“Chegue cedo”. Minha estreia em um evento que reuniu empreendedores, anjos e entusiastas em tecnologia teve apenas essa recomendação. Entendi o porquê quando vi o espaço reservado da Nós Coworking para as atividades do I Prêmio RBS de Empreendedorismo e Inovação (PREI) ficar lotado antes mesmo do horário previsto para o início dos trabalhos que, por sinal, não foram poucos nesta segunda-feira, dia 13 de setembro, em Porto Alegre (RS).Â

Lean startup – Confesso que assim que li a programação, esperava que a explanação sobre “Integrando Negócio, Produto, Processo e Projeto numa Lean Startup” de Luis Cláudio Parzianello não fosse ultrapassar o limite de propaganda institucional do PREI. Ao menos, seria assim em uma lógica usual de todo e qualquer evento.

Ainda bem que não foi dessa forma! Ele, que é  Gerente de Gestão de Negócios (BMO) do Grupo RBS, não apenas revisou de maneira clara os tripés que sustentam o conceito da lean startup como encaminhou uma reflexão: o foco dos negócios que estão prestes a ser apresentados tanto para o mercado quanto para o PREI estão voltados para levar o usuário em direção às soluções ou afastá-los de problemas que a todo custo tenta-se evitar?

Aventuras de anjo – Já Pierre Schürmann conduziu o tempo que tinha disponível como se estivesse relatando mais uma das incontáveis aventuras de sua família que todo o Brasil conhece (se você não lembra ou não conhece, dá uma conferida aqui). Não é nenhum exagero fazer essa comparação, pois desde que começou a se aventurar em negócios digitais,  pegou marés altas e verdadeiras tempestades que o tornaram um dos investidores-anjo mais ativos do país segundo o Valor Econômico.

“O elemento-chave são as pessoas, pois não adianta ter recursos financeiros e não ter os recursos humanos para tocar o negócio. Além disso, é bom começar pequeno, mas pensar grande. Isso dá mais segurança e confiabilidade ao seu anjo. Essa visão de grandiosidade, a de que há um mercado lá fora, é o que falta ao brasileiro hoje em dia talvez por termos ficado fechados por muitos anos”,  concluiu Schürmann.

Conceitos e aplicações – Pode parecer redundante para muitos o título “Como criar inovação em startups” que Yuri Gitahy, da Aceleradora, conduziu no meetup de Porto Alegre. A sensação obtida com a ênfase em conceitos como “inovação” e “startups” foi a de que pode estar havendo equívocos na execução das atividades de um empreendimento justamente na base do trabalho.

Com isso, pode-se chegar a conclusão de que uma invenção só pode ser chamada de “inovação” se for aplicada com sucesso e trouxer resultados concretos. E ainda destacou a busca por um modelo de negócios escalável e repetível em um ambiente de extrema incerteza. Fernando Tesch (da Swell Skateboard), Aron Krause (da Nomade) e o curador da PREI Bob Wollhein (Sixpix) se juntaram aos três palestrantes e participaram do debate “Os key-factors para o sucesso de uma startup”, que encerrou as atividades do meetup de Porto Alegre.

Depoimento sobre o público – Eu tinha certa clareza do que iria encontrar nas palestras deste meetup, mas não tinha sequer noção da cara do público – aproximadamente 180 pessoas segundo organizadores – que estaria presente. Circulei e ouvi muitas conversas de pessoas empolgadas com suas ideias, em estado ora embrionário ou já em desenvolvimento. Aos que me confessaram as suas depois de alguma insistência minha, não se preocupem: o meu off tá garantido! Reforço o coro que não é novo, mas que sempre deve ser lembrado: networking é tudo.

Um bom estoque de cartões de visitas e não ignorar o tempo previsto na programação para este tipo de atividade pode gerar novos seguidores no Twitter, contatos em redes sociais e – por que não – ser o primeiro passo simples e de baixo custo para futuros fechamentos de bons negócios?

Quem assina este post é uma pessoa que participou pela primeira vez de um evento com essa temática e que agradece aos editores do Startupi pelo convite que me fez conhecer um pouco melhor algumas caras e nomes de quem está envolvido no ramo das startups aqui no sul do Brasil.

Lucas Nobre – Jornalista, roteirista, biógrafo e curioso nas horas vagas.
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