Explorar o caráter lúdico dos games com foco no aprendizado é o mote do Xmile Learning, plataforma que atualmente volta seus objetivos para crianças do 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental.

A startup existe desde janeiro de 2013 e, segundo eles nos contaram, com um aporte de R$ 1,8 milhão. “Houve um investimento significativo inicial dos fundadores – e depois recebemos aporte de três  investidores-anjo, um inglês e dois brasileiros”, segundo me contou o diretor executivo e cofundador da startup, Nicolas Peluffo.

Veja, abaixo, o que conversamos.

Podem falar um pouco sobre o produto?

A Xmile Learning permite aos professores personalizarem o ensino e aprendizagem, de forma escalonável, combinando jogos digitais e uma ferramenta de gestão pedagógica. Os jogos são a maneira mais divertida de entregar conteúdo aos jovens de hoje, já que permitem que os estudantes utilizem na prática conceitos aprendidos em sala de aula. Por outro lado, podemos mostrar aos professores em tempo real o ritmo e necessidades específicas de aprendizado e cada aluno.

Com esta informação em mãos, aliado aos jogos, que compreendem cerca de 60% de todo o conteúdo escolar, em sete níveis diferentes de dificuldade, professores(as) podem oferecer conteúdo específico para as necessidades de cada alunos, de forma rápida, escalonável e mensurável.

Nosso primeiro produto, chamado Mistério dos Sonhos, é dirigido aos alunos do 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental de escolas públicas e privadas e pode ser acessado por meio de apps para tablets (iPad e Android), pela web ou ainda em modo offline se instalado diretamente no computador, uma solução criada especificamente para escolas que tem pouco acesso à internet.

Contem um pouco a respeito de vocês, como se conheceram e como resolveram fundar a startup.

Conheci o Roberto Kaplan na Harvard Business School, onde estamos fazendo um curso chamado OPM, lá nasceu a ideia de criar experiências de aprendizado mais modernas, estimulantes e eficazes para educação básica, partindo do princípio que o grande problema da educação brasileira está na educação básica e não no ensino superior. Além de compartilharmos a visão do negócio, tão ou mais importante foi o fato de compartilharmos valores a nível pessoal e o desejo de efetivamente fazer algo que contribuísse para a sociedade.

Qual é o diferencial da startup?

São quatro áreas principais: equipe pedagógica (formada dos pós-doutoras, doutoras, mestres, pesquisadoras e professoras das redes pública e privada); abrangência de conteúdo (geralmente os jogos digitais disponíveis abordam uma área do conhecimento, o Mistério dos Sonhos trata das principais áreas relacionadas ao Ciclo da Alfabetização (Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Sociais e Ciências Naturais) e todo este conteúdo é baseado nas diretrizes do MEC); proposta pedagógica (não se propõe a ensinar e sim a consolidar conceitos trabalhados em sala de aula. Ao mesmo tempo oferece um raio-X completo ao professor das necessidades de cada aluno individualmente e usa os próprios jogos para ajudá-lo neste sentido); e acesso (o fato de sermos multi-plataforma e permitirmos o acesso offline àquelas escolas que tem uma internet de baixo desempenho permite um acesso à tecnologia até agora inexistente ou complicado).

A startup está em funcionamento? Quantas pessoas dedicadas?

Sim, a empresa funciona em Florianópolis (SC) desde janeiro de 2013, período em que estivemos nos dedicando ao desenvolvimento do conceito e do produto, trabalhando muito junto às crianças, escolas, professores e gestores escolares. Em julho, começamos nossos esforços comerciais e o retorno tem sido excepcionalmente bom, esperamos ter mais de 7.000 estudantes usando o Mistério dos Sonhos já em 2014. Nosso time tem 51 pessoas no total, 19 na área pedagógica, 25 no desenvolvimento de games, 4 em TI e 3 no administrativo.