas que se interessam em serem investidores anjos, geralmente, ficam perdidas, muito pelo fato de haver milhares e milhares de opções de escolha. Somente na Fundacity, para termos uma ideia, há mais de 1500 startups brasileiras cadastradas. Então, qual delas compensa mais o seu interesse?

Aprender como selecionar boas oportunidades de investimento leva tempo e necessita-se experiência, a qual somente é adquirida através da prática em se revisar e investir em startups, como citado por Cássio Spina, em entrevista recente para nosso blog. Para se aprender mais sobre como um investidor em startups trabalha, entrevistamos o brasileiro Bernardo de Barros Franco, da Harvard Angels. No vídeo abaixo, Bernardo compartilha conosco alguns pontos sobre como selecionar excelentes startups.

Aqui estão alguns pontos-chave que um investidor anjo usualmente considera durante a análise de uma oportunidade de investimento em um startup.

Equipe

Todo investidor em startups em estágio inicial irão dizer que eles investem em pessoas, especialmente se essas pessoas juntas formam um time fenomenal. É comum se dizer que é melhor se ter um excelente time com um ideia ruim, do que um time ruim como uma ideia excelente, um conceito ao qual Bernardo explora mais no vídeo. Ideias, invariavelmente, evoluem e podem ser lapidadas, especialmente se o time tiver a chance de ser mentorado por um investidor experiente. Entretanto, é muito mais difícil para um time ruim melhorar com o tempo. Abaixo, alguns pontos que os investidores procuram em um time:

  1. Capacidade de execução: existem várias teorias sobre o que faz um time entregar grandes resultados. Dave McClure, famoso investidor em mais de 500 startups acredita que um time perfeito tem uma mistura de 3 tipos de características.
    1. Hacker – um conjunto de habilidades técnicas necessárias para se construir um produto.
    2. Designer – habilidade de se entender o problema do cliente e o requisitos necessários para se entregar uma experiência espetacular a um produto e ao cliente.
    3. Hustler – habilidade de se vender a visão e o produto a potenciais investidores, clientes e membros do time.

É praticamente impossível se encontrar uma única pessoa com todas essas habilidades, portanto muitos investidores preferem investir em startups fundadas por 2 ou 3 pessoas;

  1. Comprometimento dos fundadores: a mistura entre as diferentes habilidades descritas acima é essencial, mas de nada vale se os fundadores não estão empolgados com seus projetos. Trabalhar em uma startup é difícil e somente pessoas altamente motivadas conseguem superar os problemas inevitáveis que irão surgir durante sua jornada. Investidores experientes irão procurar entender o que motiva os fundadores e preferirão suportar aqueles que são verdadeiramente apaixonados por um mercado em particular ou nos problemas os quais suas startups busca solucionar. Para compreender melhor a motivação dos fundadores, comumente os investidores perguntam “Por que vocês está fazendo isso?”;
  2. Conexão entre o time: fundadores investem muito tempo trabalham junto em suas startups e a caminhada é usualmente sinuosa. Logo, muitos investidores tem uma preferência maior em se investir em times aos quais os fundadores já trabalharam junto anteriormente. Isso reduz o risco de se ocorrer conflitos que poderiam atrasar o progresso da startup.

Produto e Alinhamento com o mercado

Mesmo se investidores anjos procuram primeiro por um time excelente, no final das contas eles investem no negócio. Sendo startups um investimento de risco, eles procuram ter certeza de que a ideia base do negócio tem um grande potencial, sendo esses os principais pontos:

  1. Problema real para um mercado grande: startups de base tecnológica geralmente criam produtos bastante inovativos que suprem uma necessidade ou solucionam um problema de um determinado grupo. É muito importante que essa solução seja muito melhor do que as usadas anteriormente, pois somente assim há chance de o produto se tornar popular entre os usuários. A segunda parte importante é encontrar usuários suficientes para construção de um negócios sustentável. Uma startup que propicia uma solução atrativa para os problemas sociais da população jovem brasileira, provavelmente, é um investimento melhor do que uma startup que soluciona um problema de uma determinada classe de determinado estado;
  2. Tração: o melhor modo de validar se uma ideia pode ser atraente para seu público-alvo é através da construção e exposição de um protótipo de um dos produtos futuros dessa startup. Em alguns casos, isso pode ser feito em um tempo bem curto. Algumas das mais famosas startups validaram suas ideias com vídeos curtos (Dropbox) ou com um site básico (Zappos). Se os usuários gostam do protótipo, existe uma chance de que ao final o produto será interessante para eles. Dados que mostram uma boa resposta dos usuários ao produto (ou pelo menos ao protótipo) é chamado de tração, uma palavra mágica para investidores em startups iniciais. Por exemplo, Winggo, uma startup que Bernardo está atualmente interessado (veja o vídeo abaixo), tem vários usuários recorrentes em seu aplicativo de celular. Isso significa que as pessoas estão enxergando valor e se interessando em utilizar o produto, o que são notícias bastante promissoras para esse estágio;
  3. Monetização: startups em seu estágio inicial começam identificando as necessidades ou problemas de um público específico, mas raramente focando em se fazer muito dinheiro inicialmente. Isso é uma situação comum para startups da área digital, dado que isso auxilia na captação de usuários em suas etapa inicial. Isso é também o principal motivo pelo qual startups necessitam de investidores. Entretanto, investidores anjo preferem investir em startups que tenham um plano realista de como eles iram ganhar dinheiro, por exemplo, através da publicidade, cobrança por acesso ou venda direta.

Motivação Pessoal

A maioria dos investidores-anjo investem buscando um returno expressivo sobre seu investimento, mas isso não é sua única motivação. Muitos o fazem pela empolgação e a satisfação em se ajudar na criação de novos negócios. Investir também proporciona oportunidades de se atualizar sobre as principais tendências, encontrar pessoas apaixonadas a um propósito.

Por todas essas razões, o investidor precise se sentir bem com um investimento. Investidores-anjo geralmente querem algo que eles realmente acreditam, um negócio que soluciona problemas aos quais eles estão pessoalmente preocupados, um time com uma proposta única, talvez melhorando algo que não funcione bem no país.

Aplicando os critérios de análise descritos acima é um ótimo caminho para se reduzir o risco de um investimento ruim, dado que com essa aproximação identifica-se desde o início os fatores chaves para o sucesso ou falha de uma startup. Entretanto, a habilidade de se observar potenciais vencedores vem com a experiência.

Logo, para descobrir se você é um investidor-anjo, a melhor maneira é começar a investir! Continue visitando Startupi para descobrir como a Fundacity pode te auxiliar nessa jornada!

Artigo por Miklos Grof, co-fundador da Fundacity. Além das atuais funcionalidades, a Fundacity está para lançar clubes de investimento, assista à entrevista que Grof deu ao Startupi sobre a empresa.