Muito se comenta sobre a entrada de um investidor anjo em startups para apoiar e aportar recursos para manutenção e crescimento das operações. Conforme a entidade que me representa, Anjos do Brasil, entre junho de 2012 a julho de 2013, o investimento anjo cresceu 25% no Brasil, somando 619 milhões de reais. Esse número só cresce e eu faço parte desta estatística. Pois bem, o que me traz aqui hoje é falar da saída, da hora em que o investidor anjo deseja ter seu capital investido retornado.

Mas você pode se perguntar, sair por quê? Existem vários fatores para determinar este momento, seja porque se precisa desinvestir para investir em outro negócio, seja porque precisa do dinheiro de volta, seja porque não concorda com os rumos da startup, seja porque a startup precisa alçar voos maiores sem ele; enfim, os motivos são diversos para esse timing.

Eu, depois de anos sendo anjo, já percebi que esse é o momento mais complexo, delicado e complicado desta operação. Inclusive já coloquei este ítem com uma pontuação mais importante em uma fórmula própria  que mede (através de pontos) as minhas chances de entrada ou não em um novo negócio.  Na prática, o desinvestimento para  investidores anjo é fundamental para que possam fazer novos investimentos em novos negócios e mais startups possam ser beneficiadas. Esse movimento também é conhecido como reciclagem do dinheiro ou ciclo de vida do ecossistema.

Mas como fazer isso?  A maneira mais simples é vender para os próprios empreendedores que, em tese, deveriam ser os maiores interessados em reter o equity. Outra forma é vender de volta para o caixa da startup, desde que isso não atrapalhe as operações. Em ambos os casos, o anjo deve ter em mente que esse pagamento deve acontecer em suaves prestações.

A outra maneira é buscar outros investidores anjo para entrada na startup, mas, nesse caso, vai ser difícil convencer um novo anjo a entrar – se você esta saindo.  A dica que eu dou é fazer uma outra rodada menor com novos anjos, pela qual o investidor anjo principal continuaria na operação mas teria seu equity diluído e parte do seu recurso investido retornado.

A outra opção é sem dúvida pensar numa rodada seguinte, na qual o anjo é fundamental para avalizar e apoiar na preparação, apresentação e negociação. Algumas experiências negativas de saídas de casos brasileiros podem dar uma freada na entrada de amadores nestas operações (isso é bom, no meu ponto de vista).

A tendência para 2014 é que os investimentos fiquem mais precisos e os investidores anjo amadureçam e se organizem em Clubes e Entidades como a Anjos do Brasil, pois fazer investimento deve ficar cada vez mais seletivo, cooperado e centrado no resultado da geração de caixa de uma startup.

Esta é a minha visão!  De curto prazo?  Pode até ser, mas é uma forma (para mim) de ser mais assertivo, proteger meus investimentos e ter alguma garantia de uma possível saída lá na frente.

Para o Alto e Avante!
@JoaoKepler