In Hsieh, co-fundador e COO da Baby.com.br, tem na história de sua família sua grande inspiração na vida e no trabalho. Ele fala sobre quando sua família chegou ao Brasil no período pós-guerra sem saber muito do país, não conhecendo nada da língua local e com quase nada de recursos. “Com o acesso à informação que temos atualmente, não é possível comparar, mas na época era o maior risco que alguém poderia assumir, seja para ter um padrão de vida melhor, por aventura ou simplesmente para sobreviver”, conta.

A nosso pedido, In respondeu uma série de perguntas criadas por mim e pelo Diego. Ele fala sobre sua visão de sucesso, a escolha de seu time e qual startup o tem como cliente satisfeito.

Aqui, vale deixar claro que In é um dos investidores do Startupi nesta nova fase, além de membro ativo da comunidade empreendedora brasileira durante anos.

Veja as perguntas e respostas:

O que te inspira na vida e no trabalho?
Tenho como grande inspiração as famílias de imigrantes e a minha em especial que veio ao Brasil no pós-guerra conhecendo pouco sobre o país, sem falar o idioma e quase nada de recursos. Com o acesso à informação que temos atualmente, não é possível comparar, mas na época era o maior risco que alguém poderia assumir, seja para ter um padrão de vida melhor, por aventura ou simplesmente para sobreviver. Nada do que eu possa fazer na vida está no mesmo nível, por isso, meu padrão de comparação é muito alto.

Você lembra como foi seu primeiro contato com a tecnologia?
Eu tinha uns 10-11 anos quando um amigo me mostrou um PC com DOS rodando Lotus 1-2-3. Morávamos na região de Foz do Iguaçu, por isso era relativamente fácil o acesso a peças e equipamentos. A partir daí, a tecnologia começou a fazer parte da minha rotina.

O que te fez começar a empreender? Como você se preparou para ser um empreendedor?
Minha família sempre teve negócios próprios, alguns de sucessos e vários insucessos. Empreender nunca foi uma decisão tomada conscientemente, está no sangue. A preparação foi fazendo, aprendendo e trabalhando em empresas para acumular experiência e relacionamento. Quando estava na faculdade, abri uma distribuidora de games e CD-ROM multimídia (1994-195) que faliu sem ter decolado. Quando o estoque encalhado não cabia mais no meu quarto, percebi que não ia dar certo e precisava aprender outras coisas. Foi a primeira grande falha.

Quando você começou esta startup, qual foi sua visão de sucesso?
A Baby.com.br foi fundada com o objetivo de mudar o mundo das grávidas, mães de bebês e crianças. Temos que ter uma visão grande e ousada para aumentar o desafio e elevar o nível de exigência de tudo que fazemos. E mais do que ser algo tão objetivo, queremos criar uma relação pessoal com nossos clientes, já que devem estar no período mais emotivo de suas vidas!

No Brasil, todo mundo é meio técnico da seleção e quer escalar o time dos sonhos. Como você fez para escalar o seu time?
O time da Baby.com.br é sem dúvida um dos melhores do e-commerce brasileiro. Muitos dos executivos sênior estão na faixa dos 30 e poucos anos, mas fizeram parte do início da história do comércio eletrônico brasileiro. São hands-on, lideram/capacitam suas equipes, sempre dispostos a inovar e já trabalharam com dezenas de milhares de pedidos/dia. E esse é o perfil de quem gosto de trabalhar: capacidade, compartilhamento, mão na massa e aberto a novidades. E uma coisa que não levava tanto em consideração mas está fazendo diferença: cultura. E para que se construa uma cultura forte e positiva, é preciso ter pessoas que compartilhem dos seus valores.

Você gasta quanto do seu tempo com vendas?
Tudo que fazemos tem um componente de vendas, seja consciente ou não. Vendemos aos clientes finais, vendemos aos fornecedores/parceiros, vendemos para potenciais funcionários etc.

Prefere bootstrap ou empreender com o dinheiro de sócios?
Cada projeto tem suas características e necessidades próprias. Ter mais dinheiro não necessariamente é uma coisa boa mas alguns negócios são capital intensivo. Meu foco é tirar as ideias e sonhos do papel e transformar em realidade de acordo com os recursos disponíveis.

Você venderia sua empresa e se desligaria dela? Como isso aconteceria?
Eu me dedico com toda minha capacidade e tempo ao ponto de um dia conseguir me desvincular sem perder o rumo. É uma lição que estou tendo agora com meu filho (1 ano). Criamos para o mundo.

Para onde o mercado brasileiro vai? E as startups vão junto, vão na frente ou vão atrás?
O mercado brasileiro tem uma base potencial de consumo enorme, temos um futuro brilhante pela frente. Só temos que ter consciência que tudo é cíclico, com altos e baixos. Os empreendedores de qualquer segmento, não só tecnologia, estão sempre na frente. Puxam a fila, abrem o caminho e ajudam a construir o país, mas não conseguem fazer nada sozinhos.

Você se sente realizado? já conquistou o sucesso? Sua noção de sucesso alterou conforme a trajetória da startup?
Sucesso é um alvo móvel, de acordo com seu momento de vida. Mas ele deve estar sempre a frente para que possamos nos manter desafiados a conquistar mais. Não digo só metas concretas ou bens materiais, mas também estado de espírito.

Quais startups te deixam mais feliz como cliente?
Dropbox é uma das ferramentas que mais uso e estou extremamente satisfeito.

Se você fosse se tornar sócio investidor de uma startup, qual ou quais seriam elas?
Na verdade, já sou mas como a pergunta refere-se a empresas da qual não sou: Printi e Ingresse, da leva mais nova, e Fashion.me e Descomplica das empresas mais consolidadas.

Quais dicas você daria para quem está pensando em empreender uma startup?
Ninguém consegue fazer tudo sozinho, muito menos fundar uma empresa. Tenha sempre alguém bom para dividir o trabalho e principalmente a pressão de empreender. E incorpore as principais atitudes de um empreendedor no seu dia-a-dia, assim não vira uma obrigação, mas atividade natural da sua rotina.