Há 3 anos quando Luiz Vitor Martinez viajava, ele reparou em uma situação curiosa: uma vendedora perguntava à sua vizinha porque a loja dela, que tinha os mesmo produtos, atraía mais consumidores.

Procurando uma boa resposta para o questionamento, ele chegou à ideia de uma startup que ajudaria o vendedor a conhecer seu público. Então se juntou a Luccas de Menezes e outros colegas de engenharia eletrônica do Instituto Mauá e começou a desenvolver soluções.

Assim começava a nascer a a Geeksys, Martinez ficou como CEO e Menezes como CTO. Hoje eles ainda contam com mais cinco engenheiros na equipe. O primeiro produto da empreitada foi o ambicioso AdBoxSense. Com uma câmera instalada na loja, o software reconhece alguns dados básicos dos clientes, como sexo, idade, e expressão facial.

“Ficamos dois anos dentro da universidade desenvolvendo o sistema. Nós tínhamos a tecnologia e estávamos em busca de um mercado”,  conta Martinez.

Se você já começou a pensar em problemas de privacidade, Martinez diz que isso não é um incômodo neste caso. “Nós não armazenamos os vídeos nem atrelamos as informações às pessoas, apenas coletamos informações genéricas para reconhecer quem é o público da loja”, explica.

A ideia não é válida apenas para varejistas, ela pode ser instalada em totens, como os de check-ins de aeroportos. No entanto, segundo Martinez, a GeekSys enfrentou grandes dificuldades de convencer o mercado do potencial do AdBoxSense.

“Acredito que o nosso conceito está tão na frente do mercado, em especial no Brasil, onde o varejo é muito atrasado, que é difícil entender o que oferecemos direito”, conta. “O principal não é a tecnologia, mas sim a informação que damos ao varejista. Quando rodamos um piloto, conseguimos ver a mudança de percepção dos lojistas”, explica.

Martinez interpreta que, em geral, o varejista não sabe o que fazer direito com tais informações. “A cultura do varejo ainda não é muito analítica”, defende.

Com tal dilema eles continuaram a testar a ideia até que chegaram a um novo conceito, que mais tarde se tornou mais um produto, o PriceCheck.

“Quando um dos pilotos calhou de ser feito dentro de uma livraria, vimos uma oportunidade de criar o PriceCheck. Com ele nós cruzamos os dados dos terminais de consulta de preço com os de vendas para analisar o desempenho de cada livro”, explica Martinez.

O software cruza 76 dados diferentes, mas o básico de seu trabalho é analisar quantas vezes o valor de um livro é consultado e quantas vezes ele é vendido. Com tais dados os donos das livrarias podem saber se o preço está agradando, quais são os mais consultados, e quais são os temas que despertam mais interesse nos clientes.

O sistema é específico para livrarias e Martinez diz que está negociando sua venda para grandes lojas do ramo. “Desta vez demoramos quatro meses para desenvolves tudo e já conseguimos conversar com cinco das maiores livrarias do Brasil”, conta o CEO da Geeksys.

Ainda sem investidores, contando principalmente com o capital intelectual da equipe, a GeekSys continuou a desenvolver sistemas para varejista e chegou a seu mais novo serviço, o Heatmaper.

O software analisa as imagens do sistema de câmeras de uma loja e, por um mapa de calor, mostra quais são os locais mais frequentados.


Entrevista feita em 2012 por nosso editor-chefe, Diego Remus, com Martinez, CEO da GeekSys

A GeekSys não é a primeira empresa do ramo a apostar em tal produto, assume Martinez. No entanto, segundo ele, o grande diferencial do serviço é o modelo de pagamento. “Nós não precisamos instalar nada na loja do cliente. Ele pode usar as próprias imagens de suas câmeras, subir em nosso site e comprar análises rápidas, por meio de créditos, no estilo do Skype”, diz.

Internacionalizando o produto

Justamente por contar com produtos diferentes a nível internacional, Martinez acredita que os produtos da GeekSys, exceto o PriceCheck, não devem limitar seu potencial ao mercado nacional.

O engenheiro acredita que o AdBoxSense tem um grande potencial nos EUA, onde há interesse por dados. No entanto ele lembra das polêmicas de reconhecimento facial discutidas no último ano e sublinha que o conceito é diferente de análise facial, que não se importa em identificar o usuário e portanto não invadiria sua privacidade.

Já o PriceCheck é mais voltado ao Brasil porque, segundo interpretação de Martinez, nos outros países a cultura das livrarias já não é mais tão forte.

O grande desafio da GeekSys agora é encontrar investidores e convencer o mercado de seus produtos. “Somos diferentes de uma startup que consegue desenvolver um aplicativo em poucos meses. Nosso sistemas demoram em média um ano e meio para serem desenvolvidos. Fizemos tudo sem aporte externo, porque no momento nossa maior preocupação era desenvolver um produto maduro o suficiente para monetizá-lo com vendas”, comenta Martinez.

É claro que isso, como qualquer experiência no mundo empreendedor, gerou bastante aprendizado. “Erramos bastante para chegar até aqui, mas agora conhecemos o nosso nicho de mercado e estamos mais preparados”, confessa o CEO da GeekSys.