A palavra métrica já dá algum medo e quando entendemos que é o conjunto de dados sobre um produto –no caso de internet e aplicativos seriam acessos e downloads, por exemplo– que podem ajudar a fazê-lo crescer substancialmente, começamos a achar que é feitiçaria. Em palestra na tarde desta quinta, Saulo Arruda, CEO da Jera (empresa de desenvolvimento de aplicativos para iPhone, iPad e Android) explicou porque métricas são importantes e usou exemplo próprio para mostrar a mudança drástica que elas podem causar.

Arruda é da área de computação e um dos desenvolvedores do Fun Sounds Instant Buttons. O aplicativo gratuito disponível para Android e iOS é um conjunto de botões que fazem barulhos divertidos a medida em que são apertados. “No começo, meados de 2011, ganhávamos uns US$ 40 por mês. Tínhamos uns duzentos downloads por dia, era um sucesso e achávamos bom, já que o trocado rendia uma caixa de cerveja”, diz Arruda.

Depois de estudar métrica, o primeiro passo que tomou foi traduzir o aplicativo para inglês. Esse pequeno ato fez com que o faturamento do aplicativo passasse para US$ 250 ao mês. “Métrica é fundamental para saber se você está andando para frente, para trás ou para o lado. Se você não tem métrica, você está perdido. Quando você tem um controle diário de downloads e não trimestral, por exemplo, você tem uma noção da velocidade em que você está operando e crescendo”, diz Arruda. E, segundo o CEO, esse conhecimento geraria maior controle das decisões seguintes.

Claro que o caminho para as métricas não é simples e exige algum estudo. Arruda recomenda livros especializados como primeiro passo para os iniciantes. “Foi onde eu sempre consegui uma referência mais legal, mas conversando com as pessoas da área você também pode ter bastante ajuda”, afirma.

Hoje, dentro desses ajustes a partir das métricas do aplicativo, o Fun Sounds Instant Buttons já fatura R$ 10 mil por mês. Arruda, também mentor da Aceleratech, StartupFarm e Germinadora, diz que o segredo é ver o que pode ser mudado e fazer testes. “A minha meta era terminar 2013 faturando dez mil por mês e no meio do ano nós estávamos faturando R$ 1.500, R$ 2.000 e aí fiz uma série de testes para conseguir chegar nos R$ 10 mil”, explica.

Arruda resume. “Hoje o trabalho que a gente faz é zero desenvolvimento. Eu não faço nenhuma funcionalidade nova [no aplicativo de botões]. Só que estamos buscando novas formas de monetizar uma coisa que a gente já monetiza. Às vezes o cara fica pensando em crescer aquisição quando na verdade seria muito mais fácil crescer a receita. A gente piorou na aquisição e melhoramos muito na receita”, diz.

O CEO também diz que tentar maneiras de burlar o sistema pode ser ruim para a própria startup. “Tem gente de startup que compra download, mas é ruim, porque aquele cara baixou e nunca abriu o app, nunca usou, nem gosta do app e não acrescenta em nada”, termina.