Marcel Fukayama é um dos membros da lista “30 abaixo dos 30” da edição brasileira da revista Forbes. Fukayama, 29, é CEO da CDI, uma organização social híbrida dividida entre empresa social e ONG que prega a democratização da informática e também uma das primeiras Empresas B brasileiras, modelo que foca na questão social e vê sempre um lucro coletivo como ideal.

As credenciais já dão a dica, Fukayama é um empreendedor de sucesso. O Startupi falou com o CEO que disse porque o Brasil precisa de mais iniciativas como a do CDI, e explicou mais sobre empresas B, o sistema que ajudou a importar dos Estados Unidos.

Marcel Fukayama

Startupi: O que é uma empresa B?

Fukayama: Empresa B é toda aquela empresa que usa o poder do seu core business pra resolver um problema social e ambiental. Ela tem métricas e performance medidas e passa por uma avaliação de impacto que se chama B Impact Assessment, na qual cinco dimensões são avaliadas e a partir disso uma nota é dada e se ela atingir a pontuação mínima está apta a se tornar uma empresa B e muda seu modelo de negócios. Ela passa a considerar outros stakeholders e externalidades em seu modelo de negócios.

Quantas empresas B existem hoje no Brasil?

A comunidade foi criada em outubro e hoje tem 12 certificadas, 15 em processo e mais de 200 em avaliação, feita por equipe brasileira.

Como é no exterior? A conciliação de lucratividade e responsabilidade social é mais presente?

Acredito que sim, mas pós-crise americana em 2008 houve uma mudança no padrão da filantropia grupal que resultou na mudança de investimento de impacto. Investidores começaram a avaliar novos empreendimentos que contribuiriam socialmente, mas também economicamente. Surge um movimento de empresas B em todo o planeta. Percebo que existe uma mudança nas empresas sobre investimento social privado, que está cada vez mais alinhado com o objetivo da empresa. O investimento social não existe mais só para neutralizar o impacto que elas fazem.

No Brasil falta empreendedores com consciência social?

Acho que sim, mas acho que essa é uma questao cada vez mais presente. A nova geração nasce cada vez mais com uma inquietação em criar uma carreira com propósito definido, que tenha um significado. Cada vez mais essa geração vai ocuoar lugares de liderança e de tomadas de decisão. Isso vai escalar e tornar-se mainstream.

Existe também uma tendência de, ao encontrar sucesso nos negócios, os empreendedores começarem a fazer trabalho beneficente? Isso supre a necessidade de um negócio com consciência social?

A Empresa B é a evolução desse modelo mental de “deixa eu fazer minha fortuna e depois eu abro minha ONG”. Foi isso que financiou as organizações sociais nos últimos anos, mas o futuro é diferente. O futuro é de empresas com outros enfoques, de como as elas tornam impacto social algo positivo. A gente vive um momento importante de evolução sistêmica. Não se fala de evolução sistêmica falando apenas de empresa. É fundamental o movimento de governos e da sociedade civil. Nas escolas de negócio estamos criando novos empreendedores. Então é a academia que vai tornar essa mudança escalável.

No seu perfil diz que você começou aos 17 anos com cafés com internet. como você saiu do empreendedorismo tradicional a uma ideia de Empresa B?

Eu já nasci um empreendedor B. Nunca criei um negocio que fosse pura e simplesmente para retorno econômico. Sempre quis criar impacto positivo. Criei uma lan house pra democratizar acesso a internet na minha comunidade, pois na época era muito caro e restritivo. Foi um negócio como meio para que as pessoas tivessem acesso a informação de grande escala.

Quando começamos a difundir negócios sociais da Vox Capital tomamos conhecimento dos movimentos das B Corps e vi que tinha que me juntar a eles, me identifiquei rapidamente. Foi aí que certificamos o CDI como Empresa B e montamos o sistema B no Brasil e ajudamos a aumentar essa comunidade.

Quais são os projetos do Sistema B no Brasil para 2014?

Temos três objetivos esse ano: criar e fortalecer a comunidade de Empresas B no Brasil; Estruturar um modelo de governança e definir um panorama de legislação e política pública para empresas no Brasil. Queremos chegar no fim do ano e dizer no que vamos influenciar de política pública para Empresas B. Nos Estados Unidos há uma legislação específica na qual o CEO toma a melhor decisão para o mundo.

Você tem uma inspiração de empreendedor social?

Tenho três, na verdade. Muhammad Yunus, criador do conceito de microcrédito e do Banco Grameen. Rodrigo Baggio, fundador da ONG CDI e Bill Gates, por seu forte trabalho social.

Quais são suas próximas apostas em Empresas B e na CDI?

Certificar empresas de relevância e referência de capital aberto [para Empresas B] e mobilidade [para CDI]. Tecnologias emergentes para resolver problemas sociais, porque isso gera um empoderamento digital.