Hoje é sexta-feira 13, o azar é meu e eu entendo ele como bem quiser. Como disse o Renê de Paula Jr no TEDxFiap Empreendedores do Futuro: não se pode roubar o direito autoral que as pessoas tem sobre o que elas fazem (ele se referia aos disparates de dizerem que a revolução recente no Egito deve-se ao Facebook).

Claro que sempre tem uns achando que basta criar uma landing page de coming soon que isso já é o máximo de customer development. Outros louvam um gênio que dizia “não é papel do cliente saber o que quer” e não ligam uma coisa à outra (pois ainda não estão oferecendo nada, e a validação só pode medir aquilo que realmente há.

Nossa patota startupeira parece esclerosada vivendo uma verdadeira idiocracia enquanto fica repetindo senso comum e falácia. A começar pela confusão generalizada de que falhar (ter problema) é igual a fracassar (ser fraco).

Concordo totalmente com o autor de um dos 13 livros que “estou lendo” simultaneamente quando ele diz que uma vez estando na pior, você já sabe como é e nunca mais terá tanto medo de chegar novamente nesse ponto. Claro que não se deve perder a capacidade de ficar perplexo nem a de pular fora da água fervendo, mas já está na hora de pararmos de reforçar que realmente existe um paradigma (ou mesmo um paradoxo) do risco e do fracasso.

Sério mesmo: o mundo não é uma caixa, a realidade não é; mas é tudo consensual. O próprio gênio (que dispenso identificar) já dizia que seu segredo era criar uma zona de distorção da percepção dos outros, para que, num tipo de maquiagem cerebral, todos entrem na onda. Mas o futuro não é criado por insights nem visões, elas são apenas fantasmas que a gente gosta de brincar e a cada vez que tenta tocar, evanesce. Não se trata de pessimismo, mas de realismo.

Vou falar: não gostei de ver minhas amigas ficarem lavando roupa suja em jornal estadual e achar que é dar exemplo pra favorecer a cultura da falha ou da tentativa e erro. Mesmo que em si isso não tenha nada de questionável, ainda se trata de mídia de massa e tudo tudo tudo tem viés – e não é um viés do tipo que ajudou a construir um ecossistema de inovação aberta maduro. É do tipo que se acha muito da esquerda bem mais do que o verdadeiro equilíbrio que faz – mas também colabora demaaaais para a manutenção do jogo de forças do status quo. Acabou que a matéria tenta contextualizar essa coisa toda como se a sociedade como um todo estivesse na pré-escola ou tivesse ficado de exame, ou com educação especial. Saca? Manja? Mesmo assim, não condeno. E não importa se eu gosto.

Decadence avec elegance, diria Lobão

O Marco Gomes, que criou a empresa de publicidade em mídias sociais boo-box, publicou há algumas semanas em uma comunidade do Facebook um grande manifesto a favor do sucesso (e é óbvio que deu uma mega polêmica). Ele sabe quanto tempo levou para conseguir estabilizar a empresa, quanta dor, quanta mudança. Mas também cada alegria, cada conquista que levou até o notável alcance total na internet brasileira, todo mundo que acessa à Internet no Brasil vê ao menos uma vez por mês propaganda que roda em plataforma boo-box. Ele sim sabe o que é experimental, risco, custo de oportunidade, falha. E sucesso. Mas dor é dor, e alegria é alegria, cada um sente a sua e ela é inteira sua.

Bem que o conceito DramaCrunch se aplicaria bem ao Brasil, o país que é o mais novela-mexicana entre todos que se acham menos novela-mexicana. Ops, na verdade o drama é originalmente grego, correto? Não me lembro, mas atualmente o drama é grego, sim. O Brasil ainda é uma comédia – e um dos fodões que falaram no TED grandão defendeu a importância do humor na comunicação. Todos sabem que drama e comédia andam bem juntos e que a onda sempre é fazer onda.

Nesta sexta-feira 13, recomendo que leiam a pérola de auto-conhecimento do Edson Soares (na foto da matéria), que chegou a trabalhar no Flickr e atuou como consultor desenvolvendo outros projetos, mas resolveu empreender e teve de parar porque a coisa não foi pra frente. Ele soube a hora de parar, mas isso não significa parar para sempre e com certeza loser ele não é. Ao menos, não por causa disso. Há de se saber a hora, até onde agüenta e de onde não vai sair nada mesmo. Tirei o chapéu para as hipóteses que ele resolveu testar, testei o projeto, gostei de várias coisas, mas… enfim. Hoje me sinto numa bola de neve, fazendo cada vez mais coisas, maiores, mais legais, mais de verdade e maiores. Só que ao mesmo tempo ainda me sinto tão devedor. Talvez haja uma parede invisível à frente e eu colida. Avisei. Não tem problema, já sei como é falhar e voltar mais forte.

Repare que um dos motivos de o Edson ter se perdido no caminho foi o excesso de networking e pitching. Ser networkaholic pode levar aos mesmos problemas de histeria que ser workaholic. Ser networkaholic pode levar aos mesmos problemas de histeria que ser workaholic. O outro motivo foi prestar atenção na opinião dos amigos, em gostos, likes, retweets. E hoje em dia qualquer um tem seus 15 minutos de fama, não é nem novidade, mas tem gente que se acredita. Não estou subestimando os empreendedores, só acho que as pessoas superestimam dar opinião e aparecer. Repare que um dos motivos de o Edson ter se perdido no caminho foi o excesso de networking e pitching. E agora que você já sabe que tem um erro de repetição aqui neste parágrafo e que depois deste não vem mais nada, vá trabalhar, nem que seja produzindo subjetividade ao invés de ficar tipo zumbi de pseudo-igreja a la lavagem cerebral. Esqueça o Sonho Americano, abrace o Sonho Brasileiro.

Enquanto isso eu vou pegar o azar (que geralmente ninguém quer nem acha que tem), desmontar, converter, combinar e reciclar – para alugar no marketplace da economia do acesso. Pois não importa que dia é hoje se você está olhando mais para o calendário do que dançando a música das esferas.