O bonde do Startupi a Curitiba rendeu frutos – um deles eu posso dizer que, certamente, foi uma tangerina. :-) Muita coisa mudou desde que a AdTangerine esteve por aqui exibindo o seu negócio que delineava um novo e alternativo modelo de publicidade, voltado especificamente para startups. Inclusive a cidade – agora, parte da AdTangerine está alocada na capital paranaense (a outra ainda permanece em Joanesburgo, na África do Sul).

A AdTangerine permite que empreendedores que queiram promover a marca, site, blog e derivados em redes sociais possam entrar na plataforma, ganhar dez tangerinas grátis e criar um anúncio, de maneira que outros participantes divulguem o conteúdo via Facebook ou Twitter.

Anunciantes oferecem aos usuários-publishers uma quantidade de tangerinas para que publiquem o conteúdo nas redes sociais. Esse usuário-publisher pode usar essas tangerinas para veicular um anúncio ou sacá-las em dinheiro, via PayPal. É um modelo de capilaridade, já que a divulgação via perfis pessoais atinge um contingente considerável de seguidores ou amigos em redes sociais.

“O que gira em torno da AdTangerine é a dificuldade que eu vejo de startups ganharem o seu primeiro público ou de divulgar o seu projeto. Sempre que você lança existe um vácuo sobre como formar o público”, explica o idealizador da plataforma, Tiago Guedes. O pacote mais caro da AdTangerine custa R$ 200, um preço bastante atraente sobretudo para as pequeninas empresas que estão começando.

Até aí você já sabia. Mas a trama se complicou: o modelo da AdTangerine deixou o Facebook desgostoso. Não é a primeira vez que isso rolou com uma startup, mas não vem ao caso mencionar agora porque estamos falando da AdTangerine, especificamente. E, neste caso, os termos de uso da maior rede social do planeta dizem que você não pode veicular conteúdos de publicidade via perfis pessoais.

“O que é muito abrangente”, comenta Guedes. “Você fica refém desse termo e se uma aplicação estimula os usuários a fazer isso, você pode ter o seu perfil anulado. Na verdade, a gente sabe que isso é um mecanismo de proteção para o site, porque todo o mundo publica conteúdo de marca na sua página pessoal.”

O fato é que a AdTangerine recebeu um e-mail diretamente da Califórnia, por meio de um advogado do Facebook. “Disseram para a gente parar de dar esse suporte a publicações no Facebook e que tínhamos 48 horas para cancelar esse serviço”, conta o empreendedor. O título do e-mail: Cease and Desist. “Foi o que fizemos. Em 48 horas, o site estava totalmente reformulado e sem suporte ao Facebook.

“Estávamos tendo uma boa resposta, de dezenas de milhares de publicações, mais de 30 mil em um mês. O feedback era excepcional, porque tínhamos uma ferramenta de análise organizada em gráficos e tabelas dentro da ferramenta”, relata ele.

Foi um momento difícil para a AdTangerine. Dois meses dedicados a repensar o modelo de negócios porque, devido à proibição do Facebook, houve queda vertiginosa de acessos à plataforma da startup. E, como todos sabem, cada dia na internet equivale a um ano – o entendimento de tempo é bastante diferente na rede.

“Tiveram momentos em que pensamos se deveríamos continuar ou não. Quase desistimos, só não fizemos isso por causa do CEO Raphael Costa”, que é sócio da plataforma.

A perseverança do sócio deu certo. Basicamente, a partir de janeiro de 2014, a ferramenta vai se reinventar e agregar o conteúdo na própria plataforma. A AdTangerine agora vai ter colaboradores – que vão gerar feedbacks, avaliações e divulgações no Twitter. O colaborador recebe por cada parte do processo, e haverá feedback das startups sobre a qualidade de trabalho desse colaborador. “Nesse processo, ele vai juntando tangerinas e, ao final do processo, pode retirar o seu pagamento em troca delas”, explica Guedes.

“Nossa ideia é ser o primeiro lugar onde a startup deve estar, porque, quando você lança, não há ferramentas legais para se ter uma validação e uma tração da plataforma”, diz ele. No novo modelo, a startup escolhe que tipo de divulgação vai querer e oferece tangerinas para o colaborador. Ele vai ter um tempo para conhecer a ferramenta e enviar o feedback – ao final desse processo, ele vai escolher se quer divulgar o projeto da startup. Tudo na base da troca de tangerinas.

“É bacana que as pessoas conheçam histórias de adversidade e saibam que é possível se reinventar”, diz o empreendedor. Com certeza, é – a AdTangerine tem a mentoria de João Kepler, da Anjos do Brasil, mas depois de topar com o Facebook, decidiu esperar por um investimento para revisar o modelo de negócios. A partir de agora, é pôr em prática e trilhar o novo caminho para ver aonde, exatamente, ele vai chegar.