Já faz mais de um ano que eu falo: estamos a poucos passos de as empresas oferecerem seus serviços sem cobrar, entrando no risco (mas não apenas no risco dos produtos dos clientes, e sim no risco do negócio inteiro) e chamarem isso de aceleração. Talvez seja sinal dos tempos: novas lógicas requerem novas atitudes.

Pois bem, a agência carioca Peixe [Fora da Lata] vai investir em nessa nova vertente de negócios: quer ser uma aceleradora criativa de startups. Além do trabalho de comunicação que já desenvolve há três anos no mercado (branding, identidade visual, conteúdo, mídia, planejamento, networking e captação de recursos), a Peixe agora quer ajudar a viabilizar grandes negócios.

Segundo o sócio-diretor da agência, Leandro Campos (o do centro, na foto com o restante da equipe), a expansão da empresa em direção ao mercado de startups é benéfico tanto para o empreendedor quanto para a agência. “A partir de agora, tudo o que disponibilizamos para os nossos clientes, em termos de serviços em comunicação, vamos oferecer para jovens empreendedores de uma forma mais acessível, o que vai impulsionar a geração de novos negócios. Ao mesmo tempo, a aproximação com o empreendedorismo é uma forma de a Peixe acompanhar novas tendências e se renovar como uma empresa da economia criativa”, afirma.

Além de oferecer esses serviços para as startups às quais se associarem (tomando participação societária), a agência vai oferecer também pesquisa de mercado completa, envolvendo a busca de informações sobre os concorrentes e referências relevantes para a criação do trabalho), vagas de coworking, assessoria contábil e jurídica, suporte ao recrutamento.

Aos questionamentos sobre “quem eles acham que são no mundo das startups”, vale lembrar que estamos no mercado das exceções, das propostas de valor distintas e cheias de personalidade – e boa parte das aceleradoras trabalha coisas que passam bastante perto de trabalhos de comunicação, branding, identidade.

Na visão da empresa, acelerar um projeto é ajudar o empreendedor a tirá-lo do papel, um processo que pode ser feito de várias maneiras. No caso deles, escolheram a criatividade para dar forma, nome e vida a boas ideias.

E o trabalho com o empreendedor?Todo mentoring, coaching, etc? Boa pergunta. Particularmente, já fui chamado para ver e contribuir com iniciativas de mais de uma agência em São Paulo, bem maiores que a Peixe, com foco em projetos dos próprios colaboradores, mas não vi resultados. Obviamente, trabalhar com projetos de pessoas de fora da agência, como a Peixe quer fazer, pode facilitar em vários aspectos: inclusive, o chefe não vai precisar dizer pro colaborador “deixa de lado a startup por uns dias e faz esse job aqui”, pois a startup vai ser o job, não um “acessório” corporativo.

De qualquer forma, divulgado está. Inovadores, inovem!