Você conhece a Lei de Moore[1]? Acho que todos que trabalham, estudam ou simplesmente gostam de tecnologia sabem mais ou menos o que ‘diz’ a Lei de Moore: a quantidade de transistores nos circuitos integrados dobra a cada dois anos.

Gordon Moore foi um dos fundadores da Intel. Na verdade, um dos ‘criadores’ do Vale do Silício[2] tal como o conhecemos hoje – embora a ‘verdadeira história’[3] dos empreendimentos de tecnologia no Vale date da primeira metade do Século XX e seja intimamente dependente dos investimentos do Governo Americano, foi a partir da indústria de semicondutores que o Vale que se tornou conhecido como o principal locus global de tecnologia e inovação. A primeira e emblemática empresa dessa indústria foi a Fairchild[4], da qual Gordon Moore foi um dos fundadores.

Aqui discutimos a Lei de Moore 2.0! Hoje vivemos um momento no qual várias tecnologias estão a seguir o exemplo dos semicondutores, estão a se tornar tecnologias exponenciais! Esse foi um dos tópicos da conversa que tivemos com Peter Diamandis[5]. Em quais áreas tecnológicas isso está acontecendo? Algumas das áreas são:

  • Energia – fotovoltaica em especial;
  • Equipamentos médicos e laboratoriais;
  • Biologia sintética;
  • Robótica;
  • Manufatura 3D (impressão 3D);
  • Inteligência artificial (IA);
  • Comunicações;
  • Nanomateriais;
  • Neurotecnologias.

Em todos esses campos estão acontecendo três coisas: (i) as tecnologias/produtos estão se tornando ‘digitais’, (ii) o desempenho cresce exponencialmente e (iii) os preços caem exponencialmente.

Como isso está acontecendo? É mais fácil perceber isso para comunicações, IA e robótica, mas áreas como materiais e biologia são também terreno para incríveis transformações. Cada vez mais é a partir de modelos computacionais (digitais) de estruturas atômicas, moleculares, proteicas, neurais etc. que novos materiais, formas vivas e ‘formas de inteligência’ são criadas. Uma das discussões mais instigantes da primeira semana na SU foi com Andrew Hessel[6] – veja dois vídeos disponíveis na internet com apresentações dele em janeiro[7] e fevereiro[8] deste ano.

As aplicações médicas e outras (neurotecnologias) se valem desses avanços combinados: biologia sintética, bioinformática, impressão 3D, IA etc. Vem um mundo novo por aí.

Por que não percebemos muitas vezes esses movimentos? Bem…. muitas das tecnologias ainda estão no início, parecem ser de nicho, apresentam baixo desempenho (mesmo que dobre a cada ano, você provavelmente não irá perceber)… mas no final da história acabam por ‘redefinir’ um indústria. São o que o Clayton Christensen[9] chama de tecnologias disruptivas[10].

Talvez você não esteja vendo, mas a mudança vem aí! Fique de olho, pois experimentaremos muitas transformações em tudo o que utiliza, depende ou é influenciado pelas tecnologias listadas acima! Muitos negócios surgirão. Muitos mais morrerão!

Foto: cadernos com a história da Fairchaild. Fonte: acervo do Computer Science Museum.

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