A primeira aceleradora do Ceará já tem nome: 85 Labs. Focada em projetos de TI e voltados para o mercado B2B, a aceleradora que ficará em Fortaleza já abriu as inscrições em seu site para sua primeira turma de acelerados que deve ser iniciada ainda neste ano e promover investimento de R$ 60 mil em cada startup.

Leonardo Lacerda junto com Milton Sousa, Igor Ary, João Kepler e Lucas Cavalcante estão por trás do projeto. Lacerda, administrador e um dos líderes da Anjos de Brasil Núcleo Ceará conversou com o Startupi sobre a nova empreitada e sua visão da cena empreendedora cearense.

Como surgiu a ideia de montar uma aceleradora no Ceará? Vocês acham que o estado carecia de incentivo para startups?

Na minha época de graduação participei de três competições de empreendedorismo em São Paulo e fui muito motivado pelo vírus do empreendedorismo. Sempre quis fomentar os empreendedores daqui porque um terço dos formados no ITA são cearenses e acho que temos muitas mentes brilhantes aqui,  principalmente em tecnologia. Temos excelentes escolas de tecnologia no estado e existem grandes negócios aqui que não se tornam realidade por não ter uma aceleradora local.

A nossa parceria com a Anjos do Brasil que gerou um núcleo local levou a ideia de uma aceleradora e achamos agora que temos uma robustez para selecionar empresas com grande potencial de desenvolvimento e inovação.

O Ceará já tem um ecossistema forte de startups?

Formalizada como startups acho que o Ceará tem um número normal: nem pequeno, nem grande. Porém temos muita tecnologia sendo desenvolvida em laboratórios de pesquisa como da Motorola, Epson, HP. A gente sabe que tem muita tecnologia também sendo desenvolvida nas universidades aqui e queremos transformar isso em produtos e negócios viáveis.

Por que a busca de projetos em TI?

Porque vai ser investimento anjo, então se pegarmos uma coisa de biotecnologia, por exemplo, que precise de um protótipo muito caro, isso seria um custo muito alto para a aceleradora. Então no momento atual a gente vai focar em TI por causa do pouco investimento necessário e do grande e rápido retorno que pode gerar. Outro fator seria a experiência que a gente já tem no setor de TI.

Quantas startups vocês pretendem acelerar?

Na primeira turma serão cinco startups e cinco investidores.

Quanto tempo durará a aceleração?

Cinco meses mais alguns dias antes do Demoday.

Como a startup participante receberá os R$ 60 mil? De uma vez ou em parcelas?

Vamos disponibilizar R$ 30 mil em cash e R$ 30 mil em serviços (contador, jurídico). Mas os R$ 30 mil iniciais serão recebidos em parcelas, só que a definição dessas parcelas serão decididas com as empresas.

Vocês vão fechar a aceleradora para startups do Ceará?

Não, aceitamos startups do Brasil inteiro. As únicas exigências é que tem que ser voltado para TI e ter modelo exclusivamente B2B. Queremos dar opções para investidores locais, a startup tem que ficar aqui durante a aceleração porque a mentoria será local, mas ela pode ser de outro estado.

Também estamos formando parcerias internacionais. Negociamos agora com uma aceleradora da Espanha, pois queremos receber startups de fora e também mandar startups para lá, mas temos que formar uma base antes de fazer isso.

O objetivo de vocês é chamar novas empresas para Fortaleza?

A gente quer incentivar as empresas a ficarem aqui e queremos que os investidores invistam em empresas daqui. O foco no primeiro momento é aumentar o número de startups em Fortaleza, para fomentar a região, depois o estado e depois aproveitar nosso ativo existente para fomentar o Nordeste. Tudo isso sempre focando em dois pontos essenciais: qualidade de gestão e ambiente criativo.