Por Anthony Eigier*

2013 foi o ano da Startup (no) Brasil. Na verdade, pelo lado do empreendedor, acho que na verdade esse ano teve menos barulho e “aue” em volta do mundo de startups. Sim, tivemos a grande e polemica iniciativa do governo que ganhou manchetes e mostrou que o Brasil não quer deixar passar a oportunidade de ser uma casa acolhedora para empreendedores digitais, porém pelo que percebi ao longo do ano, tivemos menos empreendedores novos.

Mas isso é uma coisa boa. Não, não estou louco. Realmente acredito que após a euforia de empreendedorismo, com menos novos empreendedores, estamos vendo mais projetos sólidos, com times experientes e complementares, que estão 100% dedicados e apaixonados pela empresa deles. Grande parte que se perdeu foram as startups que nem CNPJ tinham, pois o empreendedor queria que a empresa tivesse sucesso e captasse milhões do maior fundo americano antes de abrir mão da segurança do emprego e do salário.

Pelo outro lado, esse ânimo criou uma injeção de sangue novo no mundo empreendedor, e os que resistiram, e continuam batalhando pela empresa mesmo sem os milhões, tem se mostrado capaz de solidificar uma nova leva de futuros grandes empresários. Ao mesmo tempo, parece que a “velha guarda” da internet brasileira se motivou com esse sangue novo, e voltou a empreender, muitas vezes em conjunto com esses jovens, criando uma mistura muito saudável, de times com vontade e energia, misturado com experiência (e um pouco de dinheiro).

Essa movimentação não vai ser percebida tão rapidamente pela população geral, pois mesmo as melhores e maiores empresas que estão nascendo em 2013 vão demorar um pouco para terem a magnitude que todos esperam, ainda mais quando comparadas com os grandes cases de sucesso americanos.  Porem dentro do mundo de startups no Brasil o animo já é outro. Estamos percebendo um mercado novo, mais receptivo a todas as empresas digitais, não somente e-commerce. E os empreendedores estão procurando fazer empresas rentáveis e duradouras, pensando desde o começo em como transformar aquilo em uma empresa de calibre e porte internacional.

Com menos fundos de investimento de risco (nacionais e internacionais) vamos poder deixar de julgar empresas pelos aportes e sim pela inovação, gerenciamento e  longevidade empresa.

Olhando para o futuro, acredito que 2014 será um ano importante de solidificação de startups atuais. Criação de cases e empreendedores de sucesso é tão importante quando novos empreendedores. Uma grande parte da população brasileira já está empreendendo, e cada vez mais no mundo digital.

Agora é a hora de provar para todos o porquê estamos fazendo isso.

*Anthony Eigier é sócio-diretor da Fanatee  e co-fundador da Tree Labs