No segundo dia de Campus Party, não foi um bom e velho workshop de programação e software que reuniu participantes num dos palcos do evento. Sentados com um sorriso no rosto e um pouco de sadismo nas costas, o público se juntou para ver a UFC das Startups, na qual Guilherme Junqueira, Diretor Executivo da Associação Brasileira de Startups, Bio Veiga, CEO do basico.com, Juan Bernabó fundador da Germinadora e Amure Pinho, CEO do Blogo, se juntaram para dar murros e pontapés (em forma de críticas) em quem tivesse coragem de exibir ideia, projetos e startups no palco.

A ideia é reunir os mentores para que eles critiquem e até (em pouquíssimos casos) elogiem a ideia em questão. De forma bem humorada, os quatro mentores arrancaram muitos risos das plateias. Em determinado momento, enquanto um empresário apresentava seu negócio, Junqueira perguntou “você tem CFO?”, tímido, o criador de uma empresa que pretende ser plataforma para venda, troca e compra de produtos de bebês, mas ainda não lançou o site e não possui lucro nenhum respondeu: “sim”. Junqueira treplica: “Para quê? Se vocês não tem dinheiro…”, riu.

Esse tipo de aconselhamento pode parecer um pouco radical, mas até os empreendedores afirmam que é com a crítica que eles entendem os problemas do produto e o que deve ser melhorado. O carioca Victor Maia apresentou uma empresa que busca democratizar a programação e deixá-la acessível até para leigos. Bernabó disse que já tentou fazer algo do tipo e percebe que o produto é improvável, senão impossível. “Ou você é um gênio acima da média e vai mesmo conseguir ou você tem uma visão distorcida da realidade”, brincou. A dificuldade de Maia em explicar seu produto não ajudou. Alguns empreendedores nem entenderam do que se tratava o produto.

Mesmo assim ele saiu da UFC elogiando os mentores. “Acho que é uma experiência maravilhosa. É muito útil. Principalmente porque ao detonar sua ideia, o mentor tenta mostrar o que está errado”, disse.

Junqueira afirma que o nível das ideias tem melhorado com o tempo. No ano passado eles já haviam testado um UFC das startups e disse que sentiu uma evolução, mas explica que é natural que ideias cruas ainda sejam apresentadas. “Aos poucos os empreededores estão entendendo mais o que o mercado exige. Todo produto nasce de uma necessidade e é claro que necessidades de universitários são parecidas: saber o horário exato do ônibus, onde têm boas baladas, etc. É com mais experiências que eles vão perceber mais necessidades e esses caras ganham muito com mentoria qualificada”, resume.

O último empreendedor a falar disse que tem uma startup há oito meses e que percebeu um aumento de check-ins de adolescentes em baladas. Ele queria unir essa vontade dos jovens de mostrar os lugares que frequentam a necessidade dos pais de saberem se os lugares que os filhos frequentam são seguros e pretende informar aos pais se os locais onde os filhos estão têm alvarás em dia. Bio Veiga questionou de imediato: “você já foi adolescente?”. “Sim”, disse o empreendedor. “E você sempre contava pro seu pai o lugar exato para onde você ia?”. “Na maior parte do tempo, sim…”, hesitou. Então você não tem um negócio!”. Uma reflexão que pode parecer boba, mas nunca passou pela cabeça de quem abria um negócio voltado para pais de adolescentes.