As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro estão com iniciativas interessantes na área de mapeamento da arte que se espalha pelas paredes das metrópoles brasileiras, mas ainda existe dificuldade na hora de construir um negócio sustentável em torno do assunto. Esse tipo de iniciativa é altamente inovadora e valoriza nossa cultura, mas ainda é mantida com dinheiro de editais ou dos empreendedores que acreditam no trabalho. Por que nossos investidores ainda não estão se movimentando nesta direção? Será que dá mesmo para criar um negócio sustentável em torno de algo que é tão importante para a cidade?

Aqui em São Paulo, temos o Arte Fora do Museu, criado por André Deak e Felipe Lavignatti, desde junho de 2011. O projeto, que coloca num mapa as peças de arte que estão espalhadas pela cidade, foi colocado em execução após seus criadores terem ganhado um edital de R$ 30 mil. “O edital pedia que entregássemos um site, mas entregamos também um aplicativo”, conta Felipe, com quem conversei.

Como o site foi um sucesso, Felipe e André se tornaram referência do movimento de arte urbana na cidade e atuam como curadores –eles foram contratados, inclusive, pelo Google. Os dois receberam apoio do Festival Cultura Inglesa para expandir o conceito e acabaram transformando o Arte Fora do Museu em algo colaborativo, que pode receber contribuições de quem encontra arte pela cidade. “Já tivemos contribuições de outras cidades e países, incluindo Santiago (Chile)”, lembra Felipe.

Para André, a iniciativa que começou com o foco de mapear obras de arte em espaços públicos, mas hoje atua na valorização da arte pública. Sobre o modelo de negócio, ele enxerga dois caminhos possíveis: o uso da tecnologia de mapeamento em outras iniciativas ou patrocínio aliado à “expertise de valorização de arte urbana” que eles já têm. “A plataforma acabou virando um produto, em si, independente”, completa.

Atualmente, o Arte Fora do Museu também funciona como uma “rede social” para artistas, que podem criar uma página no site e organizar suas obras, vídeos e fotos. “É como um MySpace, só que do artista plástico. Funciona como uma referência”, afirma Felipe.

No Rio de Janeiro, o movimento é mais recente, com o lançamento do StreetArtRio no último dia 18. A iniciativa recebe o selo de independente e tem o “objetivo de identificar e mapear obras de artistas locais através de ações colaborativas”. “A maior parte da população desconhece os artistas por trás das obras [das ruas], deixando nomes importantes da cena local, no anonimato. Para estreitar o contato entre artista e público, surge o projeto #StreetArtRio”, diz o comunicado divulgado pela equipe criadora do projeto.