Uma história de cobranças chatas e insistentes fez com que os irmãos Marlon e Magno Alves se juntassem a Dáguemar Koerbes para criar a PapaDívidas, uma startup que ajuda o usuário a negociar suas dívidas de forma coletiva pela internet e por meio de um aplicativo no Facebook.

“A ideia surgiu no verão de 2012 quando o Magno, meu irmão e sócio, precisou trabalhar por dois meses em uma cidade do litoral gaúcho e levou a família. Como não havia ninguém em casa para pagar as faturas de seu cartão de crédito, passou a receber ligações da empresa de cobrança contratada pela loja que administrava o cartão”, conta Marlon. “O problema é que a menina ligava em horários ruins e que atrapalhavam o trabalho ou o momento de descanso com a família. Mesmo com meu irmão dizendo que possuía o dinheiro para pagar e que só precisava voltar de viagem para ir até a loja regularizar a situação, a menina aumentou a frequência de ligações, colocando uma pressão cada vez maior.”

A cobrança durou duas semanas e, no final das contas, Magno pagou a dívida e, em seguida, quebrou o cartão na frente da atendente. “A loja perdeu um cliente com bom poder aquisitivo por que o processo de cobrança não é parte pós-vendas das empresas. O mercado atual se preocupa em facilitar o acesso ao crédito, mas deixa a desejar quando o cliente fica inadimplente, não importando o motivo desta inadimplência”, explica o sócio.

Ele conta que a experiência mostrou aos irmãos que fazer a negociação de dívidas é um transtorno. “Os canais são difíceis, as empresas de cobrança não costumam facilitar a negociação e o devedor sofre constante pressão”, diz Marlon. Foi quando surgiu o PapaDívidas.

Um dos diferenciais da plataforma é usar um certo volume de negociações (mais de uma pessoa) para ganhar vantagens. “O problema para os devedores é que estar endividado é um tabu. Isto dificulta a união de devedores.” No PapaDívidas, os endividados podem se juntar para negociar a dívida, mas manter a privacidade.

“O resultado deste tipo de negociação é vantajoso para as duas partes, pois os devedores limpam seus nomes e voltam ao mercado de consumo de forma fácil, confortável e econômica. Já os credores conseguem recuperar seu crédito de forma otimizada, com menor custo operacional e melhor relacionamento com seus clientes, aumentando a probabilidade de fazer novos negócios com eles no futuro”, conta o cofundador.

Eles dizem que, até o momento, investiram R$ 25 mil no site, que está no ar faz 20 dias.