Gravei uma conversa com o italiano – radicado no Vale do Silício – Federico Pistono. Espalhado em áreas diferentes, ele atua como escritor (publicou o livro “Robots will steal your job but that’s ok: how to survive the economic collapse and be happy“), empreendedor social (da startup WiFli), educador científico (contribuindo com diferentes edições do TEDx e comunicador enviado à Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática), ativista (líder do braço italiano do Movimento Zeitgeist), blogueiro e aspirante a videasta.

Inspirado por Carl Sagan, Salman Khan e Marcin Jakubowski, Federico estudou ciências da computação na Itália, fez cursos online de Stanford sobre inteligência artificial e aprendizagem das máquinas e participou de programa da Singularity University, veio ao Brasil dar palestras na escola Perestroika – no Rio de Janeiro, em São Paulo (onde o encontrei) e em Porto Alegre (semana que vem) – e chamou atenção pelas suas ideias ao mesmo tempo sonhadoras e realistas, cheias de insight e perspectiva.

O ponto de partida de Federico é uma análise que, diz ele, há algumas décadas era incipiente, difícil de se observar, mas agora é gritante: o número de pessoas na Terra aumenta muito mais do que o de empregos. Aliás, relembra, o número de funcionários por empresa vem diminuindo, e o número de funcionários em novas empresas não vai dar conta do número de desempregados (muito menos do número crescente de pessoas).

Auto-emprego, free-lancing, empreendedorismo? Especulação na bolsa? Assista ao vídeo e ouça-o argumentar que vai haver colapsos econômicos (intercalados aos climáticos) e as pessoas preparadas poderão sobreviver. Para ele, preparado é quem depende cada vez menos do dinheiro e do sistema capitalista. Socialismo? Comunismo? Não. Ele defende uma mistura de auto-subsistência, trocas comunitárias e trabalho não-exaustivo. “Se tirarmos da cabeça o impulso ao consumo, vamos ver que precisamos trabalhar menos pois precisamos de menos coisas para sermos felizes ou temos outros meios de obtê-las, além do trabalho”, posiciona.

Mais sobre o pensamento e as realizações dele:

Veja ainda: Perestroika.