Foi a partir da necessidade de saber o que os filhos faziam na escola que o empreendedor português Paulo Mateus pensou numa maneira facilitada para dar interatividade entre pais e escola.

Eles começaram a pensar nisso não como professores, mas da maneira que isso pudesse facilitar a rotina dos pais. “Se existem as redes sociais, se eu consigo conversar com pessoas no Panamá, por que não levar esse conceito para a escola?”, questiona ele. “Esse foi o nosso ponto de partida”.

O Weduc é a versão digital daquelas antigas cadernetas pelas quais pais e educadores trocam informações sobre as crianças – com a sensível diferença de que funciona nos moldes de uma rede social, exceto pelo fato de que não existem amigos virtuais (mas claro, é possível trocar mensagens com os professores e outros pais).

A ideia é ser uma plataforma online de acompanhamento e relacionamento para a educação, permitindo ligar em rede todos os players ligados ao ecossistema – pais, professores, alunos e escolas, bem como outras entidades relacionadas com a formação, desporto e lazer dos alunos. A plataforma portuguesa já teve seu espaço no  TED Educação e vai mostrar o update do caso no próximo TEDxEd. Ainda que pensada nos pais, a plataforma foi discutida com educadores de maneira que alinhasse as expectativas de escolas e professores.

“Cuidamos muito da segurança dos usuários, não há maneira de se criar perfis falsos”, explica Mateus. A plataforma é seccionada por turmas, ou seja, não há maneira de ver o que acontece em outras salas de aula que não sejam dos filhos.

Dois grandes desafios marcaram o Weduc. Toda a interface é facilitada para o usuário, já que almeja conquistar os professores que, por sua vez, não querem quebrar a cabeça com plataformas complexas. “A lógica é parecida com a das redes sociais que todos veem diariamente, mas é uma ferramenta de trabalho”.

O segundo grande desafio, segundo ele me contou, era democratizar a ferramenta de maneira que ela pudesse abranger desde uma escola pequena em Manaus até um grande complexo educacional em São Paulo, por exemplo.

Conseguiram resolvê-lo depois de um investimento do fundo Espírito Santo Ventures em janeiro, a partir da criação de um modelo gratuito para qualquer escola ter acesso.

O Weduc se rentabiliza a partir dos modelos premium e vai lançar um marketplace de compartilhamento de conteúdo sobre educação e lazer dentro da plataforma.

O aporte de 1 mihão de euros também garantiu a chegada dessa plataforma ao Brasil – ela chega já em dezembro para ser usada no próximo ano letivo. “Eu tive que traduzir o site para português brasileiro”, diverte-se ele.

A vinda da startup portuguesa não é surpreendente: como o país lusitano tem um mercado pequeno, nada mais natural que exista uma afluência das pequenas empresas de lá para outros países com língua portuguesa.

Quem auxilia a chegada do Weduc no Brasil é o professor Rene Fernandes, do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da Fundação Getúlio Vargas. “A missão da FGV é fomentar o empreendedorismo no país, então auxiliamos também as startups de outros países nessa travessia”, conta o professor.