As empresas de todo o mundo poderiam ampliar o potencial produtivo global em até US$ 1,3 trilhão se aplicassem os softwares sociais para gerir o dia-a-dia dos colaboradores e equipes. É o que diz uma recente pesquisa da McKinsey Global Institute (MGI). Com essa aposta, a 500 Startups e a Monashees Capital anunciam investimento de R$ 2,1 milhões no RunRun.it, uma plataforma para o gerenciamento de equipes inédita no mercado brasileiro, que faz a interação gestão de tarefas, tempo e feedback – veja matéria em que apresentamos a RunRun.it e os dois anjos da startup.

O aporte, que faz parte da segunda rodada de financiamento, será aplicado no aprimoramento do produto, na contração de novos profissionais e na expansão do negócio, que já conta com mais de mil empresas cadastradas, espalhadas por cerca de 40 países. O potencial, no entanto, é muito maior do que esses números representam no pouco tempo de existência da ferramenta. De acordo com a mesma pesquisa da McKinsey, 70% das empresas do mundo já interagem com tecnologias sociais, apesar de a maioria delas ainda não utilizá-las para melhorias nos fluxos de trabalho.

“A ferramenta Runrun.it  é única no mercado brasileiro com um grande potencial de crescimento, principalmente nas empresas,  pela melhor produtividade que ela proporciona”, comenta Bedy Yang, responsável pelas operações da 500 Startups, que fica sediada no Vale do Silício, na Califórnia. “O Runrun.it resolve problemas de gestão universais. A ideia de ter uma empresa ajudando a toda uma nova geração de outras empresas brasileiras a dar certo nos agrada muito”, diz Eric Acher, cofundador da Monashees.

O Runrun.it surge como um modificador no dia-a-dia das empresas que trabalham da mesma forma desde a virada para o século XXI, baseando muito das tarefas na troca de e-mails, um caminho hoje saturado. As empresas e as tecnologias mudaram, mas não a forma como as empresas trabalham. Desta forma, o Runrun.it agrega as tendências mais recentes na internet para se tornar uma plataforma que organiza e gerencia os trabalhos dos colaboradores, aumentando a produtividade, se for necessário, ou ainda indicando possíveis gargalos ou setores/colaboradores com tempo ocioso.

Na prática, a plataforma funciona como um agregador e acompanhador de todas as tarefas no dia-a-dia da empresa. Um chefe possui um maior controle das tarefas enviadas aos colaboradores, enquanto eles possuem uma agenda melhor definida para executá-las, não permitindo um excesso de tarefas para serem concluídas no mesmo tempo ou com um prazo menor que o ideal, por exemplo.

“Os resultados práticos são inúmeros. Um gestor pode enviar prazos mais realistas aos clientes, identificar com antecedência que não poderá entregar um projeto com a equipe atual ou ainda notar que existe um funcionário ocioso em um setor que pode ser realocado para outro, que está mais atarefado”, explica Antonio Carlos Soares, cofundador e CEO da Runrun.it. “Também é possível identificar aqueles colaboradores que não cumprem as metas e aqueles que vão além, entregando projetos antes do prazo e com um melhor desempenho”, afirma.

Histórico

A semente do que seria o Runrun.it surgiu quando Antonio Carlos Soares, Franklin Valadares e Patrick Lisbona ainda eram sócios da Aorta, empresa líder no segmento de aplicativos móveis. “Nossa equipe cresceu rapidamente e, a partir de certo momento, se tornou difícil acompanhar as atividades do dia-a-dia como um todo. Por isso, resolvi desenvolver  nas horas vagas a plataforma, buscando responder duas grandes questões: ‘No que a equipe estava trabalhando?’ e ‘Como está o andamento dos projetos’”, explica Franklin Valadares, que foi gestor da área de VAS (Value-Added Service) em operadoras de telefonia antes de ser sócio da Aorta. Foi ele quem iniciou os primeiros trabalhos na ferramenta.

Depois de algum tempo, os três sócios não só notaram a melhora na produtividade como viram que possuíam algo inédito no mercado, por isso, com grande potencial. Após vender a Aorta para a RBS, os sócios voltaram a empreender criando aRunrun.it, marca que passou a batizar a plataforma e a companhia que a comercializa. “Somos uma empresa de produto, ou seja, escalável. Em um modelo SaaS (sigla em inglês para ‘software como serviço’), o usuário não precisa instalar o programa, ele usa apenas a internet e paga uma mensalidade enquanto utilizar”, explica Patrick Lisbona, que, antes daAorta e do Runrun.it, foi sócio da Trip Editora. “Existem pouquíssimas empresas B2B no Brasil que vendem software neste formato, como serviço”, conclui.

Funcionamento

O Runrun.it funciona de forma simples. Após o gestor cadastrar a empresa ou o departamento na ferramenta, ele adiciona os colaboradores e informa de quem eles podem ou não receber tarefas. Em seguida, ocorre o cadastramento das principais tarefas do dia-a-dia.

Depois disso, basta apenas que o chefe envie para as atividades para o subordinado por meio do site, que, a partir do histórico anterior ou do que é informado no cadastro, já avisa o tempo ideal para a conclusão do projeto. Ele também já estima quando a tarefa estará pronta, tendo como base a lista de pendências do colaborador. Caso a data de entrega seja antes do dia estipulado pelo site, não existe mágica: o gestor precisa aumentar a prioridade do projeto (jogando outros mais para frente), escolher outro colaborar para realizá-lo ou ainda dividindo as tarefas.

Por parte do funcionário, ele recebe as atividades apenas pela ferramenta (acabando com possíveis desentendimentos na comunicação por e-mail) e informa naquilo que está trabalhando, tudo isso sem dificuldades. Assim ele fica protegido de um excesso de demandas com um prazo curto, além de mostrar claramente no que está empenhando e quando está sendo eficiente.

Diariamente os sócios, diretores, gestores e afins podem acessar os Relatórios Gerenciais, sabendo exatamente quais departamentos estão saturados, os funcionários ociosos, os melhores e, principalmente, para onde o tempo das equipes está indo.

Sobre a Monashees Capital

Fundada em 2005, a Monashees Capital é uma empresa de venture capital que investe nos melhores empreendedores nos espaços de Internet e Educação. Com um portfólio que inclui Peixe Urbano, boo-box, Elo7, Mind Lab e Baby, aMonashees é um parceiro de longo prazo para a construção de grandes empresas.

Sobre a 500 Startups

500 Startups é um fundo de investimento e aceleradora sediada no Vale do Silício, Estados Unidos. O fundo investiu em doze investimentos no Brasil liderados por Bedy Yang. A 500 Startups tem uma rede ativa de 200 mentores que aconselham os empreendedores ativamente em desenvolvimento de negócio, design, distribuição e métricas.